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Economia

governo “atira bala de canhão” para ganhar poucos votos

governo “atira bala de canhão” para ganhar poucos votos




A estratégia econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou definitivamente em modo eleitoral. Diante de uma disputa presidencial projetada como apertada e altamente polarizada, o Planalto passou a acelerar programas de crédito, renegociação de dívidas e estímulos ao consumo numa tentativa de recuperar segmentos do eleitorado que demonstram frustração com o custo de vida.

Para analistas, o movimento revela uma mudança importante no objetivo das medidas econômicas do governo. Mais do que buscar grandes saltos de popularidade, a meta agora seria produzir pequenos deslocamentos capazes de decidir uma eleição equilibrada.

“O governo está soltando uma bala de canhão para ver se atinge algumas mosquinhas”, afirmou o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (8).

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A avaliação é que o Planalto trabalha para conquistar poucos pontos percentuais em grupos específicos do eleitorado, especialmente entre famílias endividadas, trabalhadores informais e setores da classe média baixa.

Microeconomia virou prioridade

Nos últimos meses, o governo ampliou iniciativas voltadas ao crédito e ao consumo popular. Entre elas estão novas versões do Desenrola, expansão do Minha Casa Minha Vida para faixas de renda maiores, linhas especiais para microempreendedores e programas voltados a motoristas de aplicativo e trabalhadores autônomos.

Segundo a analista de política da XP Bianca Lima, o foco do governo está justamente em uma parcela da população que hoje se sente pressionada economicamente, apesar dos indicadores macroeconômicos positivos.

“Você tem uma camada da população que se sente um pouco órfã”, afirmou.

Na leitura dela, esse grupo não se percebe contemplado nem pelos programas sociais voltados à base mais pobre, nem pelas oportunidades de ascensão associadas às classes mais altas.

“Quando olha para baixo, vê muita assistência do governo. Quando olha para cima, se vê distante da elite”, disse.

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Descompasso entre economia e sensação

O cenário ajuda a explicar por que o governo enfrenta dificuldades para converter números positivos da economia em melhora mais consistente de popularidade.

Hoje, o Brasil convive com desemprego em patamares historicamente baixos e crescimento da renda formal. Ainda assim, pesquisas qualitativas mostram que parte relevante do eleitorado segue associando o período atual a perda de poder de compra e endividamento elevado.

“Os indicadores macroeconômicos estão positivos, mas as pessoas não sentem a vida melhorando”, afirmou Bianca Lima.

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Para Noronha, esse sentimento ajuda a limitar o alcance político das medidas anunciadas pelo governo.

“As pessoas sentem inflação quando vão ao supermercado”, disse. 

Segundo ele, mesmo com crescimento econômico e inflação controlada em parte do período, o cotidiano do eleitor continua sendo marcado por juros altos, sensação de aperto financeiro e insegurança econômica.

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Eleição de poucos pontos

A aposta do governo é que pequenas melhoras na percepção econômica sejam suficientes para alterar o resultado eleitoral.

Na avaliação de Noronha, o objetivo não é reconstruir os níveis históricos de aprovação do lulismo, mas garantir a vantagem mínima necessária numa disputa polarizada.

“Vai gastar rios de dinheiro para tentar ganhar 2, 3, 4 pontos percentuais”, afirmou.

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A lógica reflete um cenário em que Lula e o bolsonarismo já concentram a maior parte do eleitorado, reduzindo espaço para grandes migrações de voto.

“Feio é perder eleição”, resumiu o analista ao comentar a estratégia do Planalto.

O Mapa de Risco, programa de política doInfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.



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