Órgão destaca importância de análises laboratoriais para garantir qualidade do produto e prevenir problemas de saúde
O Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS) alertou sobre os riscos do consumo de mel contaminado ou adulterado, que pode provocar diferentes problemas no organismo e causar complicações à saúde.
O órgão, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, reforça a importância da análise laboratorial antes da comercialização e do consumo do produto.
Segundo o instituto, o mel puro é produzido naturalmente pelas abelhas e passa apenas por processos simples de extração, filtragem e envase. Quando adulterado ou contaminado, porém, o alimento pode perder qualidade e oferecer riscos ao consumidor.
🍯 Contaminação pode causar problemas respiratórios e alergias
De acordo com o ITPS, os principais agentes contaminantes encontrados no mel incluem a bactéria Clostridium botulinum, resíduos de agrotóxicos, metais pesados, bolores e leveduras.
A coordenadora do Laboratório de Bromatologia do instituto, Karina Magna Leão, explica que a contaminação pode desencadear reações alérgicas e irritações respiratórias, principalmente em pessoas mais sensíveis.
“As análises são essenciais para prevenir riscos à saúde e são fundamentais para evitar problemas decorrentes do consumo de mel de origem duvidosa”, destacou.
O ITPS também alerta que a presença de fungos pode comprometer a qualidade do alimento e provocar reações adversas no organismo.
👶 Mel não deve ser consumido por bebês menores de 1 ano
A gerente de atividades técnicas do ITPS, Ana Virginia Figueiredo, reforçou que bebês menores de um ano não devem consumir mel de abelha devido ao risco de botulismo infantil.
Segundo ela, o alimento pode conter esporos da bactéria Clostridium botulinum, responsável pela doença.
“Em adultos e crianças maiores, o sistema digestivo já é maduro o suficiente para impedir o desenvolvimento desta bactéria. Já nos bebês, o intestino ainda é imaturo, permitindo que esses esporos multipliquem-se e produzam uma toxina perigosa”, alertou.
O botulismo infantil é considerado uma doença rara, mas pode provocar complicações graves.
🔬 ITPS realiza análises para identificar adulterações
Além da contaminação, o instituto chama atenção para adulterações no produto, como a adição de açúcar ou amido, prática considerada irregular e que reduz os benefícios nutricionais do mel.
Segundo Karina Magna Leão, identificar se o mel é puro não é uma tarefa simples apenas pela aparência do alimento.
“As características como cor e densidade variam bastante, o que dificulta a diferenciação a olho nu entre um produto genuíno e um adulterado. Por isso a importância das análises em laboratórios especializados”, explicou.
No Laboratório de Bromatologia do ITPS são realizados testes para avaliar:
- composição química;
- presença de impurezas;
- teor de açúcares;
- acidez;
- umidade;
- atividade diastásica;
- hidroximetilfurfural;
- matérias estranhas;
- sacarose;
- aroma e sabor.
Os parâmetros seguem padrões definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Parceria que fortalece o setor
O apicultor e meliponicultor Ricardo Thairon dos Santos, presidente da Associação de Meliponicultores e Apicultores de Sergipe (Asmase), destaca a importância da parceria com o instituto e com o Governo de Sergipe para o fortalecimento da atividade no estado.
“No ITPS, essa relação fez com que não só eu, mas outros colegas da associação, buscássemos mais profissionalização, evitando inclusive problemas sanitários aqui em Sergipe”, relata.
Ricardo também destaca a confiança nas análises realizadas pelo instituto.
“Não tenho dúvidas sobre a qualidade dos serviços prestados. O corpo técnico do ITPS nos garante resultados confiáveis, o que reflete diretamente na qualidade do produto que oferecemos. O atendimento foi rápido e recomendo tanto para a população quanto para outros produtores”, considera.
Crescimento da produção em Sergipe
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção de mel em Sergipe vem em ritmo de crescimento.
Em 2024, o valor da produção atingiu R$ 4,1 milhões, um aumento de 144% em relação aos quatro anos anteriores. No período, foram produzidas 192 toneladas, com destaque para municípios como Carira, Frei Paulo, Indiaroba, Japaratuba, Lagarto, Poço Verde, São Cristóvão e Tobias Barreto.
Somente a Asmase registrou uma produção superior a 39 mil toneladas, em 2025, evidenciando a expansão da apicultura e da meliponicultura no estado.
Serviços
Os serviços do ITPS podem ser solicitados presencialmente no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), na rua Vila Cristina, bairro 13 de Julho, em Aracaju; pelos telefones (79) 3198-8811 e (79) 99191-3042; ou pelo e-mail [email protected].
Com informações da ASN / Foto: Gabriel Ribeiro
