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de convocação de vigília ao risco de fuga, o que levou Bolsonaro à prisão

de convocação de vigília ao risco de fuga, o que levou Bolsonaro à prisão



A ida do ex-presidente Jair Bolsonaro para o sistema carcerário era esperada para as próximas semanas, com o trânsito julgado da sua condenação a 27 anos e 3 meses na trama golpista. Entretanto, uma série de acontecimentos nas últimas 24 horas acelerou a ação do ministro Alexandre de Moraes e dos investigadores, da convocação de uma vigília em frente ao seu condomínio até a tentativa, pelo próprio Bolsonaro, de abrir sua tornozeleira.

A sexta-feira que começou com a visita de Nikolas Ferreira e um pedido da defesa por uma prisão domiciliar humanitária, terminou com Bolsonaro, segundo o próprio, usando uma solda para tentar abrir o equipamento que monitora sua localização. Nas primeiras horas deste sábado, Bolsonaro foi acordado por agentes da Polícia Federal para a execução da sua ordem de prisão, um dos momentos mais dramáticos de sua carreira política.

O GLOBO reconstituiu, hora a hora, os acontecimentos já conhecidos da prisão de Bolsonaro. Acompanhe a seguir a cronologia dos acontecimentos que levaram Jair Bolsonaro da prisão domiciliar à cela especial na sede da corporação em Brasília.

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10h30 – Visita e alerta de Nikolas Ferreira

O ex-presidente recebeu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em sua casa em um condomínio do Jardim Botânico, em Brasília, onde cumpria prisão domiciliar desde agosto. O encontro tinha sido autorizado pelo STF. Após deixar o local, Nikola afirmou que Bolsonaro teria dificuldade de “permanecer vivo” caso fosse transferido para o sistema prisional comum.

14h24 – Defesa pede “prisão domiciliar humanitária”

Tentando se antecipar uma possível decisão do ministro Alexandre de Moraes pelo trânsito em julgado da condenação pela trama golpista, a defesa de Bolsonaro protocolou um pedido ao STF solicitando “prisão domiciliar humanitária”. Os advogados citaram o histórico de saúde do ex-presidente (câncer de pele, complicações da facada e problemas gástricos) como justificativa, argumentando que o cárcere comum traria risco de vida.

Relatos de aliados que visitaram a residência nos últimos dias, como o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), apontam que Bolsonaro vem sofrendo com crises constantes de soluços ao longo do dia.

16h54 – Flávio Bolsonaro convoca vigília

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O senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais convocando apoiadores para uma vigília em frente ao condomínio do pai. Sob o título “Vigília pela saúde de Bolsonaro e pela Liberdade no Brasil”, o ato foi marcado para a noite seguinte.

Por volta de 20h – Jantar em família

Segundo Fábio Wajngarten, aliado do ex-presidente, Bolsonaro jantou sopa com irmãos e cunhados, tomou medicação para os soluços e recolheu-se por volta das 22h.

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Por volta das 23h – PF pede prisão preventiva

A Polícia Federal protocolou um pedido de prisão preventiva, argumentando que a convocação da vigília e o comportamento do ex-presidente representavam risco de fuga e ameaça à ordem pública, solicitando a transferência imediata para a Superintendência da PF.

0h08 de sábado – Violação da tornozeleira

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O sistema de monitoramento detectou uma violação na tornozeleira eletrônica de Bolsonaro. O alerta de rompimento foi interpretado pelas autoridades como uma tentativa de fuga ou de inutilizar o equipamento, precipitando as ações da madrugada.

1h08 – Troca do equipamento e confissão

Policiais penais foram à residência e questionaram o ex-presidente, que admitiu ter mexido na tornozeleira com uma solda. Bolsonaro disse que começou a interferir no equipamento no final da tarde. Ele foi substituído e o violado encaminhado para perícia na Polícia Federal.

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1h25 – PGR dá parecer favorável à prisão

Poucos minutos após a troca do equipamento, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, emitiu parecer favorável à prisão preventiva, citando a urgência e gravidade dos novos fatos.

Por volta das 2h – Decisão do ministro Alexandre de Moraes

Com o pedido da Polícia Federal e a concordância da Procuradoria-Geral da República, o ministro Alexandre de Moraes determina a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, argumentando a necessidade de garantia da ordem pública.

6h00 – Prisão preventiva executada

Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão preventiva. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava na residência, pois viajava a trabalho para Fortaleza.

Por volta das 6h30 – Chegada à Superintendência da PF

Bolsonaro chegou à sede da PF em Brasília. Ele foi alocado em uma sala especial de 12 metros quadrados (Sala de Estado-Maior), reformada recentemente, equipada com banheiro privativo, cama e ar-condicionado, similar à ocupada por Lula em Curitiba. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ), que fazia vigília de oração na porta do condomínio, relatou ter visto o comboio da PF deixando o local com o ex-presidente. Lopes seguiu para a frente da Superintendência.

9h40 – Bia Kicis barrada

A deputada federal Bia Kicis tentou visitar o ex-presidente na sede da PF, mas teve sua entrada negada. Aos jornalistas, a parlamentar reclamou de perseguição política e injustiça.

15h00 – Advogado é impedido de entrar

João Henrique Nascimento Freitas, advogado de defesa e ex-assessor da Presidência, chegou à Superintendência da Polícia Federal, mas também foi impedido de ter acesso ao ex-presidente.

16h00 – Vídeo mostra momento em que Bolsonaro é confrontado sobre tornozeleira

Um vídeo anexado ao processo em que Bolsonaro responde no Supremo Tribunal Federal mostrou o momento em que agentes penais questionaram o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre avarias na tornozeleira. O ex-presidente admitiu que usou uma solda para queimar o equipamento — de acordo com ele, por curiosidade.



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