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Com Jake Gyllenhaal e Rene Russo, esse suspense na Netflix é um dos filmes mais bizarros que você vai ver em toda sua vida

Com Jake Gyllenhaal e Rene Russo, esse suspense na Netflix é um dos filmes mais bizarros que você vai ver em toda sua vida

Em Los Angeles, no presente, um grupo de profissionais do mercado de arte transforma uma descoberta casual em oportunidade de lucro, e paga o preço por isso ao ignorar sinais claros de risco. É nesse ambiente competitivo e vaidoso que “Velvet Buzzsaw” se desenvolve, dirigido por Dan Gilroy e estrelado por Jake Gyllenhaal, Rene Russo e Zawe Ashton, expondo como o valor artístico pode ser facilmente distorcido quando atravessado por ambição e oportunismo.

Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal) é um crítico respeitado, daqueles que conseguem elevar ou destruir carreiras com poucas linhas. Ele circula entre galerias e eventos com segurança profissional, mas sua vida pessoal é instável, especialmente na relação com Ed (Nat Wolff). Ao seu lado está Josephina (Zawe Ashton), assistente da poderosa galerista Rhodora Haze (Rene Russo), uma figura influente que entende o mercado como poucos, e sabe explorá-lo ainda melhor.

Artista misterioso

A mistério começa quando Josephina encontra o corpo de um vizinho, Vetril Dease, em seu prédio. Em vez de acionar autoridades ou se afastar, ela entra no apartamento do homem e descobre uma série de pinturas. Algumas estão destruídas, outras intactas, mas todas carregam uma força visual imediata. Josephina toma uma decisão prática: recolhe o material e leva para Morf e Rhodora avaliarem. Esse gesto, aparentemente oportunista, abre uma porta enorme, e também difícil de fechar.

Rhodora rapidamente identifica ali uma chance rara. Ela decide expor as obras na Haze Gallery, criando uma narrativa em torno do artista desconhecido. A estratégia funciona: o público aparece, colecionadores se interessam, e os preços sobem. Morf reforça esse movimento ao escrever críticas positivas, consolidando Dease como um nome valioso, mesmo após sua morte. O que era um achado acidental vira produto de alto valor em questão de dias.

Mas manter esse valor exige controle. Rhodora ordena que parte das obras seja retirada de circulação para aumentar a sensação de exclusividade. O plano é simples, mas falha na execução: durante o transporte, um incêndio destrói parte do acervo. O incidente não apenas diminui a quantidade de obras disponíveis, como também aumenta o interesse pelas restantes. No mercado de arte, escassez vira argumento, e Rhodora sabe disso.

Segredo por trás

Enquanto isso, Morf começa a investigar o passado de Dease. Ele descobre uma história marcada por violência, abandono e internação psiquiátrica. Há indícios de que o artista usava sangue em suas pinturas, o que altera completamente a leitura das obras. Morf se vê diante de um dilema: expor essa origem pode comprometer o valor das peças, mas esconder a informação o coloca em uma posição ética frágil. Ele hesita, e essa hesitação custa caro.

O mercado ao redor não espera. Jon Dondon (Tom Sturridge), galerista rival, tenta acessar as mesmas informações para ganhar vantagem. Gretchen (Toni Collette), curadora influente, negocia a inclusão das obras em um museu, ampliando ainda mais o alcance do artista. Cada personagem tenta garantir sua parte nesse novo fenômeno, ajustando alianças e rompendo vínculos conforme necessário.

Guerra de interesses

As relações pessoais começam a se deteriorar. Josephina se envolve com Damrish (Daveed Diggs), um artista em ascensão, e isso rompe sua conexão com Morf. Ele perde acesso direto a informações internas da galeria, o que enfraquece sua posição. Ao mesmo tempo, Rhodora acelera as vendas, tentando lucrar o máximo possível antes que qualquer crise afete o mercado. É uma corrida contra o tempo, e contra algo que ninguém consegue definir com clareza.

Morf tenta reagir. Ele contrata Coco (Natalia Dyer), ex-assistente de Rhodora, para ajudá-lo a retirar algumas obras de circulação. A ideia é simples: reduzir sua exposição ao material que agora considera perigoso. Mas o controle já escapou. As pinturas estão espalhadas, vendidas, armazenadas em diferentes lugares. O que antes era um ativo central agora se torna um problema descentralizado.

O filme acompanha essa escalada com um olhar quase clínico, mas sem perder o senso de ironia. Há momentos em que a própria lógica do mercado de arte parece absurda, e o roteiro não hesita em explorar isso. Um crítico que dita tendências, uma galerista que transforma tragédia em produto, artistas que disputam espaço como se fosse um leilão permanente. Tudo funciona até deixar de funcionar.

O sistema

“Velvet Buzzsaw” expõe com clareza a fragilidade desse sistema. Bastam algumas decisões mal calculadas para que o controle desapareça. Coco, talvez a personagem mais pragmática, percebe isso antes dos outros. Ela se afasta. Em uma das cenas finais, encontra pinturas sendo vendidas por valores irrisórios na rua, restos de um mercado que, horas antes, movimentava milhões.

É um desfecho silencioso, quase irônico. O que era exclusivo vira descartável. E ninguém consegue recuperar o que foi perdido no caminho.



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