O cinema pernambucano tem mais um representante na corrida pelo Oscar. O curta-metragem documental “Os arcos dourados de Olinda”, dirigido pelo cineasta Douglas Henrique, está elegível para disputar uma indicação na categoria de Melhor Documentário Curta-Metragem da 99ª edição do prêmio, em 2027.
Com 24 minutos de duração, o filme foi produzido integralmente a partir de imagens de arquivo e nasceu como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Douglas no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A produção teve orientação do professor Fernando Weller.
A trajetória do curta já inclui passagens por festivais no Brasil e no exterior e premiações como melhor documentário no 31º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, melhor documentário internacional no 23º Bogoshorts, na Colômbia, além de menção honrosa no Festival do Rio e do Prêmio Especial do Júri no 35º Festival Curta Cinema.
Segundo o diretor, o alcance da obra reforça a possibilidade de levar histórias pernambucanas para além das fronteiras do Estado.
“Estamos todos muito felizes com a trajetória do filme até aqui, principalmente com essa aceitação popular. O filme alcançou muitos públicos fora da bolha de festivais e teve um engajamento orgânico que é muito raro acontecer. Representar o cinema brasileiro e pernambucano nessa caminhada é uma honra imensa e uma validação da potência das histórias que são realmente nossas, contadas do nosso jeito”, afirmou.
A estreia mundial aconteceu no Festival do Rio. Depois, passou por eventos como IndieLisboa, em Portugal; Festival de Havana, em Cuba; Biarritz Amérique Latine, na França; e BlackStar Film Festival, nos Estados Unidos.
No Brasil, o filme integrou a programação do Janela Internacional de Cinema do Recife, Cine-PE, Festival Guarnicê de Cinema, Kinoforum e Festival de Vitória.
Sobre o curta
Narrado pelo ator Giordano Castro, integrante do Grupo Magiluth, o documentário parte de um episódio envolvendo uma unidade do McDonald’s em Olinda.
A produção investiga a história de que a cidade teria sido a primeira do mundo a levar uma unidade da rede à falência.
A partir desse acontecimento, o filme recupera elementos da política e da memória de Olinda para abordar o conflito simbólico entre a administração da primeira prefeita comunista do Brasil e uma das maiores marcas do capitalismo norte-americano.
A produção apresenta esse contexto como uma espécie de “Guerra Fria tardia” em território pernambucano.
A disputa por uma vaga entre os indicados ao Oscar ainda terá outras etapas. A votação preliminar dos membros da Academia está prevista para ocorrer entre 7 e 11 de dezembro. A shortlist, com 15 semifinalistas na categoria de Melhor Documentário Curta-Metragem, deve ser anunciada em 15 de dezembro.
Os cinco filmes que disputarão oficialmente o Oscar na categoria serão conhecidos em 21 de janeiro de 2027.
