João Januário Maciel, mais conhecido no cenário musical como Joquinha Gonzaga, está na disputa para se tornar um Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco. Esta é a quinta vez consecutiva que o sanfoneiro e cantor, que reside no município de Exu, no Sertão do Araripe, concorre ao título.
Neto de Januário e sobrinho do “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, com quem conviveu de perto, tocou e viajou pelo Brasil e pelo exterior nas décadas de 1970 e 1980, joquinha busca consolidar a premiação como o grande marco de suas cinco décadas de dedicação à música e à preservação do forró tradicional.
“Quando ele me deu a minha primeira sanfona, a de oito baixos, eu tinha 13 anos, foi na década de 60. Ele sempre me incentivou e hoje eu sou artista graças a ele. Se não fosse ele eu não teria ido para o lado da
da música”, lembra Joquinha.
Com 51 anos de atuação na área artístico-cultural, Joquinha Gonzaga é o único forrozeiro em atividade remanescente da segunda geração da família. Além de cantar e tocar acordeon, Joquinha domina a zabumba, o triângulo e a tradicional sanfona de oito baixos — instrumento que foi o símbolo de sua família, iniciado por seu avô.
“Meu avô consertava essa sanfona (a de oito baixos) e era o maior sanfoneiro do Sertão. Foi daí que ele passou para família, para os filhos. É uma sanfona que você toca para dentro é um som e para fora é outro. Então, você tem que ter muita habilidade para o mecanismo”, explica o músico.
Reconhecimento
Nascido no Rio de Janeiro em 1º de abril de 1952, Joquinha é filho de Raimunda Januário (Dona Muniz, segunda irmã de Luiz Gonzaga) e João Francisco Maciel. Atualmente com 74 anos, o artista vive no município de Exu desde 1990, onde preserva ativamente a memória do tio e a identidade cultural do Sertão pernambucano. “Hoje eu me considero nordestino. Sou defensor da cultura nordestina”, diz.
Registrado no Mapa Cultural de Pernambuco como “Mestre”, ele aponta o trabalho artístico como sua principal fonte de renda. A candidatura foi registrada para a edição de 2026 do 21º Concurso Público de Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco (RPV-PE).
O resultado final com a homologação dos novos mestres, mestras e grupos eleitos será publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) até o dia 14 de agosto.
Para Joquinha, a conquista do título seria a coroação de uma vida inteira de resistência cultural. “Seria o meu prêmio de 50 anos de carreira”, declarou o músico, que segue firme na missão de não deixar o autêntico forró e o legado da família Gonzaga desaparecerem.
“Em 1987 ele me convidou para gravar um dueto, ele já estava doente. Foi a partir dali que ele começou a me apresentar como herdeiro cultural da família. Não para ser o Rei do Baião, mas para seguir a tradição da família, de Januário, já que eu era o único que tocava a sanfona e até hoje sou. Eu abracei essa missão e Deus o levou”, conclui.

