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Das páginas do livro para os cinemas: o romance épico de Emily Brontë chega à HBO Max

Das páginas do livro para os cinemas: o romance épico de Emily Brontë chega à HBO Max

Emerald Fennell não abriu mão de suas escolhas para “Morro dos Ventos Uivantes”, embora as informações preliminares sobre o filme, como a escolha dos dois atores principais e a linha editorial da história, tenham provocado alvoroço na mídia e nas redes sociais. Margot Robbie era considerada por críticos velha demais para interpretar uma adolescente; Jacob Elordi, branco demais para viver Heathcliff, um jovem descrito na obra original de Emily Brontë como estrangeiro, de pele escura e frequentemente associado a traços ciganos; e a linha passional e estilizada do filme destoava do tom político do livro. Fennell manteve seus posicionamentos, alegando que o longa não era uma adaptação fiel da obra literária, mas uma construção da idealização que sentiu durante a adolescência ao ler o romance.

O longa, lançado em 2026, não foi feito para os fãs mais ávidos do livro. Tanto o roteiro quanto a estética do filme são profundamente pessoais para Fennell, que demonstrou pouco interesse até mesmo pela fidelidade histórica. Ela abandona o tom sóbrio, as cores terrosos e as roupas campestres desgastadas para criar uma atmosfera contemporânea, saturada, contrastada e gótica. A narrativa responde mais à idealização romântica construída ao longo do tempo em torno da história do que ao discurso político que Brontë pretendia discutir.

Descontrução

Se a autora britânica falava sobre a desumanização de imigrantes e pessoas racializadas, os preconceitos de classe social e a estrutura rígida que pressionava mulheres a seguirem regras sociais e se casarem por interesse, a versão de Fennell se aproxima mais da forma como jovens passaram a admirar o romance impossível e avassalador entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. Não há exatamente algo de errado em apresentar sua própria visão da história, mas, ao mesmo tempo, isso reduz a obra de Brontë a uma narrativa muito mais simples e superficial.

Por outro lado, a estética escolhida por Fennell é fascinante. Os vestidos coloridos de Cathy, suas armações de óculos modernas e os dentes de ouro de Heathcliff dão uma pegada jovial e pop para “Morro dos Ventos Uivantes”. O casal de atores, obviamente muito atraente e bastante empenhado em transmitir um amor fulminante, entrega cenas tórridas e envolventes, exatamente como Fennell pretendia.

Números e qualidade técnica

Com faturamento mundial de 241 milhões de dólares, o longa-metragem teve orçamento estimado em 80 milhões, valor ligado ao acordo de distribuição firmado com a Warner Bros. A Netflix havia oferecido cerca de 150 milhões pelo projeto, mas Fennell e Robbie queriam garantir lançamento nos cinemas e ampla campanha de divulgação, algo previsto no contrato com o estúdio. Rodado em VistaVision, formato criado pela Paramount nos anos 1950, o filme apresenta imagens com riqueza de detalhes quase palpável, maior profundidade e textura visual extremamente sofisticada.



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