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Goldman sobe preço-alvo de HAPV3, mas ainda está com “pé atrás”; entenda

Goldman sobe preço-alvo de HAPV3, mas ainda está com “pé atrás”; entenda

A equipe de análise do Goldman Sachs atualizou os modelos financeiros para a Hapvida (HAPV3) após a incorporação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O banco revisou para cima o preço-alvo do ativo para os próximos 12 meses, que passou de R$ 11 para R$ 12,50 por ação, o que indica um potencial de queda de 0,8% em relação à cotação de referência de R$ 12,60. Apesar da revisão de premissas, o Goldman Sachs optou por manter a recomendação neutra para o papel.

De acordo com o relatório, os indicadores de sinistralidade trouxeram um respiro pontual. Os analistas ressaltaram, contudo, que ainda consideram prematuro interpretar a retração trimestral da Taxa de Sinistralidade Médica (MLR) como uma tendência definitiva de estabilização das despesas assistenciais.

Os analistas atualizaram as estimativas da margem Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em 0,9 ponto percentual contra a previsão anterior, diante da superação na MLR do 1T26, “que foi parcialmente ofuscada pelas contingências ainda elevadas devido à pressão de judicialização”.

“Saudamos a melhora de 3,3 p.p. [pontos percentuais] na comparação trimestral da MLR entregue no 1T26, que foi melhor do que esperávamos na época, embora lembremos que a maior parte da frequência de março passará pelos números da empresa apenas no 2T26”, aponta o relatório.

Gargalos no fluxo de caixa

O desempenho de caixa da Hapvida continua sendo monitorada e representa um dos principais entraves para uma postura mais otimista por parte do banco.

O Goldman Sachs projeta que a operadora de saúde pode registrar um consumo de Fluxo de Caixa Livre para o acionista (FCFE) negativo em R$ 355 milhões ao longo de 2026.

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Caso sejam desconsiderados os desembolsos extraordinários com fusões e aquisições (M&A) efetuados no início do ano, o saldo negativo previsto recua para R$ 176 milhões.

A projeção se mantém devido “principalmente a uma visão ainda pessimista sobre as margens (margem EBITDA ajustada projetada para 2026 em 8,4%) e despesas financeiras elevadas”, segundo o documento.

Vale frisar que há outro fator crítico que pode impedir a expansão das margens operacionais, conforme os analistas do GS: o volume de litígios e punições regulatórias.

Segundo o levantamento setorial conduzido pelo Goldman Sachs, o volume de novas ações judiciais voltadas a convênios médicos privados permaneceu aquecido, somando aproximadamente 84,7 mil novos processos no primeiro trimestre de 2026.

No caso específico da Hapvida, as provisões para contingências judiciais, impostos e sanções administrativas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) devem consumir 3,9% das receitas líquidas da empresa em 2026.

“A empresa observou na teleconferência do 1T26 que as multas da ANS devem continuar altas, visto que, apesar de o número atual de NIPs (Notificação de Intermediação Preliminar) ser 40% menor do que há 18 meses, há um descompasso de 18 meses entre a NIP ocorrida e a multa em si”, destaca o relatório.

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Dinâmicas

No aspecto mercadológico, as adições líquidas de clientes da Hapvida fecharam o trimestre em terreno negativo, registrando a perda de 45 mil usuários em termos sequenciais.

Segundo a análise do Goldman Sachs, operadoras concorrentes como Amil e Porto Seguro (PSSA3) vêm adotando uma postura comercial bastante incisiva na região Sudeste, o que pressiona a Hapvida, ao menos até que a empresa consiga consolidar a infraestrutura de sua rede de atendimento em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Diante desse cenário de alta competição, o relatório sinaliza que a Hapvida avalia se desfazer de ativos não estratégicos localizados na região Sul do país. Os analistas do Goldman refletem, entretanto, que a alienação das carteiras da CCG e da Clinipam não teria a força necessária para reverter expressivamente o endividamento geral do grupo.

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“Se uma transação for formalmente anunciada, ela pode trazer algum alívio para o balanço da Hapvida, mas não deve ser suficiente para desalavancar materialmente a companhia”, afirmam os analistas.

O Valor Presente Líquido (VPL) do grupo de ativos da Hapvida pode ser “significativamente menor do que o preço de R$ 4 bilhões pago em 2020/2021, dada a deterioração operacional em alguns KPIs da CCG/Clinipam ao longo dos últimos anos”, conclui o Goldman Sachs.



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