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Julia Roberts e Mel Gibson: o thriller paranoico que chegou à HBO Max

Julia Roberts e Mel Gibson: o thriller paranoico que chegou à HBO Max

“Teoria da Conspiração”, de Richard Donner, começa no táxi: Jerry Fletcher transforma corridas em monólogos e, fora do volante, repete o impulso na newsletter. A insistência em procurar Alice Sutton empurra o taxista para o Departamento de Justiça, onde a presença dele já pesa como alarme. Entre rua, papel impresso e prédio oficial, o personagem deixa rastro demais para continuar fingindo que está só falando com desconhecidos.

A seringa com LSD dá forma material ao cerco. Jerry é atraído para uma armadilha, recebe a droga e encara a pergunta direta sobre “com quem ele falou”; de uma hora para outra, o corpo dele vira o centro da cena. Ele reaparece ferido no saguão do Departamento de Justiça e não encontra margem para conversa: ao tomar a arma de um segurança, troca qualquer negociação por uma ocorrência oficial. A decisão impulsiva já vem com resposta armada, e a cidade devolve prisão e custódia no mesmo movimento.

O prontuário no hospital cola Jerry a Alice por uma tarefa concreta. Algemado e sedado, ele pede que ela troque o documento com o de outro paciente, alegando que pode morrer “até de manhã” se nada mudar; o pedido exige gesto e assinatura, não consolo. Alice mexe no papel e entra num circuito em que agências tentam identificar um corpo, enquanto Dr. Jonas, ligado à CIA, aparece na linha de comando da busca. A saída vem no ato: Jerry simula um ataque cardíaco e foge com ela, puxando a advogada para fora do protocolo e para dentro da rua.

Apartamento em chamas e alçapão

O apartamento de Jerry vira retorno curto e vira cerco ainda mais rápido. Ele volta ao lugar para descobrir qual trecho da newsletter acionou a caçada, mas uma equipe SWAT aparece para forçar a entrada antes que o plano avance. Jerry incendeia o espaço e escapa por um alçapão; a tentativa de organizar a própria pista vira corrida para não ser capturado. O comentário de Roger Ebert encaixa aqui: o personagem rende mais quando está falando e desconfiando, e menos quando o empurram para uma sequência que resolve tudo na base de invasão.

O uniforme de bombeiro abre passagem, e o cinema vira abrigo por alguns minutos. Jerry atravessa uma barreira de emergência disfarçado e depois inventa uma ameaça de bomba para sumir no meio do público, sempre com a polícia e a vigilância rondando o próximo quarteirão. Cada saída depende de improviso e dura pouco: porta giratória, corredor, rua, e outra checagem de quem está seguindo. Nesses deslocamentos, Julia Roberts aparece com firmeza de ação: Alice precisa escolher, em espaço aberto, até onde vai junto de alguém caçado por agências e por um médico ligado à CIA.

Lista de assinantes vira prova

A lista de assinantes muda o que Alice pode afirmar com o telefone na mão. Ela liga para os nomes e descobre que quase todos morreram, enquanto um superior no Departamento de Justiça cobra cooperação com Jonas para localizar Jerry. Seguir ligando exige bancar dois riscos: o da hierarquia no trabalho e o de confirmar que a newsletter não é só delírio. A partir daí, o papel impresso deixa de ser excentricidade do taxista e passa a ser pista checada na prática, nome por nome, com morte como resposta.

A van de vigilância, o metrô e a Queensboro Bridge entram como peças de deslocamentos curtos, sempre na beira do alcance dos agentes. Jerry sabota a van, puxa Alice para dentro do metrô, some num trem e, na ponte, provoca engarrafamento e troca de carro para abrir mais um corredor. Cada manobra responde a um obstáculo concreto — veículo de monitoramento, agentes na rua, perseguição por carros — e compra apenas instantes antes do próximo cerco. Seguir adiante piora a exposição de Alice no Departamento de Justiça, mas recuar significa largar uma trilha de mortes já verificada na lista de assinantes.

Filme:
Teoria da Conspiração

Diretor:

Richard Donner

Ano:
1997

Gênero:
Ação/Crime/Drama/Mistério/Suspense

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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