O documentário autobiográfico “No Passo da Cobra”, que acompanha a trajetória do cineasta que recuperou os movimentos ganha sua primeira sessão após sua estreia mundial no Festival do Rio 2026, será exibido nesta terça-feira (20), às 19h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca.
A exibição conta com a presença do diretor Estêvão Ciavatta Pantoja e da atriz Regina Casé, esposa do diretor. O longa-metragem conta a história do longo processo de recuperação que o diretor teve que passar após sofrer um acidente durante uma cavalgada que o deixou, aos 40 anos, tetraplégico.
Também estarão presentes na sessão o neurocirurgião Paulo Niemeyer, da fisioterapeuta e pesquisadora Lúcia Willadino Braga, de José Vicente Martins e de Pai Celinho de Omulu.
A segunda sessão acontecerá no dia 26, às 17h15, no Espaço Petrobras De Cinema.
O documentário
“No Passo da Cobra” acompanha a experiência da tetraplegia, a reabilitação e as transformações vividas por ele. Durante o processo foram realizados projetos em família, que ajudam a construir um novo olhar sobre a vontade de viver.
“Quando entendi que o meu corpo, estirado no chão de terra batida, poderia nunca mais sair daquela posição, um grande vazio se abriu dentro e fora de mim. Mas eu não desisti, pelo contrário, me dediquei a conviver e aprender com as dificuldades e, quando possível, superá-las. Não me impus metas, sem apressar o tempo, pois o tempo das coisas acontecerem é sim fruto do nosso esforço, mas não depende apenas da gente. O mundo é grande, diverso e complexo. Melhor é viver ‘no passo da cobra’”, conta Estêvão.
Em 2025, quase duas décadas depois da queda, o cineasta celebrou um novo capítulo dessa história ao escalar a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. A experiência, registrada em audiovisual, tornou-se mais um capítulo dessa relação entre corpo, natureza, movimento e os caminhos encontrados para seguir adiante.
O longa é produzido por Macaco Gordo Publicidade Ltda. e Pindorama Filmes Ltda., com distribuição da Downtown Filmes.
Cobra dá passo?
A expressão que dá nome ao documentário traduz justamente essa maneira de encarar a vida depois do acidente. Sem estabelecer metas rígidas ou tentar controlar completamente o tempo das coisas, Estêvão passou a conviver com limites, ciclos e transformações.
Audiovisual por escrito
O relato de “No Passo da Cobra” também ganha uma versão em livro. As 192 páginas foram publicadas pela Editora Record e chegam às livrarias em 10 de novembro, data que marca os 18 anos do acidente. Em outro formato, o livro amplia a narrativa construída no documentário e aprofunda as memórias do acidente.
Sobre o diretor
Responsável pelo roteiro, direção e produção, Estêvão inicia sua trajetória, por incrível que pareça, como engenheiro florestal. A partir da sua produtora, a Pindorama Filmes, carregou seus saberes da engenharia da floresta para o cinema e dirigiu e idealizou projetos dedicados à natureza e à sustentabilidade.
Entre as produções está “Um Pé de Quê?”, que explora a flora brasileira a partir de histórias e lendas e “Amazônia Sociedade Anônima”, documentário e série do Fantástico que aborda a destruição da floresta amazônica e o protagonismo de populações tradicionais e indígenas na defesa de seus territórios.
Estêvão também é sócio fundador da Pororoca, agência de comunicação voltada para projetos de sustentabilidade, criada em sociedade com Raphael Vandystadt sob o chapéu da agência África.
Estevão também liderou a campanha de crowdfunding “Dá Pé”, uma das 10 maiores do Brasil, que mobilizou 7 milhões de pessoas para plantar 36 mil árvores e ganhou o Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade pela restauração de nascentes e matas ciliares da Mata Atlântica.
