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Documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo” tem pré-estreia no Recife nesta quarta-feira (29)

Documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo” tem pré-estreia no Recife nesta quarta-feira (29)


Qual a diferença entre homem e mulher? Depois dos 12 anos, quando termina a terceira infância, essa pergunta costuma ganhar respostas prontas, vindas de livros, artigos e aulas sobre gênero.

Aos poucos, a imaginação dá lugar aos conceitos e, sem perceber, deixa-se de lado a própria forma de enxergar questões existenciais e sociais.

É justamente esse olhar ainda livre das crianças que move “A Fabulosa Máquina do Tempo”, novo documentário de Eliza Capai.


Após estrear mundialmente no Festival de Berlim, o longa ganha pré-estreia no Recife nesta quarta-feira (29), no Cinema da Fundação, na sala Derby. Na ocasião, a jornalista Bianka Carvalho mediará uma conversa com a diretora e as atrizes mirins do elenco após a exibição.




Do Piauí

Dirigido por Eliza Capai (“Espero tua (Re)volta”), o documentário acompanha meninas moradoras do município de Guaribas (PI) enquanto refletem sobre temas complexos, como independência feminina e casamento, a partir das histórias vividas por suas mães e avós.


O filme narra todo o processo, das respostas iniciais até perguntas das mães e imersões em performances elaboradas pelas próprias meninas, fazendo com que o espectador acesse mais de pertinho e com mais veracidade o que seria pautas de gênero, patriarcado, religião e futuro dentro do imaginário infantil.


“Eu fui para lá com o objetivo de fazer um filme sobre a saída da miséria de Guaribas, sobre o início da contestação do machismo estrutural, visto pelo olhar dessa primeira geração de meninas que já nasce com esses direitos tão básicos, mas que infelizmente estão bem aquém do direito de comer, do direito de ir para a escola e do direito de sonhar”, conta a documentarista Eliza Capai.


No passado e no futuro

Para além do imaginário, o filme deixa claro como a educação modifica o ser e o existir. O contraste entre gerações evidencia caminhos distintos: enquanto as mães, em sua maioria, cresceram guiadas pelo patriarcado e pela obrigação de se casar, as meninas — todas estudantes de escola pública — sonham com suas futuras profissões.


Confira o trailer:



Criando junto

Tudo começa com uma oficina realizada para 15 meninas de 7 a 11 anos, conduzida pela diretora ao lado de Carol Quintanilha e Luisa Lemgruber, responsáveis pela Direção de Fotografia e pelo Som Direto, respectivamente.

Cada uma apresentou um pouco do seu trabalho, ensinando sobre entrevista, filmagem e escuta. “Investigando, a partir do olhar delas, como elas observavam essa realidade”, conta Eliza.


Para a criação conjunta do roteiro, as meninas revisitaram, ao lado da equipe, um material gravado em Guaribas, em 2013, quando Eliza filmava “Severinas”.


“Eu até cheguei a rapidamente conhecer a Manu, que é uma das meninas do filme. Eu fotografei ela. Ela tinha um mês de vida naquele momento”, relembra.


Assistindo junto

“A Fabulosa Máquina do Tempo” chega aos cinemas do Brasil nesta sexta-feira, 30 de julho, e terá a presença da diretora Eliza Capai e de parte das protagonistas também em Brasília (30/07) e Teresina (1º/08).

Tão importante quanto essas exibições foi a sessão especial ao ar livre realizada em Guaribas, cidade onde o longa foi filmado.

Com a presença da equipe de produção, das protagonistas, de amigos e familiares, o evento marcou a história de muitos espectadores como a primeira experiência de assistir a um filme em uma tela grande.


Máquina do tempo

Para os adultos, o filme também funciona como uma verdadeira máquina do tempo. É um convite para revisitar momentos da infância em que uma descoberta muda tudo para sempre.

É descobrir que a morte existe ainda “na flor da idade”, mas também reinventar esse medo no universo lúdico, onde é possível reviver mil vezes, voar, ser zumbi, vampiro ou até mesmo imortal.


A diretora, que sonhava em ser astronauta quando criança, o longa despertou novamente essa ludicidade e permitiu retornar a um lugar ao mesmo tempo inocente e autêntico da infância.


“De ver o mundo sem se esquivar do real, mas vê-lo com esperança, ver com capacidade de sonhar. Então eu realizo um pouco o meu sonho de infância com a Manuzinha, com essa viagem antes do tempo.”


Sobre a diretora

Documentarista de temas relacionados a gênero e sociedade, Eliza Capai está entre os 10 brasileiros convidados para ingressar na Academia do Oscar em 2025.


A série “O Prazer é Meu” (2024), idealizada e dirigida por Eliza, foi indicada ao Emmy Internacional 2025 na categoria Documentário. Já o longa “Incompatível com a Vida” (2023) foi premiado como Melhor Filme no “É Tudo Verdade” e se qualificou para o Oscar 2024.


No presente

Para Eliza, outro desafio foi perceber que muitas situações que iam se estabelecendo no roteiro fugiam da sua própria percepção do que seria correto, inclusive para as próprias meninas.

“Eu achei muito curioso porque fui observando como elas subvertem o machismo – de uma forma infantil – das situações que eu apresentava”, pontua.


Com a câmera sempre na altura do olhar das crianças, estabelecendo uma relação de igual para igual, a aproximação entre as protagonistas e a equipe de produção se torna um dos diferenciais do documentário.

O resultado é um filme que entrega, com espontaneidade e “responsa”, uma obra que, ao mesmo tempo, denuncia e abraça.


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