Nordeste Magazine
Cultura

Harrison Ford, Tommy Lee Jones e Julianne Moore em thriller de ação épico na HBO Max

Harrison Ford, Tommy Lee Jones e Julianne Moore em thriller de ação épico na HBO Max

“O Fugitivo” começa com Richard Kimble (Harrison Ford) assistindo à própria vida desmoronar em poucas horas. Cirurgião respeitado em Chicago, ele encontra a esposa Helen Kimble (Sela Ward) morta dentro de casa após uma luta violenta. A polícia chega rápido, coleta versões incompletas da história e transforma o médico no principal suspeito do assassinato. Kimble insiste que um homem com um braço mecânico esteve na residência naquela noite, mas ninguém leva a hipótese adiante. O julgamento termina com condenação e pena de morte.

Durante o transporte para o presídio, um acidente muda completamente o rumo da história. Um ônibus penitenciário perde o controle nos trilhos de um trem e abre espaço para a fuga de alguns detentos. Kimble aproveita o caos para escapar antes da chegada das autoridades. Andrew Davis filma a sequência sem exageros espalhafatosos. Tudo acontece com pressa, fumaça, metal retorcido e pessoas tentando sobreviver. A partir dali, o personagem deixa de existir como médico renomado e passa a viver escondido em hotéis baratos, corredores de hospitais e apartamentos alugados às pressas.

Samuel Gerard (Tommy Lee Jones) assume a caçada logo depois da fuga. Ele lidera uma equipe de agentes federais e trabalha com uma frieza quase burocrática. Gerard não demonstra interesse em discutir inocência ou culpa. Para ele, Kimble é um condenado foragido e isso basta. Tommy Lee Jones não transforma o agente num policial barulhento ou num herói simpático. Gerard fala pouco, observa muito e pressiona qualquer pessoa que possa oferecer uma pista.

Hospitais viram esconderijo

Kimble percebe cedo que fugir não será suficiente. Se quiser sobreviver, precisa descobrir quem matou Helen e por qual motivo. O problema é que ele não possui dinheiro, apoio nem tempo. Qualquer ligação telefônica pode entregar sua posição. Qualquer antigo colega pode acabar cercado por agentes federais minutos depois de um encontro casual.

Os hospitais acabam se tornando refúgio e campo de investigação ao mesmo tempo. Kimble muda aparência, falsifica identificação e circula entre médicos, pacientes e funcionários sem chamar atenção. Em uma das melhores passagens do longa, ele identifica erros no tratamento de uma criança internada e interfere discretamente no caso, mesmo sabendo que Gerard está cada vez mais perto. A cena ajuda a entender quem Richard Kimble realmente é. Mesmo acuado, cansado e vivendo escondido, ele continua agindo como médico antes de qualquer outra coisa.

Andrew Davis constrói a tensão com detalhes pequenos. Elevadores demoram mais do que deveriam. Portas quase se fecham tarde demais. Telefonemas são interrompidos no instante errado. O filme entende que perseguições funcionam melhor quando existe risco concreto de captura a cada esquina. Chicago ajuda bastante nisso. Túneis, metrôs, hospitais públicos e prédios administrativos criam a sensação de que Kimble nunca consegue respirar por muito tempo.

Um caçador tão obstinado quanto o fugitivo

Samuel Gerard poderia facilmente virar um antagonista genérico, mas o roteiro encontra outra saída. Ele é engraçado em alguns momentos, especialmente nas conversas secas com os colegas da equipe, embora continue assustador durante toda a investigação. Gerard invade locais, interroga testemunhas e cerca áreas inteiras sem hesitação. Tommy Lee Jones transforma frases simples em ordens cortantes.

Existe também uma inteligência curiosa na relação entre Gerard e Kimble. Os dois passam boa parte do filme tentando antecipar os passos um do outro. Kimble investiga registros médicos e empresas farmacêuticas enquanto Gerard analisa movimentações financeiras, contatos antigos e possíveis esconderijos. Nenhum deles consegue parar. Quando um avança alguns metros, o outro aparece logo atrás.

Harrison Ford trabalha o desgaste físico do personagem de maneira eficiente. Kimble tropeça, dorme pouco, erra cálculos e improvisa soluções perigosas o tempo inteiro. Isso deixa o suspense mais forte porque o protagonista nunca parece invencível. Em muitos thrillers dos anos 1990, os heróis atravessavam perseguições enormes quase sem esforço. Aqui, cada fuga cobra um preço físico evidente.

A tensão nunca desaparece

“O Fugitivo” também envelheceu bem porque prefere movimento constante em vez de discursos. O filme não perde tempo tentando transformar seus personagens em símbolos grandiosos. Andrew Davis quer acompanhar pessoas correndo contra o relógio, escondendo provas, apagando rastros e tentando permanecer vivas por mais algumas horas.

A direção sabe usar o espaço urbano com inteligência. Uma escadaria lotada vira armadilha. Um corredor hospitalar se transforma em rota de fuga. Uma simples troca de crachás passa a valer mais do que uma arma. Essas escolhas deixam o longa mais envolvente porque tudo parece acontecer dentro de ambientes reais, cheios de funcionários, pacientes, policiais e curiosos atravessando o caminho dos personagens.

O roteiro também mostra que suspense depende de ritmo. Sempre que Kimble encontra alguma pista importante, Gerard surge apertando o cerco. Quando o agente acredita estar perto da captura, surge outra informação alterando a investigação. Essa troca constante mantém o filme vivo durante toda a duração.

Mais de trinta anos depois do lançamento, “O Fugitivo” continua funcionando porque aposta menos em frases de efeito e mais em pessoas tentando sobreviver sob pressão. Richard Kimble corre pela cidade inteira atrás de provas capazes de limpar seu nome enquanto Samuel Gerard fecha saídas, ocupa prédios e segue diminuindo a distância entre os dois. Cada novo documento encontrado por Kimble aumenta suas chances de escapar da execução e também aumenta o risco de ser localizado antes de conseguir contar a verdade.



Fonte

Veja também

Romance com Chad Michael Murray que vai te fazer esquecer dos problemas e lembrar do amor, na Netflix

Redação

A série nova da HBO Max que vai te deixar mais viciado que chocolate

Redação

Matt Damon, Danny DeVito, Mickey Rourke e Claire Danes em filme espetacular e esquecido de Coppola, na Netflix

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.