A tradição do caboclinho ganha novos caminhos de expressão nesta sexta-feira (30), em Olinda.
As artistas e brincantes Iara Campos e Íris Campos ocupam o Centro Cultural Coco de Umbigada, no Guadalupe, com duas atividades gratuitas que aproximam o público das raízes, dos saberes e da força dessa manifestação da cultura popular pernambucana.
A programação começa às 14h, com uma oficina dedicada ao brinquedo, e segue às 19h, com a apresentação do espetáculo “Arreia”, concebido sob a direção criativa do mestre Paulinho 7 Flechas, do Caboclinho 7 Flexas.
Com duas décadas de participação no Caboclinho 7 Flexas, as irmãs transformam a vivência no folguedo em matéria artística.
Em “Arreia”, dança, memória e espiritualidade se encontram para revisitar o universo simbólico que atravessa a manifestação, conectando histórias transmitidas entre gerações às lutas contemporâneas dos povos indígenas do Nordeste.
A montagem tem como uma de suas inspirações o relato do mestre Zé Alfaiate, fundador do Caboclinho 7 Flexas do Recife.
Segundo a história compartilhada pelo mestre, a criação da agremiação aconteceu após um sonho em que o Caboclo 7 Flexas, entidade de sua devoção, lhe confiou essa missão.
Reconhecido desde 2021 como Patrimônio Vivo de Pernambuco, o grupo ocupa um lugar importante na preservação dessa tradição.
A dimensão ancestral do espetáculo também dialoga com a resistência dos povos originários e a continuidade de suas práticas culturais.
Vinculado às matrizes indígenas e à espiritualidade da Jurema Sagrada, o caboclinho recebeu, em 2016, o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Para Iara Campos, a criação representa a oportunidade de reafirmar os vínculos construídos ao longo de sua trajetória no folguedo.
“‘Arreia’ é a realização de um sonho, é o nosso desejo de honrar, enquanto integrantes, a história do Caboclinho 7 Flexas do Recife. O espetáculo nos liga às nossas memórias ancestrais”, afirma.
Íris Campos destaca a dimensão afetiva que atravessa o trabalho e sua relação com os mestres e brincantes responsáveis pela continuidade dessa herança cultural.
“É também a expressão do nosso carinho e respeito pelo Mestre Zé Alfaiate, da amizade e confiança em Paulinho 7 Flexas, filho de Mestre Zé, e a irmandade com todos que integram e integraram o Caboclinho”, completa.
Ancestralidade em movimento
A passagem por Olinda faz parte do projeto “Arreia – Circulação Ancestral”, que amplia o alcance da montagem e fortalece os laços entre a arte e os territórios indígenas.
No dia 7 de novembro, as artistas seguem para Escada, na Zona da Mata Sul pernambucana, onde a apresentação será realizada em diálogo com o povo Marikito Tapuya, do qual fazem parte. A comunidade desenvolve um processo de retomada cultural e territorial.
Outra parada prevista é a Aldeia Fulni-ô, em Águas Belas, com data a ser anunciada. A circulação recebe recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura de Pernambuco.
Idealizado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, “Arreia” surgiu inicialmente para apresentações virtuais. Com a adaptação para os palcos, a obra iniciou uma temporada de oito sessões gratuitas no Recife, viabilizada pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), do Governo de Pernambuco.
Desde então, o espetáculo percorreu diferentes espaços dedicados à arte e à cultura popular, passando pelo Teatro Apollo, em Palmares, pela sede do Caboclinho Canidé, em Goiana, e pelo espaço do próprio Caboclinho 7 Flexas do Recife, entre outros locais.
Em cada apresentação, a montagem reafirma o caboclinho como território de memória, pertencimento e continuidade cultural.
SERVIÇO
Oficina de Caboclinho
Quando: Sexta (30), às 14h
Onde: Centro Cultural Coco de Umbigada – Rua João de Lima, nº 42, Guadalupe – Olinda-PE
Gratuita
Apresentação de “Arreia”
Quando: Sexta (30), às 19h
Onde: Centro Cultural Coco de Umbigada – Rua João de Lima, nº 42, Guadalupe – Olinda-PE
Gratuita
