No mês em que completa cinco anos, a Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro disponibilizou uma seleção de 17 filmes da 30ª edição do Cine-PE – Festival Audiovisual, a partir desta segunda (8). São documentários, dramas, animações e obras que abordam temas como memória, identidade, religiosidade, pertencimento, relações familiares e transformações sociais.
Realizados em diferentes regiões do país, os filmes percorrem as paisagens brasileiras e apresentam múltiplas formas de representar a realidade. Além da diversidade regional, a coleção evidencia temas centrais da sociedade contemporânea, a partir de experiências individuais e coletivas que atravessam o Brasil.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Os filmes
Em “A física dos invisíveis” (Pernambuco, 2025), de Camilo Soares, o legado do cientista pernambucano José Leite Lopes é revisitado a partir da poética e do caos de Recife. Exilado durante a ditadura militar, o professor investiga a invisibilidade das partículas físicas enquanto sua trajetória suscita reflexões sobre populações subjugadas pelos sistemas cultural e econômico mundiais.
Dirigido por Tom Nogueira, “Magritte” (Pernambuco, 2025) se passa em uma realidade surrealista onde todos escondem suas peles. Nesse contexto, um homem enfaixado e preso à rotina se vê fascinado por uma mulher após observá-la morder uma maçã verde.
No curta-metragem “Medo monstro” (Pernambuco, 2025), de Andrew Gledson e Eduardo Padrão, uma menina enfrenta a presença de um monstro que ameaça dominar tudo ao seu redor. A narrativa utiliza elementos fantásticos para abordar questões relacionadas à empatia, resistência e aos medos que atravessam a sociedade.
O documentário “Os ursos e nós” (Pernambuco, 2025), de Maria Acselrad, acompanha uma das mais tradicionais manifestações carnavalescas da Região Metropolitana do Recife. Entre cores, ritmos e movimentos, o filme observa a presença dos Ursos no imaginário popular pernambucano e sua relação com as comunidades que mantêm viva essa tradição.
Em “Salam” (Pernambuco, 2025), de Bruna Tavares, uma jovem vive sua experiência de encontro com a fé no sertão de Pernambuco. O curta acompanha essa jornada espiritual em meio à paisagem do interior do estado.
Dirigido por Pedro Fillipe, “Velha roupa colorida” (Pernambuco, 2025) apresenta o encontro entre Gabriel, que está descobrindo sua identidade no universo drag, e Beto. Quando suas trajetórias se cruzam, cria-se uma amizade em meio ao conflito geracional.
Na ficção “A ascensão da cigarra” (Rondônia, 2025), de Ana Clara Ribeiro, uma jovem que trabalha escrevendo para funerárias tenta alinhar corpo e memórias, quando a noite é tomada pelo som das cigarras no meio da Amazônia.
“João de Barro” (Minas Gerais, 2025), de Daniel Jaber e Lu Damasceno, acompanha Tereza, que, após sofrer um aborto, reúne forças para reagir às violências do marido, obcecado pela construção de um casebre de barro nas profundezas do cerrado mineiro.
A animação “TV entreaberta” (Minas Gerais, 2025), de Mateus Compart, apresenta a história de uma mulher abduzida para dentro de sua televisão. Nesse novo plano, ela passa por programas infantis, talk shows, propagandas e seriados enquanto é atormentada por uma figura que parece controlar a realidade.
Em “Via sacra” (Pernambuco, 2024), de João Campos, Gleide tenta se concentrar em seu trabalho até receber um telefonema inesperado, que a coloca em uma via sacra pela vida.
No longa-documentário “Arrenêgo” (Pernambuco, 2025), de Fernando Weller, Naywá retorna à sua cidade natal, Oeiras, no interior do Piauí, e propõe a um grupo de atores amadores a encenação de um Sabá de Bruxas baseado em um documento de 1758. A partir dessa experiência, o filme estabelece conexões entre opressões coloniais, raça e gênero, articulando passado e presente.
