Estamos todos à procura de nosso lugar no mundo, a maioria com todos os atravancos, dando com a cara na porta e quebrando a cabeça até serem aceitos ou se persuadirem de que alguma coisa definitivamente não se encaixa e é mister continuar essa busca em outra parte. Não raro, chega-se a tal entendimento não sem mágoas e depois de um tempo impressionantemente longo, mas há as situações em que, mantidos o pesar e a angústia, o tempo colabora e, como se fosse uma tormenta de dimensões sobrenaturais que cede como que por encanto ao cabo de horas e horas de terror, alguma solução começa a se desenhar no horizonte. “A Estranha Família de Igby” é mais um filme a tocar nas feridas de pessoas que se amam mas não se entendem, investigando até que onde pode resistir o bem-querer entre elas. Burr Steers faz de sequências rápidas a maior atração de seu filme, um apanhado de situações entre cômicas e monstruosas a sufocar alguém que precisa de espaço para crescer. E se sai melhor que a encomenda.
Fatos excepcionais se sucedem quando nos contempla a juventude. Nessa etapa singular da vida, estamos vulneráveis aos demônios que fazemos questão de alimentar, e, como se por encanto, um novo raio de sol invade a alma e desponta uma promessa de felicidade. Aspirações várias e muitos desgostos compõem a rotina de Jason Slocumb Jr., Igby para os íntimos, que se dá conta de que o mundo é bem diferente do que pensava, uma cornucópia de sonhos tresloucados nutrida pela superproteção megalomaníaca da mãe e a tibieza moral do pai, à beira de um colapso nervoso. Quando ele sai de cena, Mimi, a abominável, interna o filho numa escola militar, no qual ele fica por algumas semanas, até fugir para um hotel de luxo de Nova York. O nonsense é parte essencial em “A Estranha Família de Igby”, sobretudo na introdução, e sem pressa o diretor-roteirista chega ao ponto. Igby é um pobre garoto rico que depende da bondade de estranhos para sobreviver à mãe hipócrita e psicopata, vivida por uma Susan Sarandon em plena forma. Sarandon, aliás, é quem mais levanta a bola para Kieran Culkin, ainda longe de ser bom o suficiente para levar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “A Verdadeira Dor” (2024), de Jesse Eisenberg. Em todo caso, os dois já valem o filme inteiro.
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