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Exibição de “O Agente Secreto” no Edifício Ofir promove debate sobre preservação da história

Exibição de “O Agente Secreto” no Edifício Ofir promove debate sobre preservação da história

O Edifício Ofir, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, recebeu uma exibição especial de “O Agente Secreto” na noite desta segunda-feira (26).


Com presença do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho e equipe, a sessão ocorreu na área externa do prédio, que foi um dos principais locais de gravação do longa, vencedor de dois Globos de Ouro e com quatro indicações ao Oscar 2026.




Na tela do cinema, a estrutura aparece como um personagem arquitetônico, ambientado no final da década de 1970, em que se desenvolve a história no período da ditadura militar.


O local de três pavimentos é conduzido por Dona Sebastiana, da carismática Tânia Maria, e tem um quintal espaçoso onde uma festa de Carnaval recebe o mais novo morador “refugiado” – interpretado por Wagner Moura.


Edifício Ofir (Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco)


“E eu acho que a arquitetura é um elemento muito importante de contar a história, porque quando você vê um prédio desse, você entende um pouco da cidade onde o filme se passa e um pouco das pessoas que moram nesse prédio”, resume Kleber Mendonça Filho, antes de assistir a exibição do longa, na telão montado no quintal do Ofir.


Ainda segundo o diretor, as locações presentes em “O Agente Secreto” expressam certa vida real na cidade.


“O cinema São Luiz, as ruas, a sede dos Correios, que, quando eu era criança, era lá a área central. A Guararapes, a Ponte Duarte Coelho e todos aqueles prédios ali do centro da cidade aparecem como eram em 1977”, disse.


Para ambientar ainda mais a década de 1970, cenas na Vila Santo Antônio, localizada na rua do Riachuelo, no centro do Recife, serviram como a entrada do prédio.


Kleber Mendonça FilhoDiretor Kleber Mendonça Filho (Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco)


Com tamanho simbolismo histórico, o Ofir é mesmo desses lugares que contam sobre um passado vivo.


“Não sou contra novas construções, mas devem existir lugares adequados para elas e, assim, conviver. De toda forma, essa é uma cidade histórica”, concluiu Kleber.


Reconstituição

O Ofir é uma construção da metade do século 20. Para que ele ganhasse os contornos da época, foi preciso um trabalho dedicado de produção.


Segundo Isabela Cunha, produtora de locação, o longa contou com mais de 50 sets de filmagem como um todo.


No prédio do Espinheiro, o apartamento do personagem de Wagner Moura demandou uma reforma atenta. “A cozinha, por exemplo, precisou de muita interferência. A direção de arte precisou trocar o revestimento inteiro. Foi quase como uma reforma”, contou Isabela.


Produtora de locação, Isabela CunhaProdutora de locação, Isabela Cunha (Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco)


Ainda segundo a produtora, todo o mobiliário foi trocado para os da época, assim como o piso. “A equipe precisou ficar com o apartamento por três meses, para que a direção de arte atuasse nessa caracterização”, explicou.


Proprietária de dois apartamentos no local, Helena Martins reforça a importância de equipamentos como esse existir na cidade. “O filme conta a história como ela foi, e quem conhece sabe a importância desse tipo de habitação ainda existir. É uma memória que queremos preservar”, reforçou.


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