Dirigido por Claudia Castro, “Teia” (Rio de Janeiro, 2025) acompanha Olivia, que enfrenta a depressão após a morte da irmã gêmea. Convidada para participar de um retiro organizado por um grupo de empoderamento feminino, ela encontra acolhimento inicial, mas logo percebe a atmosfera opressora do ambiente.
No documentário “Carnaval de corpo e alma” (Pernambuco, 2025), de PC Pereira, o diretor reflete sobre a relação dos pernambucanos com o carnaval. Utilizando imagens históricas, arquivos familiares e registros musicais, o filme observa como a festa se tornou parte fundamental da cultura local.
Em “Festa Infinita” (Pernambuco, 2024), de Ander Beça, um grupo experimenta formas de abrir brechas no tempo e no espaço. No entanto, esses momentos são passageiros, e eles precisam retornar à realidade cotidiana, marcada por trabalho, responsabilidades domésticas e contas a pagar.
Já em “Presente de aniversári”o (Pernambuco, 2025), de Uílma Queiroz, a diretora registra o processo de reconstrução das memórias do repentista e cantador de viola Anízio Queiroz, que enfrenta a perda gradual da memória. Juntos, pai, filha e familiares revisitam lembranças e poesias.
“Espelho da memória” (São Paulo, 2025), de Filipe Travanca e Roberto Simão, utiliza arquivos da infância, gravações atuais e referências audiovisuais para refletir sobre memória, arte e afeto a partir da relação entre Guinho e sua avó, Cida.
Dirigido por Karen Black e Lucas Van de Beuque, “José Bezerra, artista” (Rio de Janeiro, 2026) acompanha o escultor José Bezerra, pioneiro da arte em madeira no Vale do Catimbau. Entre fatos e fabulações, o filme propõe um encontro com a trajetória e a imaginação do artista.
O documentário “Da aldeia à universidade”, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO, 2025) traz temática indígena. Com 16 minutos de duração, ele acompanha Srowasde Xerente e Krtadi Xerente quando saem de sua aldeia em busca de formação universitária e registra os conflitos culturais que encontram.
“Roteiro para uma fuga” é um drama de Priscila Nascimento (PE, 2025), que trata de questões de identidade e filosóficas sobre a existência. Nele, uma mulher se sente como se seguisse um roteiro de filme. Entre dramas que vêm de longe e cenas do cotidiano, ela busca realizar o enredo de sua própria história e vida.
Encerrando a seleção, “O pintor” (Rio Grande do Sul, 2025), de Victor Castilhos, acompanha um pintor de casas que sonha em ser reconhecido como artista. Diante da constante rejeição de suas obras, ele precisa decidir se irá vandalizar um quadro em uma casa de artes para finalmente expor seu trabalho.
FICHA E SINOPSES DOS FILMES
“A física dos invisíveis”
de Camilo Soares (documentário, 18 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Violência, medo
Sinopse: O legado de um dos maiores cientistas de sua época é sentido na poética e caos de Recife, sua cidade natal. Exilado pela ditadura militar, o professor José Leite Lopes escrutinou a invisibilidade não só das partículas que desvendava, mas também das populações subjugadas pelo sistema cultural e econômico mundial.
“Magritte”
de Tom Nogueira (experimental, 15 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Violência fantasiosa, drogas lícitas
Sinopse: Em uma realidade surrealista onde todos escondem suas peles, um homem enfaixado, preso dentro de sua rotina, fica fascinado por uma mulher ao ver seus lábios morderem uma maçã verde.
“Medo monstro”
de Andrew Gledson e Eduardo Padrão (drama, 10 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Violência, medo, estigma e preconceito
Sinopse: Curta-metragem poético e impactante que explora o mundo imaginativo de uma menina, onde um monstro ameaça dominar tudo. Com uma narrativa mágica e visualmente deslumbrante, o filme reflete sobre empatia, resistência e consciência social, mostrando como enfrentamos os medos reais e imaginários que assombram nossa sociedade. Uma fábula universal sobre desafios coletivos e esperança.
