Emiliano Garcia-Lage, presidente da comunidade, e Patricia Franco Jiménez, do conselho de economia e empresas de Castilla-La Mancha (Felipe Abílio/M&E)

Castilla-La Mancha decidiu dar um passo que pode mudar seu lugar no mapa do turismo internacional. Pela primeira vez como expositora na WTM Latin America, a região espanhola chega ao Brasil com um discurso direto: oferecer uma Espanha menos previsível, mais autêntica e com experiências que vão além do circuito tradicional.

Localizada no coração do país, Castilla-La Mancha aposta justamente no que ainda não foi saturado. Em vez de multidões e roteiros batidos, o destino trabalha com um turismo mais sensorial, que mistura história, gastronomia e paisagens em um ritmo mais tranquilo. É aquele tipo de viagem que não precisa provar nada para ninguém, só acontecer.

Um clássico espanhol que muita gente ainda não viveu

Para quem acha que já conhece bem a Espanha, a região pode surpreender. É dali que nasce o universo de Dom Quixote, com seus campos abertos e moinhos que parecem saídos de um livro. Mas o que chama atenção mesmo é a forma como tudo isso se traduz hoje em experiência.

Cidades como Toledo e Cuenca, ambas reconhecidas como Patrimônio da Humanidade, entregam uma imersão histórica real. Não é cenário montado. É arquitetura viva, ruas estreitas, igrejas imponentes e aquela sensação de estar dentro de um filme, só que sem figurante.

Ao redor, vilarejos preservados, castelos e reservas naturais completam o cenário. E tudo isso sem o volume de turistas que se vê em destinos mais populares. Esse detalhe, na prática, muda completamente a forma de viajar.

Gastronomia e vinho que contam história

Castilla-La Mancha também joga forte quando o assunto é mesa. A culinária local vem ganhando reconhecimento internacional, mas ainda carrega aquele ar de descoberta. Ingredientes simples, receitas tradicionais e uma execução cada vez mais refinada.

O vinho entra como protagonista. A região é uma das maiores produtoras da Europa e vem se reposicionando com rótulos de alta qualidade e experiências que vão além da degustação básica. Visitas a vinícolas, jantares harmonizados e hospedagens em meio aos vinhedos fazem parte do pacote.

O luxo que não grita

Outro ponto que chama atenção é o posicionamento mais sofisticado da região. Mas não espere ostentação. O luxo em Castilla-La Mancha aparece de forma mais sutil. Hotéis boutique, antigas fincas transformadas em hospedagens exclusivas, experiências personalizadas e um nível de privacidade que anda raro na Europa. É o tipo de destino que funciona bem para quem quer se desconectar, mas sem abrir mão de conforto.

Essa combinação cria uma proposta interessante para o viajante premium brasileiro, que vem buscando alternativas menos óbvias dentro do continente europeu.

Espaço também para negócios e eventos

Além do lazer, a região quer crescer no segmento corporativo. O chamado turismo MICE ganha força com a oferta de espaços históricos adaptados para eventos, hotéis preparados para receber grupos e uma estrutura que permite unir trabalho e experiência.

Reuniões em castelos, jantares em vinícolas, atividades ao ar livre e roteiros culturais entram como diferencial. A ideia é transformar viagens corporativas em algo mais memorável, fugindo do padrão engessado.

Um movimento estratégico olhando para o Brasil

A participação na WTM não é aleatória. Castilla-La Mancha quer se aproximar do mercado brasileiro e latino-americano, criando conexões com operadoras, agentes e viajantes finais. Existe um entendimento claro de que o público da região busca cada vez mais autenticidade. Menos checklists, mais vivência. Menos pressa, mais significado.

Ao entrar nesse radar, a região se posiciona como uma alternativa inteligente dentro da Espanha. Um lugar que já tem estrutura, história e conteúdo, mas ainda guarda aquele sentimento de descoberta.