Não há assunto sério que não se torne leve com Andréa e Juliana Lundgren juntas. “O Testamento – O Segredo de Anita Harley”, documentário do streaming (Globoplay), dirigido por Camila Appel, e que levou ao deleite quem parou para vê-lo, foi mote de um encontro das irmãs com a Folha de Pernambuco.
As primas de Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas, tal qual na série em que atuaram com falas importantes, viraram divas e com um “Tia Helena odiava Suzuki” rapidamente transformado em meme.
Em meio à complexidade de um caso que envolve a herdeira de “alguns” milhões em coma há quase uma década, após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), com um entorno questionável em disputa pelos quinhões de uma fortuna, Andréa, 53, corretora de seguros, e Juliana, 45, graduada em Enfermagem, são bálsamos de uma trama tida por elas como “Inacreditável, absurda e surreal”.
“Somos primas da tia Anita, mas ela sempre fez questão que a gente a chamasse de tia. Desde pequenininha, quando vinha para Recife, a gente passava todo o tempo com ela (… )”, recordam as filhas de Dona Dorothy Cavalcante Lundgren, já falecida. Prima-irmã de Anita, “amiga, parceira e muito ligada a ela”.
Best friends
A prosa seguiu com Andréa e Juliana relembrando, com respostas sincronizadas e em ritmo de jogral, sobre o imbróglio protagonizado por duas mulheres que se colocam como companheiras da herdeira: de um lado, uma ex-secretária, Cristine Rodrigues, a quem as irmãs não hesitam em apoiar, e do outro, Sônia Soares, a Suzuki, considerada dama de companhia de Anita e mãe de Arthur, gerado de um relacionamento com um italiano e posteriormente alçado a filho socioafetivo de Harley.
“Cristine era a pessoa de confiança de titia Helena (mãe de Anita) e depois passou a ser dela (Anita) também. Era o braço direito e conviviam 24h por dia”, conta Andréa, complementada por Juliana, que afirma ser Cristine “de extrema confiança”. As irmãs, no entanto, não garantem que entre elas houve relação homoafetiva.
“Minha tia sempre foi muito reservada. Suzuki conta muitas mentiras no documentário, uma delas, a de que dormiam no mesmo quarto”, ressalta Andréa, que atribui o papel de Suzuki a uma “best friend de uma milionária”.
Cosplay
Juliana Lundgren segue falando em tom de revolta sobre o estado de saúde da tia. “Ela (Suzuki) se aproveitou da fragilidade de uma pessoa que não pode se defender”. A propósito, antes do AVC, Anita já enfrentava problemas com a obesidade, diabetes e hipertensão.
Foram muitas as ‘tiradas’ bem humoradas das duas irmãs. À vontade que estavam, com um tom de seriedade que prevalecia, mas sem abrir mão do frescor necessário a uma narrativa pesada. Juliana, por exemplo, compara Suzuki a um cosplay de um nome conhecido da televisão em Porto Rico.
“Ela parece um cosplay de Walter Mercado, sabe quem é?”, indaga, para depois imitar o bordão conhecido do apresentador: “Ligue djá”.
Arthur Miceli, o filho de Suzuki, é outra figura central da série da Globoplay. De acordo com as irmãs, teve seu nome de batismo escolhido para puxar o saco da tia. Arthur Herman Lundgren, era avô de Anita Harley. Ainda sobre ele, elas concluem que houve um desespero com o AVC de Anita e a possibilidade de perder tudo, motivo do processo para reconhecimento da união estável e do filho socioafetivo.
“Mas ela não esperava a repercussão que teria toda a história”, salienta Andréa Lundgren, complementando ser Anita Harley “uma pessoa muito generosa, que jamais deixaria mãe e filho desamparados”. “Ela quer a empresa inteira”, completa Juliana.
Risos e lágrimas
“Ah, eu queria que tia Anita acordasse. Ela ia acabar com essa esculhambação todinha”. O desejo de Juliana Lundgren, corroborado pela irmã, vai de encontro a veredictos médicos que não alimentam a possibilidade de um retorno “à vida” de Anita Harley. Um fato que poderia gerar um novo enredo para uma possível segunda parte da série documental.
E no contraponto da alegria que as tornaram divas, Andréa e Juliana relembraram a mãe. “Tenho certeza de que ela ia querer falar no documentário. Nossa mãe lutou até o último dia da vida dela (pausa). Quando tia Anita teve o AVC, ela caiu em uma depressão sem volta (…) ninguém vai tirar essa dor da gente”, finalizam.