“Os ursos e nós”
de Maria Acselrad (documentário, 17 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Drogas lícitas, violência
Sinopse: Animal absolutamente atípico no Brasil, os Ursos ocupam um lugar no imaginário popular pernambucano, sobretudo nas periferias onde mobilizam diversas comunidades em torno de uma singular tradição carnavalesca. Ali, onde encantam e assustam, de forma irreverente os Ursos desfilam presos por coleiras e focinheiras, sob a escolta de caçadores italianos, mas também de forma livre, anárquica e vibrante.
Uma das expressões mais comunitárias do carnaval, os Ursos nos arrastam para o êxtase através de suas cores, ritmos e movimentos. Uma ode à alegria e à liberdade que faz tremer as relações de poder e domesticação. O filme é um ensaio etnográfico e sensorial sobre essa tradição tão representativa da Região Metropolitana do Recife.
“Salam”
de Bruna Tavares (documentário, 10 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Uma jovem tem seu encontro de fé no sertão de Pernambuco.
“Velha roupa colorida”
de Pedro Fillipe (drama, 18 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Gabriel está descobrindo sua identidade no universo drag. Beto vive preso a um passado que não volta. Quando seus caminhos se cruzam, o conflito geracional dá lugar a uma amizade inesperada.
“A ascensão da cigarra”
de Ana Clara Ribeiro (drama, 18 min, Rondônia, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Nudez, Drogas
Sinopse: Quando a noite acende as cigarras, no meio da Amazônia, uma jovem que vive de escrever para funerárias tenta alinhar o corpo e suas memórias.
“João de Barro”
de Daniel Jaber e Lu Damasceno (drama, 18 min, Minas Gerais, 2025)
Classificação indicativa: A14 — Violência doméstica, temas sensíveis, medo
Sinopse: Abalada após sofrer um aborto, Tereza cria forças para reagir às violências do marido, que está obcecado em construir seu casebre de barro em meio as profundezas do cerrado mineiro.
“TV entreaberta”
de Mateus Compart (animação, 8 min, Minas Gerais, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Medo, temas sensíveis
Sinopse: Uma mulher é abduzida para dentro de sua tv. Nesse plano, ela é atormentada por uma espécie de apresentador americano que parece controlar tanto a realidade, quanto sua nova “convidada”. Passando por vários gêneros, como talk shows, programas infantis, propagandas e seriados, a personagem vai gradativamente sendo assimilada a esse sistema televisivo.
“Via sacra”
de João Campos (drama, 20 min, Pernambuco, 2024)
Classificação indicativa: A12 — Linguagem imprópria, medo
Sinopse: Gleide tenta se concentrar em seu trabalho. Um telefonema inesperado vai colocá-la em uma via sacra pela vida.
“Arrenêgo”
de Fernando Weller (documentário, 75 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Temas sensíveis, linguagem imprópria, nudez, atos criminosos
Sinopse: Naywá retorna a sua cidade natal, Oeiras, no interior do Piauí, e propõe a um grupo de atores amadores a encenação de um Sabá de Bruxas na cidade, baseado num documento de 1758. Opressões coloniais, raça e gênero conectam passado com presente.
“Teia”
de Claudia Castro (drama, 15 min, Rio de Janeiro, 2025)
Classificação indicativa: em definição
Sinopse: Olívia está deprimida desde a morte da sua irmã gêmea, Patrícia. Buscando ajudá-la, sua amiga Nath a convida para um retiro de fim de semana com seu grupo de emponderamento feminino, conhecido como Teia. O cenário idílico e o acolhimento da líder Maya e das integrantes Beatriz e Talita encantam Olívia, que se sente amparada pela leveza e pela união do grupo. Conforme o fim de semana avança, a atmosfera carinhosa se torna cada vez mais opressora. Olívia percebe que, ali, afeto e controle caminham juntos e que, para entrar na Teia, é preciso pagar um preço.
