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Dia da Cerveja: saiba como Pernambuco foi pioneiro na trajetória da bebida nas Américas

Dia da Cerveja: saiba como Pernambuco foi pioneiro na trajetória da bebida nas Américas


Cadeira de plástico, Reginaldo Rossi ao fundo, calor, tira-gosto… O que falta? Uma cerveja gelada. Presente em bares, festas e encontros, a bebida atravessou séculos até se tornar uma das maiores paixões nacionais. Na última sexta-feira (7), quando foi celebrado o Dia Internacional da Cerveja, a data também convida a relembrar que foi justamente em Pernambuco que essa história teria começado para as Américas.


Mas, claro, os livros de história contam que a bebida dourada surgiu pela Mesopotâmia, antes mesmo de chegar na Europa.




Mas foi durante o governo de Maurício de Nassau, entre 1637 e 1644 – época da invasão holandesa em Pernambuco – que uma embarcação trouxe ao Recife cientistas, artistas, cartógrafos e também o mestre cervejeiro Dirck Dicx num passo importante para a origem da primeira cervejaria do Brasil e, consequentemente, a primeira cerveja das Américas.


Em 1641, ele passou a produzir a bebida na “La Fontaine” – “A Fonte” em francês – utilizando equipamentos holandeses e ingredientes como cevada e açúcar pernambucano, principal riqueza econômica da região na época. Apesar do pioneirismo, ela ainda estava longe de ser “loira”, translúcida e muito menos comum a todos.


“O Brasil não tinha acesso aos ingredientes que hoje são os principais para a produção, como o malte e o lúpulo”, contou o sommelier de cerveja Ângelo Nunes, confirmando a história e indicando que o sabor era mais acentuado.


Além disso, durante o período colonial, o grande interesse econômico da Coroa Portuguesa estava concentrado no vinho importado de Portugal. A cerveja, por ser mais barata de produzir e menos rentável, acabou ficando em segundo plano.


Quem bebe?

Ainda segundo Ângelo Nunes, a bebida chegou ao Brasil muito mais para satisfazer Maurício de Nassau do que por uma tentativa de popularizá-la. “Tanto que ele trouxe um mestre cervejeiro e fez uma cervejaria completa. Aquilo era mesmo para consumo pessoal”, explicou.


Com o fim do Pacto Colonial e abertura dos portos, a cerveja começa a circular pelo Brasil | Foto: Alexandre Aroeira / Arquivo Folha de Pernambuco


Foi apenas em 1808, com a abertura dos portos promovida por Dom João VI, que a cerveja começou, de fato, a circular pelo país. No século XIX, a chegada de imigrantes alemães em território nacional impulsionou a criação de fábricas e aproximou a bebida do paladar brasileiro, com receitas mais leves e claras, mais “loirinha”.


Suco do Brasil

Hoje, difícil é imaginar o Brasil sem ela. O país ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de cerveja e reúne 1.954 cervejarias, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).


Pernambuco continua fazendo parte dessa história. O estado consolidou uma cena de cervejarias artesanais que cresce ano após ano. Segundo a Associação Pernambucana das Cervejarias Artesanais (Apecerva), atualmente são 13 fábricas responsáveis por mais de 200 mil litros produzidos mensalmente. Não à toa, Recife já foi chamada de “capital da cerveja artesanal” pela Revista Veja.


O desafio da versão artesanal é justamente dela, por vezes, ir na contramão da geladinha costumeira do brasileiro, a famosa Pilsen. Para o presidente da Apecerva, Sidney Wanderley, marcas comerciais com um sabor mais forte ajudaram nessa educação do paladar e na entrada de outros estilos, como a Bock e a Pale Ale.


Quase quatro séculos depois daquela primeira fabricação realizada no Recife, pelo cervejeiro Dirck Dicx, o que um dia chegou pelas mãos dos holandeses atravessou diferentes períodos da história brasileira, ganhou sotaques, receitas e estilos próprios.

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