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IATA reduz projeção de lucro da aviação global em 50%

IATA reduz projeção de lucro da aviação global em 50%

Lucro das companhias aéreas deve cair 50%, pressionado pela alta do combustível e pelos conflitos no Oriente Médio

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A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) revisou para baixo suas projeções financeiras para a indústria aérea global em 2026, durante a Assembleia Geral da entidade, neste domingo (7), no Rio de Janeiro.

A IATA estima que as companhias aéreas obtenham lucro líquido combinado de US$ 23 bilhões neste ano, valor equivalente à metade dos US$ 45 bilhões registrados em 2025 e também cerca de 50% inferior à projeção anterior de US$ 41 bilhões.

Segundo a entidade, a deterioração do cenário é resultado principalmente da escalada dos preços do combustível de aviação e das interrupções operacionais provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. Apesar da redução da rentabilidade, a entidade projeta que todas as regiões do mundo permanecerão lucrativas, com exceção do Oriente Médio.

Lucro menor

As projeções indicam que a receita total da indústria aérea deverá alcançar US$ 1,165 trilhão em 2026, crescimento de 9,4% em relação aos US$ 1,065 trilhão registrados em 2025.

Mesmo com o avanço do faturamento, a margem líquida global deverá recuar para 2,0%, ante 4,2% no ano anterior. O lucro operacional também deverá diminuir, passando de US$ 76,4 bilhões para US$ 48 bilhões, enquanto a margem operacional cairá de 7,2% para 4,1%.

O lucro líquido por passageiro transportado deverá atingir apenas US$ 4,50, metade dos US$ 9,10 registrados em 2025. Já o retorno sobre o capital investido (ROIC) deverá recuar de 6,6% para 4,3%.

As interrupções operacionais decorrentes da guerra no Oriente Médio e a escalada nos custos de combustível deterioraram as perspectivas para as companhias aéreas. Globalmente, espera-se que as companhias aéreas vejam sua lucratividade cair pela metade em comparação a 2025”, disse Willie Walsh, diretor-geral da IATA.

Oriente Médio deve registrar prejuízo coletivo
De acordo com a entidade, as transportadoras sediadas no Oriente Médio serão as únicas a registrar resultado líquido negativo em 2026.

A região enfrenta impactos diretos decorrentes do fechamento parcial ou total de espaços aéreos e da redução da demanda em determinados mercados, fatores que aumentaram a complexidade operacional das empresas locais.

As companhias aéreas do Golfo enfrentam incertezas operacionais após o fechamento quase total do espaço aéreo no início dos conflitos. Essas empresas estão fazendo um trabalho extraordinário para manter a conectividade, mas impactos financeiros expressivos são inevitáveis”, declarou Walsh.

Alta histórica do combustível

O principal fator de deterioração financeira apontado pela IATA é o aumento do preço dos combustíveis.

Os gastos globais com combustível deverão saltar de US$ 252 bilhões em 2025 para US$ 350 bilhões em 2026, crescimento próximo de 40%.

A projeção considera um preço médio do petróleo Brent de US$ 95 por barril, ante US$ 69 no ano anterior. O querosene de aviação (QAV) deverá atingir média de US$ 152 por barril, quase 70% acima dos US$ 90 registrados em 2025.

O crack spread — diferença entre o preço do combustível de aviação e o petróleo bruto — deverá alcançar média de US$ 57 por barril, estabelecendo um novo recorde histórico.

Como consequência, a participação do combustível nas despesas operacionais totais deverá aumentar de 25,4% para 31,4%, mesmo com o consumo global permanecendo estável em aproximadamente 104 bilhões de galões.

Compensação de parte da pressão

A IATA projeta que a receita com transporte de passageiros alcance US$ 839 bilhões em 2026, crescimento de 9,2% sobre os US$ 768 bilhões registrados no ano anterior.

Como a expansão das receitas supera o crescimento da demanda, estimado em 2,1%, a entidade conclui que as tarifas aéreas estão aumentando para compensar parte dos custos adicionais de combustível.

