A companhia aérea Flybondi protocolou um pedido de “concurso preventivo” na Justiça da Argentina, no último dia 2 de outubro, a fim de reorganizar suas finanças, conter o avanço de cobranças e evitar a falência. A medida, similar à recuperação judicial, visa abrir caminho para a renegociação com fornecedores de combustível e manutenção, arrendadores de aeronaves, órgãos estatais, funcionários e passageiros que aguardam reembolsos.
Atualmente, a Flybondi mantém apenas três aeronaves na Argentina, todas paralisadas, enquanto outros dez aviões foram devolvidos ou estão em fase de devolução aos seus proprietários. Além disso, a companhia acumula obrigações na casa dos US$ 5,5 milhões apenas com a manutenção de duas aeronaves mantidas no exterior.
Flybondi tem prejuízo com frota estagnada

A paralisia da frota refletiu diretamente na participação de mercado da empresa. Dados da Autoridade Nacional de Aviação Civil da Argentina mostram que, em agosto de 2025, a Flybondi transportou mais de 254 mil passageiros, respondendo por 17% do mercado interno. Exatamente um ano depois, em agosto de 2026, esse volume despencou para apenas 1.865 passageiros, reduzindo a presença da aérea no país a insignificantes 0,1%.
Para além do estrangulamento operacional, a crise financeira é alimentada por passivos públicos que superam 4 bilhões de pesos argentinos, cifra que pode alcançar 4,6 bilhões com a incidência de juros e penhoras. O cenário se agravou ainda mais devido a uma disputa societária entre os grupos acionistas COC Global e Cartesian Capital Group, combinada ao recente bloqueio das contas bancárias da empresa determinado pela Receita Federal argentina, o que exauriu a capacidade de caixa da Flybondi para honrar seus compromissos imediatos.
Sob supervisão judicial, a companhia agora tenta costurar um acordo com credores para reestruturar os débitos e tentar viabilizar uma futura retomada de suas atividades.
