KLM reativa unidades do Embraer E195-E2 após restrições de motores, enquanto companhia corta voos na Europa por custos de combustível
A KLM Cityhopper, subsidiária regional da KLM, iniciou recentemente a reativação gradual de sua frota de Embraer E195-E2 que estava armazenada há cerca de um ano devido a restrições na cadeia de suprimentos de motores Pratt & Whitney GTF.
O movimento ocorre em paralelo a ajustes operacionais da KLM na Europa, com redução temporária de voos motivada pelo aumento dos custos de combustível e incertezas no abastecimento energético.
Quatro aeronaves foram colocadas em armazenamento de longo prazo em 2024, no aeroporto de Twente, após a retirada de componentes críticos, incluindo motores, unidades auxiliares de potência (APU) e baterias. A indisponibilidade de motores Pratt & Whitney GTF impactou diretamente a operação da frota.
Para preservação estrutural e de sistemas, cada aeronave foi envolvida em um “casulo” protetivo — uma película especializada aplicada nas superfícies internas e externas. O procedimento, realizado conforme diretrizes da Embraer, levou aproximadamente seis semanas por unidade e teve como objetivo mitigar danos ambientais e degradação por exposição.
Processo de retorno
Com a melhora na disponibilidade de motores, a KLM Cityhopper iniciou a reintrodução progressiva dessas aeronaves na malha operacional. Um dos jatos, de matrícula PH-NXA, encontra-se em fase de reativação.
O processo técnico inclui remoção da proteção externa e interna, reinstalação de componentes, incluindo trem de pouso; inspeções técnicas completas e verificações de aeronavegabilidade e atualizações de cabine e sistemas, com instalação de conectividade Wi-Fi.
Cada aeronave demanda cerca de dois meses para retorno ao serviço. Duas unidades já entraram no ciclo de reativação, enquanto as outras duas têm previsão de retorno até o segundo semestre.
Corte de voos
Paralelamente, a KLM anunciou a redução de oitenta voos de ida e volta a partir do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, ao longo do próximo mês. Segundo a companhia, o ajuste representa menos de 1% da operação europeia no período.
Em comunicado, a empresa informou que realizou “vários ajustes ao seu calendário de voos para o próximo mês”, acrescentando que a decisão “diz respeito a um número limitado de voos dentro da Europa que, devido ao aumento dos custos do combustível, atualmente já não são financeiramente viáveis para operar”.
A transportadora destacou que não há falta de combustível e afirmou que passageiros afetados serão reacomodados. “Como estes são destinos que a KLM serve várias vezes por dia — como Londres e Düsseldorf — os viajantes podem geralmente ser acomodados rapidamente”, informou a companhia.
Pressão energética
O cenário energético adiciona incerteza à operação aérea no continente. Em entrevista à Associated Press, Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), disse que a Europa dispõe de “talvez mais seis semanas de combustível para aviões”, diante de restrições no fornecimento global.
Birol classificou o contexto como “a maior crise energética que já se enfrentou” e alertou para a possibilidade de cancelamentos de voos. “É possível que na Europa se ouça, em breve, a notícia de que alguns dos voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de combustível para aviões”, declarou.
