Quando ainda dava os primeiros passos no mercado fonográfico brasileiro, o então novato Djavan ouviu de alguns produtores que sua música era “estranha”, “complicada” e até “sem pé nem cabeça”.
O diagnóstico envelheceu mal: eles sequer imaginavam que, 50 anos depois, o alagoano estaria lotando estádios e grandes casas de shows Brasil afora, com a turnê “Djavanear 50 anos. Só Sucessos”.
Este show chega neste sábado (31) a Pernambuco, com apresentação às 21h, no Classic Hall, em Olinda. O cantor e compositor, que é um dos maiores hitmakers do país, traz um setlist apinhado, de cabo a rabo, dessas canções que eram tidas como “estranhas”, mas que, na verdade, combinam sofisticação musical, apelo popular e percorrem cinco décadas de uma obra singular.
Confiança
“Eu fico feliz por nunca ter sucumbido às opiniões”, afirma Djavan – com a tranquilidade de quem confiou em si mesmo e acertou na aposta –, em entrevista à Folha de Pernambuco. Atualmente com 77 anos, ele olha para o início da carreira sem romantizar o desestímulo.
Os que tentaram enquadrar suas composições em fórmulas conhecidas não poderiam prever que aquelas harmonias pouco convencionais se tornariam parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
Ele conta que chegou a um ponto em que preferiu deixar de escutar quem tentava definir os limites de sua música: “E não dar ouvidos a elas foi fundamental para eu chegar até aqui”, enfatiza.
Do campo aos palcos
Mas antes de “chegar até aqui”, Djavan chegou até a música. E antes de escolher a música, o alagoano quase fez carreira no futebol.
Por volta dos 16 anos, atuava em Maceió como meio-campista nas categorias de base do CSA. O violão, porém, foi ocupando espaço: aprendeu a tocar sozinho, de ouvido, embalado pela bossa nova, jazz e Beatles.
No fim dos anos 1960, integrou a banda LSD (Luz, Som, Dimensão) – data desse período sua primeira composição, chamada “Aquele Amor”.
Aos 23 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ), onde trabalhou como crooner em boates, até apostar nas próprias composições.
A primeira grande vitrine nacional veio, então, em 1975, quando defendeu sua canção “Fato Consumado”, no Festival Abertura.
No ano seguinte, estreou em disco, com “A Voz, o Violão, a Música de Djavan”, álbum que inaugurou sua trajetória solo e apresentou “Flor de Lis”.
Chegando até aqui, são 24 álbuns de estúdio, cinco álbuns ao vivo e uma carreira abraçada pelo grande público. “Acho que essa identificação tão ampla, envolvendo pessoas de diferentes classes sociais e raças, deve-se à diversidade da minha música”, acredita.
Clássicos e desvios
O roteiro de “Djavanear” reúne 28 músicas e passa por clássicos incontornáveis como “Sina”, “Oceano”, “Eu Te Devoro”, “Samurai”, “Lilás”, “Se…”, “Meu Bem Querer” e “Um Amor Puro”.
Também abre espaço para faixas menos recorrentes, como “Quase de Manhã”, lançada em 1986, “Mal de Mim”, “Miragem” e “Me Leve”. A sequência inclui ainda “Azul”, “Açaí” e “O Vento”.
Do seu álbum mais recente, “Improviso”, estão uma versão instrumental da faixa-título, que abre o show, além de “Um Brinde” e “O Vento”.
Djavan não planeja uma turnê específica para o disco: diz que seguirá com “Djavanear” até junho de 2027, quando pretende se dedicar a um novo projeto, ainda mantido em segredo. “(…) um projeto novo, sobre o qual ainda não posso falar nada. É algo que, de certa forma, ainda é uma surpresa até para mim”.
SERVIÇO
Djavan – “Djavanear 50 anos. Só Sucessos”
Quando: sábado (31), às 21h
Onde: Classic Hall – Av. Gov. Agamenon Magalhães, s/n, Salgadinho, Olinda-PE
Ingresso: a partir de R$ 245, na Ticketmaster e na bilheteria do local
Informações: @turnedjavanear
