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Corinthians é representante da hegemonia brasileira das mulheres da América do Sul

Corinthians é representante da hegemonia brasileira das mulheres da América do Sul

A 17ª edição da Copa Libertadores Feminina, que neste sábado terá a final entre Corinthians e Deportivo Cali, reforça uma tendência que dura mais de uma década: o domínio brasileiro no futebol feminino sul-americano. Desde a criação do torneio, em 2009, os clubes do Brasil venceram 13 das 16 edições disputadas. Corinthians (cinco títulos), São José-SP (três), Ferroviária e Santos (dois cada) e Palmeiras (um) formam a lista de campeões que transformaram o país em potência absoluta do continente.

A explicação para tamanha supremacia é direta. O Brasil investe muito mais do que seus vizinhos no futebol feminino, tanto em estrutura quanto em remuneração e desenvolvimento de atletas. Ainda que o aporte financeiro esteja distante do que é aplicado no futebol masculino, a diferença econômica entre o Brasil e os demais países sul-americanos faz com que essa disparidade se amplie em campo. Assim, a presença de um clube brasileiro em praticamente todas as finais (foram 16 em 17 edições) se tornou um retrato do desequilíbrio regional.

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Na edição de 2025, três dos quatro semifinalistas já conheciam o sabor da conquista continental: Corinthians, Ferroviária e Colo-Colo, do Chile. A única exceção foi o Deportivo Cali, da Colômbia, que busca o título inédito. O time colombiano chegou pela segunda vez a uma semifinal. Na primeira, em 2022, foi eliminado pelo Boca Juniors, após derrota por 3 a 0 nas cobranças de pênaltis. Desta vez, conseguiu avançar e desafiar o maior campeão da história do torneio.

O Corinthians chega à decisão com um histórico impressionante. Desde 2017, o clube conquistou cinco títulos e se consolidou como o grande protagonista da era moderna da Libertadores Feminina. A equipe comandada por Lucas Piccinato chega à terceira final consecutiva, e nas duas anteriores levantou o troféu: venceu o Palmeiras por 1 a 0, em 2023, na Colômbia, e superou o Independiente Santa Fe por 2 a 0, em 2024, no Paraguai. Agora, busca o tricampeonato seguido e o sexto título de sua história, algo inédito na competição.

O avanço corinthiano diante da Ferroviária, em Buenos Aires, não foi apenas mais uma vitória esportiva, mas a reafirmação de um projeto consolidado e sustentável. O clube investe em estrutura, categorias de base e profissionalização do elenco, e colhe os resultados dentro de campo. A hegemonia é tamanha que, nas últimas oito edições, o Corinthians esteve em cinco finais e venceu todas.

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A Conmebol, por sua vez, tenta acompanhar esse crescimento com medidas de incentivo financeiro. Para a edição de 2025, a entidade anunciou um aumento histórico na premiação total, que passou a 5,25 milhões de dólares, mais de R$ 27 milhões. O campeão receberá 2 milhões, o vice ficará com 750 mil, e mesmo os clubes eliminados na fase de grupos garantem 50 mil. Haverá ainda valores intermediários: 350 mil dólares para o terceiro colocado, 150 mil para os semifinalistas e 100 mil para quem cair nas quartas de final.

Trata-se de um avanço significativo para o futebol feminino sul-americano, que durante anos sobreviveu com premiações simbólicas. Apesar disso, a distância em relação ao torneio masculino ainda é enorme. A Libertadores masculina, com o dobro de equipes na fase de grupos, paga 1 milhão de dólares por vitória e distribui cerca de 24 milhões apenas na final, além das premiações acumuladas nas fases anteriores.

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Mesmo com essa discrepância, o impacto positivo do aumento de valores é evidente. Clubes conseguem investir em estrutura, logística e formação de jogadoras, e o torneio começa a atrair maior interesse comercial e de público. A presença de patrocinadores e transmissões internacionais reforça que o futebol feminino não é mais uma promessa, mas uma realidade que cresce de forma consistente.

O cenário atual coloca o Brasil em posição de liderança, mas também de responsabilidade. A manutenção da hegemonia passa não apenas pelo investimento financeiro, mas pelo fortalecimento competitivo das ligas nacionais e pelo incentivo ao desenvolvimento de outros mercados da América do Sul. Afinal, um torneio verdadeiramente forte depende de equilíbrio técnico e da evolução coletiva do continente.

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Enquanto isso, o Corinthians chega à final deste sábado como favorito e símbolo da consolidação do futebol feminino brasileiro. Caso conquiste o tricampeonato consecutivo, o clube não apenas ampliará seu domínio continental, mas também reafirmará o papel do Brasil como o grande centro do futebol feminino da América do Sul: um domínio construído com investimento, estrutura e ambição de seguir fazendo história.



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