Nordeste Magazine
Cultura

Ficção científica que está dominando o mundo e já é o filme número 1 da Netflix

Ficção científica que está dominando o mundo e já é o filme número 1 da Netflix

Em “A Grande Inundação”, o colapso do mundo não é tratado como espetáculo grandioso, mas como consequência lógica de uma sequência de decisões humanas. Após o impacto de múltiplos asteroides, os oceanos avançam sobre as cidades e transformam prédios residenciais em armadilhas verticais. É nesse cenário que Anna, vivida por Kim Da-mi, tenta sobreviver ao lado de Ja-In, interpretado por Kwon Eun-sung. Eles vivem em um edifício que, pouco a pouco, desaparece sob a água. A promessa de salvação surge na figura de Hee-jo, personagem de Park Hae-jo, encarregado de conduzi-los até o terraço, onde um helicóptero supostamente fará o resgate. A travessia pelos andares alagados expõe encontros breves, mas significativos, com outras pessoas que já aceitaram o fim. O filme estabelece, desde cedo, que a inundação é menos sobre destruição física e mais sobre escolhas feitas sob pressão extrema.

A revelação científica por trás da maternidade

À medida que a narrativa avança, a lógica do desastre começa a se deslocar. Anna não é apenas uma mãe tentando salvar o filho. Ela é uma cientista ligada aos laboratórios ISABELLA, uma instituição capaz de criar corpos humanos artificialmente, mas incapaz de reproduzir emoções autênticas. Ja-In não nasceu de Anna; ele é uma criação do laboratório, um experimento vivo destinado a gerar dados emocionais. A missão inicial de Anna foi criar esse vínculo materno para que, após cinco anos, todas as respostas afetivas da criança fossem extraídas e enviadas aos servidores da empresa. A inundação, então, deixa de ser um evento aleatório e passa a ser parte de um plano maior. O helicóptero no terraço não representa salvação, mas separação. Ja-In é capturado, sedado e tem seus dados retirados, enquanto Hee-jo é eliminado. Anna segue viva porque ainda falta algo essencial ao projeto: a experiência completa da mãe diante da perda.

Simulação, repetição e desgaste ético

O núcleo mais ambicioso do filme surge quando se revela que toda a fuga pelo prédio é uma simulação. Anna, conectada a cabos e sensores, revive repetidamente o mesmo dia dentro de um ambiente virtual criado pelos laboratórios ISABELLA. Cada falha reinicia o processo. Cada morte é apenas mais um dado coletado. O número estampado em sua camiseta muda a cada tentativa, indicando milhares de repetições. O objetivo não é salvar Ja-In, mas extrair de Anna a totalidade de suas reações emocionais: medo, culpa, persistência, desespero. Hee-jo, os agentes armados e os obstáculos não passam de variáveis programadas para testar seus limites. A inundação funciona como um laboratório moral, no qual a maternidade é tratada como algoritmo treinável. O filme encontra força nessa ideia, mas também fragilidade ao explicar pouco suas regras internas, exigindo do espectador uma leitura ativa.

Encerramento e ambição conceitual

“A Grande Inundação” propõe um debate claro sobre o limite entre ciência e instrumentalização da experiência humana. Nem tudo se encaixa com rigor absoluto, mas o filme não se esconde atrás da confusão. Ele assume o risco de transformar o afeto em experimento e a maternidade em último território ainda não dominado pela tecnologia. O resultado é irregular, porém intelectualmente provocador, mais interessado em levantar problemas do que em oferecer conforto narrativo.

Filme:
A Grande Inundação

Diretor:

Byung-woo Kim

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Aventura/Drama/Ficção Científica

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Menina que perdeu a mãe e foi entrevistada por Bianka Carvalho ganha supresa de Carlinhos Maia

Redação

Cinema brasileiro se despede de Luiz Carlos Barreto

Redação

Comunidade do Bode recebe mais uma edição do Encontro de Coco Mané João do Pina

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.