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Ficção científica com Christian Bale que acaba de chegar à HBO Max

Ficção científica com Christian Bale que acaba de chegar à HBO Max

“A Noiva!” fala sobre m homem criado artificialmente já não suporta viver sozinho. Frank, personagem de Christian Bale, atravessa uma Chicago suja, movimentada e cheia de fumaça em busca de alguém disposto a ajudá-lo. Essa pessoa surge na figura da Dr. Euphronious, interpretada por Annette Bening, uma cientista respeitada, excêntrica e claramente fascinada por experiências que ultrapassam qualquer limite aceitável para a época.

Maggie Gyllenhaal leva essa história para os anos 1930 e transforma a cidade em peça importante da narrativa. Chicago aparece cheia de clubes noturnos, ruas apertadas, policiais desconfiados e jornalistas interessados em qualquer escândalo capaz de render manchetes. O laboratório onde a cientista trabalha funciona quase escondido dentro desse ambiente barulhento. Frank procura uma companheira, mas o pedido rapidamente vira algo maior. Quando uma jovem assassinada retorna à vida, ninguém consegue mais manter o caso longe dos olhos públicos.

A companhia

Jessie Buckley interpreta a Noiva sem repetir o comportamento clássico das criaturas frágeis ou submissas normalmente ligadas a esse tipo de história. A personagem desperta confusa, curiosa e irritada com frequência. Ela observa roupas, fumaça de cigarro, música, carros e pessoas andando pelas ruas como alguém que chegou atrasada ao próprio mundo. O mais interessante é que a personagem não aceita automaticamente o papel imaginado para ela por Frank ou pela cientista.

Frank deseja companhia. A Dr. Euphronious deseja provar que seu trabalho funciona. Já a Noiva deseja experimentar tudo aquilo que lhe foi negado antes mesmo de existir. Essa diferença faz o filme ganhar energia. Enquanto Frank tenta protegê-la da cidade, ela demonstra interesse justamente pelo movimento das ruas, pelos clubes e pelas pessoas que param para observá-la. Quanto mais ela aparece em público, mais perigosa a situação se torna.

Marginalizados

A polícia passa a acompanhar rumores envolvendo uma mulher estranha ligada a um homem gigantesco e deformado. Jornais começam a transformar o assunto em espetáculo popular. Maggie Gyllenhaal trabalha muito bem essa ideia de exposição. O horror do filme nasce da forma como aquelas pessoas são tratadas quando deixam de permanecer escondidas. Existe sempre alguém olhando, comentando ou perseguindo os personagens.

Christian Bale faz de Frank uma criatura cansada. O ator abandona exageros e cria alguém profundamente solitário. Em vários momentos, Frank parece um sujeito que só gostaria de atravessar uma rua sem assustar metade da cidade. Há tristeza nisso. E também certa ironia. Ele consegue sobreviver a experiências científicas absurdas, mas sofre diante da possibilidade de sentar normalmente em um restaurante sem provocar pânico.

Jessie Buckley entrega a atuação mais viva do longa. Sua Noiva aprende rápido que homens olham para ela com curiosidade, desejo ou medo. A personagem percebe cedo que virou objeto de interesse coletivo. Mesmo assim, continua circulando pela cidade, fumando, dançando e ocupando espaços que pareciam proibidos para ela. Buckley cria uma figura imprevisível, algo que mantém o filme interessante mesmo quando o roteiro exagera em algumas passagens.

Annette Bening também ajuda bastante ao interpretar a Dr. Euphronious quase como uma artista obcecada pela própria criação. A cientista age movida pela necessidade de provar que ultrapassou barreiras consideradas impossíveis. Só que o experimento escapa rapidamente de qualquer controle. Quando a Noiva começa a ganhar notoriedade nas ruas de Chicago, o laboratório deixa de ser lugar seguro. Policiais, curiosos e criminosos passam a circular perto demais daquele espaço.

Misto de gêneros

Maggie Gyllenhaal mistura horror, romance, musical e ficção científica sem demonstrar muito interesse por equilíbrio tradicional. Em certos momentos, “‘A Noiva!’” parece um grande delírio de cinema clássico atravessado por fumaça de cabaré e perseguição policial. Curiosamente, boa parte dessa mistura funciona. A diretora aposta numa encenação exagerada, cheia de personagens intensos e situações absurdas, mas preserva emoções humanas suficientes para impedir que tudo vire caricatura.

O filme também acerta ao deixar o relacionamento entre Frank e a Noiva mais complicado do que uma simples história romântica. Existe afeto entre eles, mas também existe desconforto. Frank idealiza alguém capaz de permanecer ao seu lado. A Noiva, por outro lado, demonstra vontade de descobrir quem é antes de aceitar qualquer destino imposto por outra pessoa. Essa diferença cria tensão o tempo inteiro.

Mesmo quando exagera no ritmo ou nos números musicais, “‘A Noiva!’” é interessante porque Maggie Gyllenhaal mantém os personagens em movimento constante. Sempre há alguém perseguindo, observando, escondendo ou tentando controlar aquelas figuras. A cidade inteira parece apertar lentamente o cerco em volta deles.

O filme é estranho, excessivo e bastante vivo. Christian Bale sustenta o lado mais melancólico da história, Jessie Buckley entrega personalidade suficiente para dominar cada cena em que aparece e Annette Bening transforma a cientista numa presença inquietante. Quando a Noiva finalmente ocupa as ruas de Chicago sem medo de ser vista, o experimento deixa de pertencer ao laboratório e vira problema da cidade inteira.



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