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Inteligência Artificial desafia big techs antes de juros e balanços

Inteligência Artificial desafia big techs antes de juros e balanços



Conteúdo XP

O impacto da inteligência artificial sobre as grandes empresas de tecnologia é hoje um dos temas que mais movimentam investidores no exterior.

O receio de que companhias consolidadas percam espaço para a nova tecnologia tem provocado oscilações pouco usuais nos últimos meses. Na Bolsa, o setor vem alternando momentos de forte pessimismo com ondas de otimismo, que recolocaram essas ações como motor de alta dos principais índices dos Estados Unidos.

Essa virada de humor coloca o mercado diante de uma semana decisiva.

Amanhã (29), quatro das maiores empresas americanas de tecnologia divulgam seus resultados no mesmo dia em que o banco central dos Estados Unidos anuncia a decisão sobre os juros do país.

A combinação deve ditar o ritmo das bolsas globais nos dias seguintes e movimentar carteiras também no Brasil.

O tema foi um dos destaques do programa Expert Talks, apresentado por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, e Caio Megale, economista-chefe da casa, que recebeu Gustavo Campanha, gestor de ações globais da WHG, e Fernando Fenolio, economista-chefe da mesma gestora.

Para Campanha, a inquietação se concentra nos softwares usados pelas empresas para administrar suas operações. Esses sistemas funcionam como a espinha dorsal das companhias, reunindo dados, integrando áreas e servindo de base para decisões.

Agora, porém, eles correm o risco de perder espaço para soluções baseadas em inteligência artificial.

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Segundo o gestor, o nervosismo é tamanho que circulam no mercado cenários extremos. Um deles considera a possibilidade de uma ação do porte da Microsoft (MSFT) recuar até 30% caso o setor seja desafiado com mais força pela nova onda tecnológica.

Sistema de gestão das empresas vira o centro do debate

“O software é um negócio que, para as empresas, é um motor que faz funcionar tudo”, observou Campanha, ao explicar por que esse segmento concentra tanta atenção entre investidores globais.

Na leitura do gestor, a discussão sobre quem ganha e quem perde com a inteligência artificial passa, antes de tudo, por esse tipo de produto.

Apesar da volatilidade no exterior, Campanha defendeu que comandar um fundo de ações internacionais a partir do Brasil traz vantagens importantes.

Segundo ele, profissionais brasileiros aprendem desde cedo a conviver com inflação e oscilações de câmbio — justamente temas que as economias desenvolvidas voltaram a enfrentar nos últimos anos.

Outro ponto destacado pelo gestor é a presença de uma equipe ampla de macroeconomia dentro de uma gestora de ações, algo menos comum no exterior.

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Lá fora, diz Campanha, os profissionais tradicionalmente se concentram mais na escolha de empresas, sem o mesmo apoio de análise econômica que se tornou rotina no Brasil.

O gestor relembrou uma frase marcante que ouviu de um economista americano há cerca de três anos.

“Por muito tempo, vocês emergentes quiseram virar os Estados Unidos. E os Estados Unidos está virando uma economia emergente”, citou Campanha.

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Reuniões virtuais reduzem o peso de Nova York

Campanha também afirmou que muitas empresas relevantes para o investidor global hoje estão na Ásia e na Europa, e não mais concentradas apenas nos Estados Unidos.

Segundo ele, a popularização das reuniões virtuais reduziu a necessidade de estar fisicamente em Nova York para acompanhar de perto o mercado.

O analista responsável pelo setor de semicondutores na gestora, por exemplo, passou dez dias recentemente em uma feira em Taiwan, considerada o centro mundial da indústria de chips.

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A circulação por diferentes regiões, segundo Campanha, aproxima o investidor brasileiro das tendências que movem setores estratégicos da economia mundial.

Sobre o mercado chinês, o gestor da WHG ressaltou que o acesso é viável, mas há um obstáculo prático para quem opera do Brasil.

“A China é extremamente líquida, fácil de entrar e sair, só tem que operar de madrugada”, afirmou Campanha, em referência à diferença de fuso horário.

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A próxima semana deve concentrar a atenção dos mercados por reunir, no mesmo dia, os balanços de gigantes de tecnologia e a decisão de juros nos Estados Unidos.

Os dois eventos devem provocar uma nova rodada de oscilações e ajudar a calibrar a leitura dos investidores sobre o impacto da inteligência artificial nas big techs.



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