Nordeste Magazine
Cultura

Colomy, banda do filho de Nando Reis, se inspira em Roupa Nova: “gosto não veio do meu pai”

Colomy, banda do filho de Nando Reis, se inspira em Roupa Nova: “gosto não veio do meu pai”


Dar play em “Pra Quem Andou Perdido”, lançamento da banda Colomy – que tem entre os integrantes Sebastião Reis, filho de Nando Reis -, é uma quebra positiva de expectativas. As faixas não se prendem a um “rock engessado” e muito menos são cópias do trabalho de Nando: há referências do yacht rock (aquele rock suave dos Doobie Brothers), do soft rock brasileiro dos anos 1970 e 1980 e, principalmente, do Roupa Nova.


“Sou músico por causa do meu pai, tive esse contato bruto com a música dele, aprendi a tocar violão com ele. Mas, naturalmente, cada um foi achando seu caminho. Eu gosto de Roupa Nova, algo que não veio dele”, detalha Sebastião em entrevista ao Estadão.


Tudo faz ainda mais sentido com as participações especiais do novo disco: a Colomy convidou Guilherme Arantes, que toca piano e canta no refrão de Se Ainda Existe Amor, e Peter Buck, cofundador da banda R.E.M, que assume o violão de 12 cordas de Rádio.


“São figuras que admiramos desde o começo pelo tipo de rock que fazem e pela identificação que temos com eles como artistas. [.. ] Eles são ídolos. Além da admiração musical, houve um aprendizado de humildade”, diz Sebastião.


Guilherme foi convidado por mensagem e rapidamente aceitou. Já Peter criou uma relação com os três depois que os músicos estiveram nas gravações de Uma Estrela Misteriosa, de Nando, álbum em que ele também fez uma participação.


Foi Eduardo Schuler, baterista do Colomy, quem fez o convite ao americano. “Eu estava nervoso. […] Esperei ele tomar umas taças de vinho para ficar mais solto e perguntei o que ele achava de gravar com a banda. Expliquei a situação e ele disse: ‘Diga o dia e o horário que eu levo minhas guitarras’. Ele apareceu lá, sem ego nenhum, desmontando aquele pedestal em que a mídia coloca esses artistas”, conta.


Pedro Lipa, guitarrista e vocalista da banda, nota que as participações têm significado também pessoal para os membros da banda. “Minha mãe tem um disco autografado do Guilherme Arantes na minha casa, de um show que ela foi quando tinha uns 20 anos. Hoje esse disco está comigo, e o cara gravou no disco da Colomy “.




Momentos difíceis

Foi um encontro que uniu a Colomy. Schuler e Lipa, naturais do Rio Grande do Sul, chegaram juntos a São Paulo e fundaram a banda Doris Encrenqueira. Na produção do primeiro disco de Beto Bruno, ex-vocalista da banda Cachorro Grande, eles conheceram Sebastião.


Mas foi em Jaú, no interior de São Paulo, que os três lapidaram a então futura banda. Da experiência na cidade, durante a pandemia, nasceu Jaú, disco de estreia do grupo, em 2023 (que, vale dizer, inclui até um cover de Dona, do Roupa Nova). Pra Quem Andou Perdido, originalmente, seria um EP – mas os músicos dizem que a pressão e a expectativa em um segundo lançamento do grupo é ainda maior do que um disco de estreia.


“Naturalmente, um segundo disco de uma banda sempre traz uma certa expectativa do público sobre como será a nossa continuidade e a nossa identidade. Este disco tem a característica do primeiro de ser uma coletânea de momentos em que estávamos nos descobrindo como banda, mas agora já estamos com um som mais maduro e composições mais reais”, diz Sebastião


Praticamente todas as faixas de “Pra Quem Andou Perdido” têm um tom confessional. E, segundo Lipa, tudo é “100% pessoal”. “São músicas feitas sobre histórias reais nossas. Posso dizer que não tem nenhuma música que foi criada a partir do nada ou de experiências alheias”, diz o guitarrista.


Sebastião conta que, à época da composição do disco, os três passavam por “momentos difíceis”. “O estúdio foi um lugar de refúgio para nós, onde choramos e nos abrimos. Foi um disco muito íntimo, tanto no que dizem as letras quanto em como gravamos, porque somos amigos e temos intimidade. Choramos no estúdio, rimos, dançamos… Tem essa coisa espontânea do momento que estávamos vivendo”, conta.


O tom confessional, comenta o músico, é o fator da banda que mais se relaciona com Nando. “Meu pai é um cara cujas letras falam muito sobre a vida dele e familiar. Isso eu aprendi com ele e todos nós pegamos essa referência.”


“Espelho” de Nando Reis?

Os três integrantes da Colomy trabalham também na banda de Nando Reis – atualmente, Lipa substitui o guitarrista de Nando, Walter Villaça. O risco de a banda ser vista como um “espelho” do trabalho de Nando é grande, mas eles conseguem separar a bagagem natural das músicas da banda.


“Carregar o sobrenome tem um peso, mas finalmente temos um som que tem a ver comigo, com eles e que é a Colomy”, diz Sebastião. Lipa comenta que “se tentarmos procurar uma sonoridade para soar como algo, não será autêntico”.


“Tem uma coisa paradoxal: muitas vezes procurar é não procurar”, afirma o guitarrista. “Se não procurarmos e usarmos o que já está ali por osmose, as referências já estão dentro da cabeça. Se não ficarmos tentando soar como algo, talvez soemos como nós mesmos.”


Para muitos, ter acessos mais facilitados a grandes nomes da música pode criar uma pressão na busca pela fama. Não é o caso da Colomy, dizem os três. “O contato que tenho desde cedo com música tira o deslumbramento”, comenta Sebastião. “Sempre perguntam para mim: ‘Como é ser filho do Nando?’. E eu respondo: ‘Pô, normal. Nasci ali’. Você vê que são artistas normais. Aprendi a ver que a fama é consequência e é passageira. O desafio é se manter e respeitar quem tem fama, pois houve muito trabalho para chegar lá.”


Lipa diz que escolher fazer músicas que fazem sentido para os integrantes em vez de perseguir a fama a todo custo “é uma matemática difícil”. “Se fosse para ficar famoso e milionário, talvez estivéssemos fazendo sertanejo ou trap. […] Muitos artistas tentam ocupar espaços e conseguem, mas talvez não durem muito porque são prateleiras que se reciclam. Nossa jornada visa o crescimento e reconhecimento respeitando nossa verdade musical Tentamos quebrar o mínimo da nossa personalidade por acreditar que isso fará as pessoas se identificarem conosco.”


O Colomy se apresenta no dia 20 de agosto na Casa Rockambole, em São Paulo.


Serviço

Colomy na Casa Rockambole

Quando: quinta-feira, 20 de agosto

Horários: 20h – Abertura da casa; 21h – Show Saravá; 22h30 – Show Colomy; 01h – Encerramento da casa

Onde: Casa Rockambole – Rua Belmiro Braga , 119, Pinheiros/SP

Ingressos: R$ 60

Veja também



Fonte

Veja também

Saiba como Glória Menezes acolheu neto trans aos 90 anos

Redação

Ex-BBB Jonas Sulzbach sofre fratura ao esquiar na Argentina e precisa de imobilização

Redação

Letícia Sabatella desabafa após veterinária confessar crime: “É reconfortante”

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.