A descarbonização da aviação não começa no ar, começa no solo. Em Confins, decidimos liderar essa transformação
No Aeroporto Internacional de Confins, na região Metropolitana de Belo Horizonte, demos um passo relevante na modernização das operações de ground handling. A incorporação de 20 rebocadores elétricos BYD Green-Tug Q250LS eleva para 27 o número de equipamentos elétricos na frota de uma das empresas que ali opera. Desde 2022, já realizamos 90% das atividades com frota eletrificada, posicionando Confins como referência nacional em eficiência ambiental.
Com essa expansão, passamos a evitar a emissão de mais de 720 toneladas de CO₂ por ano. Cada rebocador a diesel geraria até 36 toneladas anuais do gás, impacto que conseguimos eliminar. Além da redução de emissões, os novos veículos trazem ganhos operacionais relevantes: maior disponibilidade no pátio, eficiência aprimorada e menor necessidade de manutenção. É um ciclo virtuoso que alia sustentabilidade à performance.
Para entender a profundidade dessa jornada, vale voltar a 2022, quando iniciamos esse movimento. Estruturamos um projeto-piloto em parceria com a LATAM Airlines Brasil e a BH Airport, com investimento superior a R$ 30 milhões. A iniciativa priorizou equipamentos 100% elétricos para atender exclusivamente os voos da LATAM. Já naquele momento, conseguimos migrar 50% da operação, equivalente a 10 voos diários, para energia elétrica, evitando 114 toneladas de CO₂ em 12 meses.
Desde o início, tínhamos uma meta clara: alcançar 100% dos voos LATAM (cerca de 25 diários) com operação em solo eletrificada até o fim de 2023. Para isso, adquirimos rebocadores, tratores de bagagens e esteiras elétricas, importados da França, enquanto a BH Airport investiu em infraestrutura, como subestação e pontos de carregamento, alinhando-se à certificação de Aeroporto Verde. Essa sinergia reforça um ponto essencial: parcerias estratégicas são determinantes para acelerar a descarbonização.
Na prática, vimos que a eletrificação não é apenas viável do ponto de vista ambiental, ela também se mostra eficiente sob a ótica operacional e econômica. Reduz emissões diretas, diminui custos de manutenção e aumenta a disponibilidade dos equipamentos, contribuindo para uma operação mais previsível e resiliente.
Em um setor historicamente dependente de combustíveis fósseis, essa transformação representa mais do que conformidade regulatória é uma mudança estrutural. Confins hoje não apenas acompanha essa evolução, mas ajuda a liderá-la, servindo de referência para outros aeroportos no Brasil.
A importância desse movimento é clara. As operações em solo representam uma parcela relevante das emissões aeroportuárias, e iniciativas como essa têm impacto direto na redução da pegada de carbono da aviação. Ao mesmo tempo, reforçam a competitividade das empresas que investem em inovação e sustentabilidade em um mercado cada vez mais exigente.
Tenho orgulho de demonstrar, na prática, que sustentabilidade não é apenas necessária, ela é também um vetor claro de eficiência e competitividade para o futuro da aviação.
Fred Vilaronga é CEO da Real Aviation Services