“Carnaval de corpo e alma”
de PC Pereira (documentário, 10 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A10 – Linguagem imprópria, drogas lícitas
Sinopse: Carnaval de corpo e alma é uma reflexão intrapessoal sobre a relação do brasileiro, mais especificamente do pernambucano, com o carnaval e como ele se tornou parte intrínseca da nossa cultura e do nosso povo. O diretor busca uma análise dividida em duas partes: O corpo do carnaval, onde ele busca, em imagens históricas e arquivos familiares, como a relação do carnaval se dá desde a nossa infância até nos tornarmos adultos, e quem influencia o folião a gostar dessa prática cultural. Em seguida a alma do carnaval, o espírito que conduz os ritmos e a regência do frevo, aqui o diretor faz uma reflexão sobre como questões além da nossa compreensão guiam os músicos que criam as melodias de frevo dentro de um estúdio.
“Festa Infinita”
de Ander Beça (drama, 25 min, Pernambuco, 2024)
Classificação indicativa: A16 — Drogas ilícitas, linguagem imprópria, medo
Sinopse: Um coletivo experimenta formas de abrir brechas no tempo e no espaço para adentrar a infinitude dos possíveis. Mas o instante é breve e logo esses momentos acabam. É preciso voltar à realidade a qual estão presos. Contas para pagar, uma casa para cuidar, um trabalho para se manter.
“Presente de aniversário”
de Uílma Queiroz (documentário, 18 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: O cantador de viola e repentista Anízio Queiroz está perdendo a memória. Como um presente de aniversário, sua filha, então diretora de cinema, remonta, junto com ele e com a família, suas lembranças e sua poesia através deste filme.
“Espelho da memória”
de Filipe Travanca e Roberto Simão (drama, 16 min, São Paulo, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Temas sensíveis
Sinopse: A partir de materiais de arquivo da sua infância, gravações atuais e referências audiovisuais, Guinho reflete sobre o poder da memória, da arte e do afeto ao narrar a história de sua relação com sua avó, Cida, mulher pioneira nas filmagens caseiras da família.
“José Bezerra, artista”
de Karen Black e Lucas Van de Beuque (documentário, 21 min, Rio de Janeiro, 2026)
Classificação indicativa: em definição
Sinopse: José Bezerra, pioneiro na arte em madeira no Vale do Catimbau, em Pernambuco, imagina como seria um filme sobre ele. Entre a matéria bruta e a escultura, o agreste e o sertão, fatos e fabulações – um encontro com a genialidade de um artista brasileiro.
“O pintor”
de Victor Castilhos (drama, 16 min, Rio Grande do Sul, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Violência, temas sensíveis, drogas lícitas
Sinopse: Um pintor de casas que luta para ser um pintor artístico, terá que decidir se irá vandalizar um quadro na casa de artes da cidade para pendurar a sua obra que nunca é exposta.
“Da aldeia à universidade”
de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (documentário, 16 min, Tocantins, 2025)
Classificação indicativa: em definição
Sinopse: As experiências e conflitos culturais dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao saírem da aldeia em busca de formação universitária.
“Roteiro para uma fuga”
de Priscila Nascimento (drama, 14 min, Pernambuco, 2025)
Classificação indicativa: A12 – Estigma e preconceito, temas sensíveis
Sinopse: Nascida em um filme escrito por outros, uma mulher atravessa os roteiros impostos pela vida. Entre dramas herdados e cenas do cotidiano, ensaia a chance de projetar um novo enredo: o da própria história.
SERVIÇO:
Estreia na Itaú Cultural Play
30º Cine-PE – Festival Audiovisual
8 de junho a 8 de julho
www.itauculturalplay.com.br