O rendimento médio por passageiro (yield) deverá crescer 7% em 2026.

As companhias aéreas estão arcando com o impacto direto desse choque no preço dos combustíveis. Embora as tarifas aéreas estejam subindo, as empresas ainda absorvem parte desse aumento em suas margens”, disse Walsh.

Ocupação recorde e crescimento da demanda

Mesmo diante do cenário de custos elevados, a demanda por transporte aéreo continua em expansão.

A IATA estima que o setor transporte 5,1 bilhões de passageiros em 2026, aumento de 2,4% em relação ao ano anterior.

A taxa média de ocupação deverá atingir 84%, superando o recorde de 83,5% registrado em 2025.

O segmento de carga aérea também deverá crescer. O volume transportado é projetado em 71,7 milhões de toneladas, avanço de 0,2%, enquanto as receitas de carga deverão aumentar 7,2%, alcançando US$ 162 bilhões.

Relevância das receitas acessórias

As receitas acessórias — incluindo serviços complementares e produtos adicionais vendidos aos passageiros — deverão crescer 12,6% e atingir US$ 165 bilhões.

Segundo a IATA, será a primeira vez desde 2019 que esse segmento ultrapassará a receita gerada pelo transporte de carga aérea.

A entidade atribui esse movimento às estratégias adotadas pelas companhias aéreas para ampliar o faturamento por cliente diante da pressão sobre os custos operacionais.

SAF, Corsia e custos ambientais

Os custos relacionados à sustentabilidade continuam crescendo na estrutura financeira do setor.

As despesas com aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) deverão alcançar US$ 4,3 bilhões em 2026, considerando uma oferta global estimada em 2,4 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 0,8% do consumo total de combustível da aviação.

Além disso, os custos associados ao programa Corsia deverão variar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,6 bilhão para compensação de emissões de carbono.

Escassez de aeronaves

Os problemas na cadeia global de suprimentos continuam afetando fabricantes, companhias aéreas e empresas de leasing.

Embora a produção de aeronaves esteja aumentando gradualmente, a IATA afirma que o ritmo permanece insuficiente para eliminar os atrasos acumulados desde a pandemia.

A carteira global de pedidos atingiu 18.100 aeronaves em maio de 2026, acima das 17.000 registradas em 2024, volume equivalente a mais de metade da frota mundial em operação.

A escassez de aeronaves novas tem provocado aumento das taxas de arrendamento, elevação dos custos de manutenção e prolongamento da vida útil de aeronaves mais antigas.

Segundo a entidade, a falta de novas entregas interrompeu os ganhos de eficiência de combustível observados historicamente na aviação comercial durante 2024 e 2025.

Desafios adicionais na América Latina

Na América Latina, a IATA aponta que a desvalorização de moedas regionais, combinada aos elevados custos de financiamento e à menor participação das viagens corporativas na demanda total, deverá resultar em desaceleração mais acentuada do crescimento.

A entidade observa que as companhias aéreas latino-americanas tradicionalmente operam com menor flexibilidade financeira e custos de captação mais elevados, fatores que limitam sua capacidade de absorver choques econômicos e operacionais.

Apesar desse cenário, a expectativa continua sendo de crescimento da demanda na região, ainda que em ritmo inferior ao projetado anteriormente.

Manutenção da intenção de viagem

Levantamento realizado pela IATA em abril com 6.500 viajantes de quinze países mostrou que a intenção de viajar permanece elevada.

Segundo a pesquisa, 41% dos entrevistados afirmaram que pretendem viajar mais nos próximos 12 meses, enquanto 52% planejam manter o mesmo nível de viagens.

O estudo também apontou que 91% consideram o transporte aéreo seguro e 85% acreditam que a aviação é mais segura atualmente do que em períodos anteriores.

Os resultados indicam que, apesar das tensões geopolíticas e da alta dos custos operacionais, a demanda por transporte aéreo continua sustentando a expansão da atividade global.





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