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Ewa Amor leva oficina de autorretrato e identidade nordestina a cidades do Ceará

Ewa Amor leva oficina de autorretrato e identidade nordestina a cidades do Ceará


A cultura nordestina como matéria-prima para a descoberta de si. É a partir dessa proposta que a artista visual pernambucana Ewa Amor desenvolve a oficina “Raízes e Sonhos: Brincando com Minha Identidade”, iniciativa gratuita voltada a crianças a partir dos oito anos.


Natural de Garanhuns, no Agreste, a artista percorre diferentes estados da região com uma experiência que aproxima artes visuais, educação e referências culturais, convidando os participantes a transformar memórias, afetos e elementos do imaginário nordestino em autorretratos pintados.


A próxima etapa da circulação acontece em Juazeiro do Norte, no Ceará, com encontros nos dias 7 e 28 de novembro, ambos sábados, às 14h, no Banco do Nordeste Cultural Cariri.


Em dezembro, no dia 12, a atividade segue para Fortaleza, onde será realizada às 13h, na Biblioteca Inspiração Nordestina, localizada no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), dentro da programação Criança e Arte.




Contemplada pelo Edital de Ocupação Artística do Banco do Nordeste, a circulação prevê atividades em três estados nordestinos. A primeira parada ocorreu em agosto, na cidade de Sousa, na Paraíba.


Em outubro, foi a vez de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Agora, o projeto conclui seu percurso pelo Ceará, com encontros nos equipamentos culturais do banco.


A proposta parte de uma investigação sobre identidade e pertencimento. Antes de colocar os pincéis em ação, as crianças são apresentadas a manifestações populares, brincadeiras, músicas, danças, personagens, paisagens e outras expressões que compõem a diversidade cultural nordestina.


A introdução acontece por meio de uma contação de histórias, que abre espaço para conversas e descobertas sobre as referências presentes no cotidiano da região.


“A oficina une arte, educação e vivência cultural. Ela tem como base referenciais da cultura nordestina para que cada criança crie identificação e conheça as referências e memórias regionais, a partir da identidade, do pertencimento e das diversas formas de expressão. A atividade proporciona um momento de contato, observação e experimentação com símbolos, objetos e narrativas artísticas”, explica Ewa, que também trabalha como designer, fotógrafa, arte-educadora e produtora cultural.


O percurso inclui uma experiência sensorial com objetos e materiais disponibilizados para exploração. As crianças podem manusear os elementos, observar suas características e utilizar espelhos para investigar a própria imagem.


A partir desse contato, cada participante seleciona aquilo que desperta seu interesse e passa a incorporar essas referências à construção de uma representação de si.


“Diversos desses elementos são colocados à disposição para a criançada, gerando um espaço de conhecimentos e descobertas. As crianças podem tocar, observar, pegar e experimentar os objetos, além de usar os espelhos disponíveis no ambiente para se ver e perceber a si mesmos. A partir daí, a criança escolhe os elementos que mais despertaram sua imaginação para a feitura de seu autorretrato, utilizando-os como referências culturais para a pintura em tela”, destaca a artista.


A criação começa com esboços que misturam características físicas, símbolos culturais e componentes da imaginação infantil. A representação pode seguir uma abordagem realista ou assumir formas inventadas, incorporando preferências pessoais, lembranças, desejos e sonhos.


Na etapa seguinte, os desenhos ganham dimensão na tela, com o uso de tinta guache e experimentações de cores, formas e técnicas.


O objetivo, segundo Ewa, vai além da familiarização com procedimentos de desenho e pintura. A oficina procura oferecer às crianças instrumentos para reconhecer e valorizar suas próprias referências culturais, além de incentivar a autonomia criativa e a confiança na expressão individual.


“Acredito que, com a realização dessa oficina, a gente valoriza a cultura nordestina e possibilita o acesso à arte, ampliando os espaços de encontro entre infância, memória, território e criação. Sempre reforço que a oficina é necessária porque muitas crianças nordestinas ainda não reconhecem a própria cultura, sobretudo pela ausência do contato direto com referências e possibilidades de expressão. Sendo assim, a atividade formativa, com um ambiente que estimule a reflexão, a originalidade e a autoexpressão é fundamental para fortalecer o protagonismo infantil e a valorização das identidades nordestinas”, afirma.


A articulação entre narrativa, observação, experimentação e produção artística faz da atividade um espaço de contato com a diversidade cultural da região.


Ao escolher os elementos que deseja levar para a própria pintura, cada criança constrói uma imagem que reúne diferentes dimensões de sua identidade, estabelecendo conexões entre experiência pessoal e memória coletiva.


Entre as artes visuais e o audiovisual

Com atuação nas áreas de artes visuais, audiovisual e educação, Ewa Amor também assina o projeto de quadrinhos “Felizmina e Minos”, do qual é criadora e ilustradora.


A iniciativa reúne animações e tirinhas e soma mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, com publicações dedicadas à cultura, ilustração, cinema e processos criativos.


No campo da formação artística, a pernambucana já realizou oficinas em eventos como o São João de Caruaru, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) e a Mostra Inhumas de Cinema, também em Garanhuns.


Desde 2024, integra o projeto Faz Art, da Prefeitura de Garanhuns, como arte-educadora. Em 2026, também ministrou aulas de desenho para crianças no Senac Pernambuco.


Sua produção contempla ainda o cinema. Ewa dirigiu e produziu “Mousse”, filme de nanometragem com duração de até 45 segundos, que conquistou o prêmio da oitava edição do Festival Brasileiro de Nanometragem.


O trabalho também foi selecionado para exibições fora do país, com passagens pelo Festival de Contis, na França, e pelo Festival FIKE, em Portugal.

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