Entregas do Comac C919 desaceleram no 1º trimestre de 2026 com apenas três aeronaves entregues
As entregas do avião chinês Comac C919 registraram desaceleração no primeiro trimestre de 2026, com apenas três aeronaves entregues a companhias aéreas do país no período.
Dados compilados pelo South China Morning Post e pela consultoria britânica IBA indicam ausência de entregas em janeiro e um ritmo inferior ao esperado para o programa.
Duas unidades foram entregues à China Southern Airlines, em 5 de fevereiro e 2 de março, enquanto uma unidade foi destinada à Air China, em 27 de março. No acumulado desde a entrada em serviço, em dezembro de 2022, quando a China Eastern Airlines recebeu a primeira unidade, o total de entregas chega a 35 aeronaves.
O desempenho recente sugere uma possível defasagem em relação ao cronograma industrial inicialmente projetado pela fabricante chinesa.
Gargalos na cadeia de suprimentos
Parte das aeronaves concluídas permanece em solo aguardando a instalação de motores LEAP, fornecidos pela CFM International — joint venture entre a GE Aerospace e a Safran.
“Pode haver C919 estacionados com asas prontas, mas sem motores — os LEAP não estão chegando”, disse Jason Zheng, analista da consultoria Airwefly, sediada em Xangai. “Enquanto as aeronaves aguardam motores, os motores aguardam componentes críticos.”
A limitação na produção de componentes essenciais tem impactado diretamente a cadência de montagem final das aeronaves.
Competição por motores
Segundo Zheng, a Comac enfrenta concorrência direta com fabricantes estabelecidos, como a Boeing e a Airbus, além das próprias companhias aéreas, na disputa por alocação de motores. “A CFM produz motores em ritmo elevado, mas a maior parte é destinada a clientes consolidados”, disse.
O cenário reflete um descompasso estrutural entre a demanda global por aeronaves comerciais — em níveis historicamente elevados — e uma cadeia de suprimentos ainda considerada frágil, especialmente no segmento de propulsão.
Estratégia industrial e qualidade
Apesar do ritmo reduzido, a priorização da qualidade sobre a velocidade de produção pode ser uma decisão estratégica para a Comac, considerando o estágio de maturidade do programa C919 e a necessidade de consolidar confiabilidade operacional no competitivo mercado de jatos de corredor único.
