A relação entre território, ancestralidade e natureza está no centro de “Kamytá”, exposição que reúne trabalhos inéditos de Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó na Christal Galeria, no Pina.
A mostra abre na próxima quinta (13), às 18h, com entrada gratuita, e terá visita mediada por Ziel às 19h. A curadoria é assinada pelo artista Denilson Baniwa.
O conjunto apresentado ao público é resultado de uma residência artística desenvolvida na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, entre Pernambuco e Alagoas.
A passagem pelo território, marcado pela presença simultânea de ecossistemas naturais e comunidades tradicionais, serviu de ponto de partida para uma produção que articula experiências de campo, espiritualidade indígena, lembranças ancestrais e os impactos da crise climática.
Pinturas de caráter ritual, fotoperformances e outras linguagens compõem a exposição, que investiga maneiras de transformar vivências e vínculos com o território em produção artística.
Entre as referências presentes nos trabalhos estão Kaapora, Peixe Pajé e Mãe D’Água, entidades relacionadas à proteção e às dimensões espirituais da natureza. A partir delas, os artistas colocam em questão a separação entre humanidade e ambiente e apresentam perspectivas que reconhecem o território como espaço de vida e agência.
Com trajetória em diferentes campos da criação, Olinda Tupinambá atua como multiartista, produtora cultural, performer e realizadora audiovisual.
Sua pesquisa tem o corpo como elemento central para discutir temas ambientais e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza. Em 2024, integrou a 60ª Bienal de Veneza com “Equilíbrio” e foi indicada ao Prêmio PIPA. No ano seguinte, recebeu o prêmio da The Gallery, em Londres, por “Marulho”, trabalho escolhido para representar o Brasil na COP 30.
Ziel Karapotó pertence aos povos Karapotó Terra Nova e Karaxuwanassu e é formado em Artes Visuais pela UFPE. Sua produção percorre pintura, performance, instalação e audiovisual, tendo como campos recorrentes de investigação o território, a espiritualidade, a memória e as identidades indígenas.
Em 2024, participou da Bienal de Veneza com “Cardume II” e também foi indicado ao Prêmio PIPA. Em 2025, apresentou “SERIGY”, sua primeira individual internacional, em Nantes, na França.
Já em 2026, tornou-se o primeiro artista indígena a ocupar com uma exposição individual o Instituto Ricardo Brennand.
Para Christiana Asfora, galerista da Christal, a proposta da exposição está relacionada à possibilidade de ampliar as maneiras de compreender o mundo. “Mais do que uma exposição, “KAMYTÁ” propõe um encontro com diferentes formas de perceber e habitar o mundo, a partir da escuta do território e das relações entre terra, água, memória e ancestralidade”, afirma.
SERVIÇO
Exposição “Kamytá” + Visita guiada
Quando: Quinta (13), às 18h / visita guiada: às 19h
Onde: Christal Galeria – Rua Estudante Jeremias Bastos, 266, Pina – Recife-PE
Entrada gratuita
Instagram:@christalgaleria
