Abesata divulga carta sobre o fim da escala 6×1 e projeta alta de 23,9% nos custos do ground handling e alerta para risco operacional na alta temporada
A Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo (Abesata) divulgou nesta terça-feira (3), uma carta ao mercado alertando para os efeitos da mudança nas regras de jornada de trabalho sobre as operações de ground handling.
O documento, assinado em conjunto com o Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Sineata), aponta risco operacional com o início da vigência das novas regras em 16 de dezembro, período que coincide com a alta temporada de verão no país.
A manifestação ocorre em meio às discussões sobre a Emenda Constitucional (EC) nº 141/2026, que prevê ampliação do repouso semanal remunerado e redução progressiva da jornada máxima semanal, sem redução salarial.
Alta nos custos
De acordo com estudo técnico citado pelas entidades, a migração das escalas de trabalho, a manutenção da cobertura operacional 24 horas e a necessidade de ampliação dos quadros devem gerar aumento de 23,9% nos custos das empresas de serviços auxiliares.
O cálculo considera a preservação da remuneração dos trabalhadores, além de despesas com contratação, capacitação, credenciamento aeroportuário e adequação de estrutura. Para as entidades, a recomposição dos valores nos contratos com companhias aéreas e administradoras aeroportuárias é condição para garantir a transição.
Prazo curto e demanda por mão de obra
Segundo Ricardo Miguel, presidente da Abesata, o intervalo entre a publicação das novas regras e a alta temporada impõe desafio logístico ao setor. As empresas precisarão recrutar, contratar e formar novos profissionais em um mercado com exigências específicas de certificação e autorização para atuação em área restrita de aeroportos.
Os serviços de ground handling compreendem atividades essenciais para a operação de aeronaves em solo, como atendimento a passageiros, manuseio de bagagens, limpeza, abastecimento e apoio ao despacho de voos. A avaliação das entidades é de que a eventual insuficiência de equipes pode afetar a pontualidade e a regularidade das operações em aeroportos de diferentes portes, com reflexos na malha aérea doméstica e internacional.
Negociações e articulação institucional
Na carta ao mercado, Abesata e Sineata defendem a abertura imediata de negociações para reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de prestação de serviços auxiliares. A posição é de que a antecipação do diálogo é necessária para viabilizar a contratação e o treinamento dentro dos prazos regulatórios.
Segundo a Abesata, membros do Congresso Nacional e do Poder Executivo avaliam, nesta semana, instrumentos de aplicação e adequação da EC.
As entidades disseram ainda que seguem acompanhando o tema no âmbito institucional e defendem o diálogo com o mercado para minimizar o risco de descontinuidades operacionais durante a alta temporada.
