Brasileiros entre 18 e 30 anos terão uma nova possibilidade para passar uma temporada prolongada no Japão a partir de dezembro de 2026. Um acordo firmado entre os governos dos dois países criou o programa Working Holiday, conhecido no Brasil como visto de férias-trabalho, que permitirá aos participantes permanecer no território japonês por até um ano e exercer atividade remunerada durante a estadia para complementar o orçamento da viagem.
O acordo foi formalizado por troca de notas entre Brasil e Japão em 24 de julho e estabelece que o programa começará a valer em 1º de dezembro de 2026. A proposta é facilitar uma experiência mais longa no país, especialmente entre jovens, combinando turismo, contato com a cultura japonesa e a possibilidade de trabalhar temporariamente para ajudar a financiar a permanência.
A autorização, porém, não equivale a um visto tradicional de trabalho. O objetivo principal da viagem deve continuar sendo as férias. O emprego é permitido como uma atividade complementar, voltada a reforçar os recursos disponíveis para a viagem.
Como funciona o Working Holiday no Japão
O novo visto permitirá que o brasileiro permaneça no Japão por até 12 meses a partir da entrada no país. Durante esse período, será possível exercer atividade remunerada, desde que ela esteja de acordo com as regras japonesas e permaneça como atividade acessória às férias.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão define o Working Holiday justamente como um programa voltado a jovens que entram no país principalmente para passar férias, mas podem trabalhar para complementar os recursos necessários para a viagem. A iniciativa também tem como objetivo ampliar o contato dos participantes com a cultura e o modo de vida do país anfitrião.
O visto será concedido gratuitamente e terá validade de três meses a partir da data de emissão para que o participante faça a entrada no Japão. Depois do ingresso no país, a autorização de permanência poderá chegar a um ano. O período não poderá ser prorrogado e o participante não poderá alterar o status migratório durante a estadia.
Outro ponto importante é que o programa terá quantidade limitada. O governo japonês definirá anualmente o número de vistos disponíveis para brasileiros e poderá alterar esse limite conforme as regras estabelecidas no acordo bilateral.
Quem poderá solicitar o visto
A faixa etária é um dos principais critérios. O candidato precisa ter entre 18 e 30 anos completos no momento da solicitação e ser residente no Brasil quando fizer o pedido.
Também será necessário apresentar passaporte válido, além de passagem de retorno ao Brasil ou comprovação de recursos suficientes para adquiri-la. O candidato deverá ainda contar com seguro de saúde compatível com o período da viagem e atender às exigências relacionadas a antecedentes criminais.
O acordo determina ainda que o participante não poderá levar dependentes, a menos que essas pessoas tenham direito próprio de entrada no Japão. Também não será possível participar novamente do programa depois de já ter obtido esse visto anteriormente.
Um detalhe pode facilitar a vida de quem pretende participar: o conhecimento da língua japonesa não será uma exigência para conseguir o visto. O acordo estabelece que a falta de domínio do idioma não poderá ser usada, sozinha, como motivo para negar a solicitação.
Trabalho não é o objetivo principal da viagem
Apesar de permitir atividade remunerada, o Working Holiday não deve ser confundido com uma autorização convencional para morar e trabalhar no Japão.
A própria regra estabelece que a viagem precisa ter como finalidade principal as férias. O trabalho entra como uma forma de complementar os recursos financeiros utilizados durante a permanência. Por isso, o participante deverá respeitar as leis japonesas e não poderá exercer atividades incompatíveis com a proposta do programa.
A diferença é importante porque o novo visto cria uma alternativa para quem pretende conhecer o país durante um período muito maior do que uma viagem turística tradicional, mas sem transformar automaticamente a autorização em uma permissão permanente de trabalho.
Durante a estadia, os participantes também poderão, de acordo com as regras japonesas, frequentar cursos de idioma ou outras formações relacionadas ao aprendizado da cultura e do estilo de vida do Japão.
Programa começa em dezembro de 2026
As primeiras solicitações deverão ser feitas por meio da Embaixada, dos Consulados ou dos Escritórios Consulares do Japão no Brasil, seguindo os procedimentos específicos que serão estabelecidos para o programa. O acordo também prevê a possibilidade de entrevista para verificar se o candidato atende aos critérios.
A implementação será recíproca. Isso significa que jovens japoneses também poderão utilizar o programa para passar até um ano no Brasil, com possibilidade de exercer atividade remunerada como complemento dos recursos destinados à viagem.
A criação do Working Holiday amplia as opções para brasileiros que desejam conhecer o Japão por uma temporada mais longa. Em vez de concentrar a experiência em algumas semanas de férias, o participante poderá passar meses no país, circular por diferentes regiões, estudar, conhecer a cultura local e trabalhar dentro das condições previstas pelo acordo.
O novo programa chega em um momento de aproximação entre os dois países também na área de viagens. Em julho, Brasil e Japão renovaram o acordo que mantém a isenção de visto para cidadãos japoneses que entram no Brasil para estadias de até 90 dias. A medida foi prorrogada até 29 de setembro de 2029.
Para os brasileiros interessados no Working Holiday, a principal atenção agora será acompanhar a abertura oficial das inscrições, o número de vagas definido para o primeiro ano e os procedimentos consulares. O acordo já estabelece a data de início, os critérios básicos e o período máximo de permanência, mas a solicitação dependerá das orientações que serão divulgadas pelas representações japonesas no Brasil.
A partir de 1º de dezembro de 2026, portanto, brasileiros de 18 a 30 anos passam a ter uma nova porta de entrada para uma experiência prolongada no Japão, com até um ano de permanência e a possibilidade de trabalhar para ajudar a custear a própria viagem.
