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Lily James e Sam Riley em adaptação de Jane Austen que entrega entretenimento completo, na HBO Max

Lily James e Sam Riley em adaptação de Jane Austen que entrega entretenimento completo, na HBO Max

Em “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, dirigido por Burr Steers, a Inglaterra do século 19 enfrenta uma praga que transforma mortos em ameaça constante, obrigando Elizabeth Bennet (Lily James) a dividir campo de batalha com o orgulhoso Sr. Darcy (Sam Riley), mesmo quando preferia manter distância. Elizabeth não é apresentada como alguém à espera de casamento. Ela treina, observa e calcula. Enquanto sua mãe insiste em visitas e encontros que podem garantir alianças sociais, Elizabeth organiza armas e mantém o corpo pronto para o que pode acontecer a qualquer momento.

O problema não está nos zumbis, que ela sabe enfrentar, mas no ambiente em que vive, onde habilidades práticas ainda incomodam mais do que ajudam. Cada vez que decide se posicionar, ela ganha autonomia, mas também perde espaço em círculos que valorizam aparência e comportamento acima de sobrevivência.

Entre eventos sociais e vigilância

A rotina da família Bennet se divide entre duas agendas que nunca se encaixam com facilidade. De um lado, vestidos, convites e expectativas. Do outro, treinamento e vigilância. As irmãs acompanham Elizabeth até certo ponto, mas nem todas aceitam abrir mão da vida social para assumir o risco constante do combate. Esse descompasso cria pequenas tensões dentro de casa e define quem reage melhor quando o perigo se aproxima, alterando a posição de cada uma dentro da própria família.

A chegada de Darcy muda o equilíbrio. Interpretado por Sam Riley com rigidez quase militar, ele tenta impor regras e organizar respostas para a ameaça, apostando em disciplina e controle. Elizabeth reage com desconfiança. Ela não aceita ordens com facilidade, especialmente de alguém que parece mais preocupado em manter autoridade do que em ouvir quem já está acostumada ao combate. Esse embate atrasa decisões importantes e aumenta o risco em momentos críticos, porque ninguém cede no momento certo.

Mulher à frente

Quando os ataques acontecem, a diferença entre discurso e prática fica evidente. Em uma sequência que interrompe um evento social, Elizabeth assume o comando sem pedir permissão. Ela posiciona pessoas, reage ao espaço e transforma o salão em área de defesa. O que antes era cenário de exibição vira campo de sobrevivência. A ação dela não só reduz danos, como força Darcy a rever sua postura. Ele observa, calcula e ajusta, ainda que sem admitir com facilidade.

Há também espaço para humor, mas ele surge quase como reflexo nervoso. Comentários atravessados, reações fora de hora e tentativas de manter elegância em meio ao caos criam momentos curiosos. Ninguém está exatamente confortável, e isso fica claro nas falas e nos gestos. O riso aparece curto, às vezes deslocado, mas cumpre uma função importante. Aliviar a tensão e manter o grupo coeso quando a situação ameaça sair do controle.

Amor sob resistência

A relação entre Elizabeth e Darcy avança com resistência. Eles não se entendem de imediato, nem fazem questão de disfarçar isso. Ainda assim, aprendem a trabalhar juntos porque não há outra opção viável. Ela aceita algumas regras quando percebe que isso amplia a segurança coletiva. Ele segura o passo quando entende que insistir em controle total pode custar caro. Essa negociação constante troca a posição de ambos, não só no combate, mas dentro do grupo.

Jack Huston, como Wickham, entra como elemento que desorganiza ainda mais o cenário. Sua presença cria dúvidas e desloca confiança, obrigando Elizabeth a rever julgamentos e Darcy a lidar com algo que não controla. A tensão cresce porque as ameaças não vêm apenas dos mortos. Há interesses, escolhas mal resolvidas e decisões que interferem no que já estava frágil.

O filme alterna combate e convivência sem tentar esconder o contraste. Há momentos em que tudo parece sob controle, até que deixa de estar. Essa oscilação sustenta o ritmo e impede que a história se acomode. A direção mantém o foco nos personagens e em como eles reagem, mais do que em explicar o mundo ao redor.

O que importa não é a elegância dos salões nem a força das armas isoladamente, mas a capacidade de adaptar o comportamento diante do que insiste em fugir do previsto. Elizabeth não abandona quem ela é, mas aprende a negociar espaço. Darcy não perde autoridade, mas precisa dividi-la. E cada escolha feita sob pressão define quem atravessa a próxima porta ainda com chances de continuar.



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