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“Fim de Partida”, com Nanini e Guilherme Weber, tem sessões no Recife a partir desta quinta (23)

“Fim de Partida”, com Nanini e Guilherme Weber, tem sessões no Recife a partir desta quinta (23)


A prosa era/foi para falar sobre “Fim de Partida”, uma das tantas obras irretocáveis do escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989), levada para o teatro por Marco Nanini e Guilherme Weber e em cartaz no Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, desta quinta-feira (23) até domingo (26).

Mas é que estar com um recifense e com ‘tara’ assumida por pitombas, inicialmente deu outro rumo ao papo.


“Vamos chupar pitomba”, bradou Nanini, ao se deparar com cachos de pitomba gentilmente oferecidos a ele, como parte da conversa com a Folha de Pernambuco, que começou por sua infância no bairro do Pina e o seu fascínio pela pitomba, fruta integrante de suas memórias afetivas pelo Recife.

“Eu tenho uma tara que é pitomba (…). Tudo começa pela pitomba”, reforçou ele, aos risos, para em seguida, em tom saudoso, relembrar a cidade onde nasceu.


Nanini não hesita em assumir sua ‘tara’ por pitomba | Crédito: Paullo Almeida/Folha de Pernambuco



“Eu me lembro de Boa Viagem, do Pina, das pontes que não me saem da cabeça”. As divagações pela capital pernambucana antecederam o bate-papo sobre a montagem a partir da obra de Beckett da década de 1950, em um período pós-guerra.

Apesar das mais de sete décadas de escrita, a narrativa segue atual e em diálogo com um mundo que segue em ruínas – físicas e emocionais.




Ser humano

Em cena, Hamm (Nanini) e Clov (Guilherme Weber) têm dependências físicas e emocionais que os entrelaçam dentro de um cenário violento e cruel.

Enquanto um não enxerga e não anda, o outro não consegue sentar e, dessa forma, aguardam, amargurados, um fim que não chega.


Crédito: Annelize Tozetto/Divulgação


“Becker sempre me fascinou e sempre temi fazê-lo. Fiquei namorando a peça, mas eu era muito jovem e não podia fazer, senão seria uma caricatura interpretar um velho. Esperei chegar a idade”, conta Nanini, complementando sobre o que trata a montagem.


“A peça mergulha no ser humano, em qualquer situação, é ele que está em primeiro plano. Esta é a profundidade do Beckett, e ele tem artifícios práticos da arte de englobar tudo isso, transmitindo uma mensagem muito nova e de fácil assimilação.

O humor também é proposto por ele, porque humor faz parte da tragédia”, ressalta Marco Nanini, chamando o espetáculo de tragicomédia, justificando que “a tragédia da vida é a comédia”.


Humor

Tal qual Nanini, 78, que “paquerava” o clássico de Samuel Beckett, o curitibano Guilherme Weber, 54, desejava desde garoto fazer a montagem.

“Até que no pós-pandemia a sensação na carne do isolamento deu mais uma camada para realizá-la”, conta ele, também em conversa com a Folha de Pernambuco.

Tendo Marco Nanini como um dos realizadores de seus sonhos, o convite para dividir o mesmo palco foi feito ao ator recifense, que de pronto aceitou.

E assim, “Fim de Partida” ganhou mais uma releitura, que traz o humor, também, como tempero.


“Nós devemos muito ao humor e o Nanini é um comediante extraordinário, cresci assistindo ele (…). E o humor é o caminho mais inteligente para grandes questões humanas”, enalteceu Weber, relembrando “Tempos Modernos” de Charles Chaplin como exemplo de um massacre da modernidade, eternizado no humor.


Além da montagem atual, Weber e Nanini estiveram juntos em outros espetáculos, com destaque para “Solitários” (2002) e “A Morte do Caixeiro Viajante” (2004).

Ainda no elenco de “Fim de Partida”, que tem direção de Rodrigo Portella, estão Helena Ignez, a quem Nanini trata como “musa” e com quem esteve no palco no início de carreira, e Ary França, também seu parceiro no teatro em “O Burguês Ridículo” (1996).

SERVIÇO

“Fim de Partida”, com Marco Nanini e Guilherme Weber


Quando: de hoje até sábado (25), às 20h; domingo (26), às 19h

Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque D. Lindu) – Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem

A partir de R$ 75 no site do teatro

Informações: @teatroluizmendonca

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