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Dakota Fanning estrela na Netflix a estreia da filha de M. Night Shyamalan no cinema

Dakota Fanning estrela na Netflix a estreia da filha de M. Night Shyamalan no cinema

O místico e o macabro caminham juntos na imaginação humana, como duas faces de um espelho que reflete o encanto e o pavor pelo desconhecido. Rituais surgem como uma tentativa de dar forma ao caos e revelar a perturbadora beleza da escuridão, seduzindo por fugir ao óbvio e deixar que cada um tenha sua própria experiência. Ishana Night Shyamalan entra nesse universo com o respaldo do sobrenome, mas preocupada em fazer algo original. Filha de M. Night Shyamalan, cineasta que erigiu uma carreira de sucesso a partir de suas impressões sobre o ocaso iminente da humanidade, a diretora de “Os Observadores” mantém esse tom catastrofista e meio repugnante numa história cheia de movimento, que aponta para nossos defeitos. Uma estreia auspiciosa.

Uma floresta que engole Mina

A desordem fundamental que perpassa a vida do homem na Terra ainda não alcançou o estado de tétrico refinamento exibido com ostentação pelo cinema em todos os gêneros, o que não quer dizer que nossa situação seja exatamente confortável. Baseando-se no livro homônimo lançado pelo irlandês A.M. Shine em 2022, a diretora-roteirista coloca quatro personagens numa floresta mágica na Irlanda, cada qual com uma lembrança de como foi parar ali. Americana e quase sem amigos, Mina esforça-se por achar um lugar ao sol, conseguindo apenas sentir-se mais estranha. Vivendo em Galway, na costa oeste, há algum tempo, ela trabalha numa loja de animais e diverte-se um pouco inventando novas vidas com os trajes e perucas que gosta de alugar para sair à noite. Quando seu chefe lhe pede que vá levar um conure dourado a um zoológico de Belfast, ela acaba nesse território entre o real e o fantástico. Perdida.

O trauma volta antes da noite

Mina encontra Madeline, Ciara e Daniel, os únicos seres humanos que habitam aquela vastidão e que se refugiam num bunker que chamam de poleiro sempre que a noite cai. Shyamalan lança mão de algumas memórias infelizes de sua protagonista para talvez dar uma razão de ter descoberto a floresta, e um flashback mostra Mina e a irmã gêmea, Lucy, escapando de um grave acidente enquanto a mãe delas morre sem ser socorrida. Dakota Fanning encarna a anti-heroína de modo a oferecer explicações plausíveis para que o trauma ainda manifeste tanto poder sobre Mina, e o argumento vai mais fundo no sobrenatural, classificando-a como uma halfling, meio humana, meio fada, ou uma ainriochtan, uma aberração. Ela vira uma líder para os outros três, em especial para Ciara, e o entrosamento de Fanning e Georgina Campbell contorna lances mais repetitivos, sobretudo quando o enredo já não impacta como antes. Mas os sustos são para valer.



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