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Indicado a 9 Oscars, o filme mais caro da A24 acaba de chegar ao Prime Video

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“Marty Supreme” acompanha a ascensão improvável de um jogador de tênis de mesa na Nova York dos anos 1950, mostrando como Marty Reisman (Timothée Chalamet) transforma talento em sobrevivência, e ambição em risco constante, sob direção de Josh Safdie. Marty não quer trabalhar em empregos comuns, mal pagos e previsíveis. Ele circula por bares, salões improvisados e mesas clandestinas em Manhattan, apostando dinheiro em partidas de pingue-pongue como forma de sustento.

O que começa como um improviso vira rotina. Ele ganha, perde, negocia e insiste. Cada jogo é menos sobre esporte e mais sobre permanecer à tona em uma cidade que não oferece margem para erro. E, nesse início, o filme acerta ao deixar claro que Marty não está perseguindo um sonho romântico, ele está tentando evitar o fracasso.

Talento perceptível

A mudança acontece quando seu desempenho começa a chamar atenção fora desse circuito informal. Marty percebe que precisa entrar no circuito oficial para crescer de verdade. Só que esse novo ambiente tem regras, horários, taxas e, principalmente, pessoas que decidem quem pode ou não avançar. O personagem entra nesse mundo sem abandonar completamente o anterior, e é justamente essa postura que começa a complicar sua trajetória.

Timothée Chalamet faz um Marty inquieto, sempre em movimento, como alguém que está constantemente calculando o próximo passo. Ele não é exatamente carismático no sentido tradicional, e isso funciona bem. Existe algo nele que provoca desconfiança, como se cada vitória viesse acompanhada de uma negociação paralela. É um personagem que nunca está completamente confortável, e essa instabilidade leva o filme.

Amizades

Gwyneth Paltrow aparece como uma figura estratégica nesse processo. Sua personagem atua como ponte entre Marty e o circuito profissional, alguém que entende como o jogo funciona fora da mesa. Ela não faz promessas. Cada ajuda vem com uma exigência, cada porta aberta cobra um retorno. A relação entre os dois é prática, quase comercial, e isso dá ao filme um tom mais realista. Não há salvadores aqui, apenas interesses cruzados.

Odessa A’zion é uma presença mais direta na vida de Marty, alguém que questiona suas escolhas e tenta puxá-lo para uma estrutura mais estável. Mas estabilidade, nesse universo, parece sempre um risco. Formalizar a carreira significa abrir mão de parte da liberdade que o sustenta. E Marty resiste a isso o máximo que pode.

Competições

Dentro das competições, o filme mostra bem a mudança de escala. Nos torneios oficiais, Marty não enfrenta apenas adversários melhores, mas um sistema inteiro que observa, julga e limita. Árbitros interferem, regras são aplicadas com rigor e qualquer comportamento fora do padrão pode custar caro. O que antes era improviso vira problema. Ele precisa se adaptar ou ser excluído.

Marty tenta jogar em dois mundos ao mesmo tempo. De um lado, o circuito oficial, com visibilidade e reconhecimento. Do outro, as partidas clandestinas, que ainda garantem dinheiro rápido. Essa escolha não demora a gerar consequências. Quando sinais dessa duplicidade começam a circular, sua credibilidade entra em jogo.

O filme não transforma isso em um grande escândalo dramático, mas em uma pressão constante. Pequenas decisões passam a ter peso real. Um jogo aceito aqui, uma ausência ali, um comportamento questionado, tudo interfere em sua permanência no circuito. E o que está em jogo não é apenas ganhar ou perder partidas, mas continuar sendo aceito.

Sufoco constante

Josh Safdie conduz a narrativa com ritmo irregular de propósito. Algumas sequências de jogo são rápidas, diretas, quase secas. Já os bastidores se alongam: conversas interrompidas, negociações incompletas, respostas que demoram. Isso cria uma sensação clara de espera e tensão. O espectador entende que, fora da mesa, o jogo é ainda mais difícil.

“Marty Supreme” mantém esse foco no concreto. Não tenta transformar o personagem em símbolo de nada maior. Ele é um homem tentando vencer, e, principalmente, tentando continuar jogando. Isso já é suficiente. Há até um certo humor discreto em como ele contorna situações, improvisa respostas e insiste em decisões claramente arriscadas.

Cada vitória abre uma nova cobrança. Cada avanço exige uma nova concessão. Marty não para porque não pode parar. E o filme entende isso sem precisar explicar demais, basta observar o próximo jogo sendo marcado para saber que a história ainda está em curso.



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