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A atriz Indira Nascimento vive um momento especial na carreira ao interpretar Maria na nova versão de “Dona Beja”, original HBO Max.
A atriz lembra que o vínculo com a personagem nasceu já no momento do teste. Ao se deparar com as primeiras descrições da personagem, percebeu que havia ali uma intensidade rara e uma complexidade instigante.
Foi nesse instante que surgiu a certeza de que estava diante de uma figura apaixonada, cheia de contradições e pulsão de vida, capaz de provocar nela uma identificação imediata.
“Desde a primeira vez que recebi o teste da Maria, eu me apaixonei. Nas poucas palavras que estavam ali, percebi que era uma personagem apaixonada e com uma vida muito forte”, explica.
Desafio da personagem
Na trama, Maria é uma mulher que busca compreender a si mesma em um contexto marcado por repressões sociais e afetivas. Sua jornada envolve descobertas sobre sexualidade, amor e escolhas que nem sempre são lineares.
Na nova versão, a personagem não é marcada apenas pela rigidez moral extrema, que a leva a ter uma rivalidade com a protagonista Beja, de Grazi Massafera, mas também pela atração sexual e romântica por outras mulheres em pleno Século XIX.
“Maria é uma mulher que está se compreendendo, entendendo sua sexualidade e descobrindo o que é o amor em um contexto repressor. Histórias assim precisam ser contadas”, aponta.
Reflexões
A atriz destaca que viver Maria também lhe trouxe reflexões pessoais sobre a força das emoções e os riscos de se deixar dominar por elas. Ao mergulhar na intensidade da personagem, percebeu como sentimentos podem ser tanto motores quanto armadilhas.
“As emoções em si não são nada além de alertas. O problema está no que fazemos com elas, no ímpeto que surge e pode ser prejudicial não só para quem sente, mas para todos ao redor”, ressalta.
Representatividade
Indira acredita que a presença de personagens como Maria na televisão abre espaço para discussões importantes sobre normas sociais e afetivas.
Para ela, o impacto vai além da ficção, podendo oferecer referências que faltaram em sua própria adolescência. A atriz ressalta que sua trajetória pessoal torna ainda mais significativa a oportunidade de dar vida a uma personagem que questiona padrões e descobre sua sexualidade. “Se aos 12 ou 14 anos eu tivesse visto uma personagem como Maria, minha vida teria sido diferente. Agora, meu desejo é que meninas possam assistir, olhar e cogitar essa possibilidade: será que minha sexualidade é diferente?”, aponta Indira,
SERVIÇO
“Dona Beja” – Capítulos disponíveis no HBO Max.

