Até aqui, eu só fui fã de animações quando criança. Depois de adulta, o interesse se dissipou. Nenhuma me prendia, por melhor que dissessem ser. Mas agora, com um filho de cinco anos, me vejo sendo arrastada novamente para esse universo. De umas semanas para cá, ele finalmente conseguiu se concentrar por mais de 30 segundos em um vídeo. Mais do que isso: consegue ficar uma hora e meia ou mais olhando para a tela, desde que a história seja interessante o bastante para a idade dele. Já maratonamos algumas das melhores animações da Disney/Pixar recentemente.
Ontem, mergulhamos no fundo do oceano em “Procurando Nemo”. Eu havia assistido quando criança e revi agora com ele, a pedido dele. A animação, mesmo com mais de 20 anos, continua em ótima forma. Tanto a estética quanto a história e as piadas ainda dialogam perfeitamente com os tempos atuais.
Enredo
Criada por Andrew Stanton, a história gira em torno de Marlin e Nemo, pai e filho, dois peixes-palhaço que vivem entre os corais do oceano. Depois de um episódio trágico no passado, em que Marlin perde a esposa e quase todos os ovos dos filhotes, restando apenas Nemo, ele se torna superprotetor e impede o filho, que tem uma nadadeira menor que a outra, de conquistar o mínimo de autonomia. A ida à escola é constantemente adiada e, quando o pai finalmente cede, Nemo resolve desafiar os limites impostos e se aproxima de um barco de mergulhadores em mar aberto.
Um dos mergulhadores captura Nemo e o leva para longe do pai, tirando-o do oceano. Agora preso no aquário de um consultório odontológico, Nemo e um novo grupo de amigos tentam bolar um plano de fuga, principalmente por causa da sobrinha do dentista, famosa por “eliminar” peixinhos sem muito esforço.
A busca incansável
Enquanto isso, Marlin embarca em uma verdadeira jornada pelo oceano para reencontrar o filho. No caminho, conhece Dory, uma peixinha azul com problemas de memória recente, que traz charme, coragem e leveza para a viagem. O excesso de cuidado de Marlin, além de seu jeito sistemático e extremamente precavido, faz com que ele trave diante de muitos perigos. Dory, ao contrário, é destemida, maluquinha e quase sem noção do perigo, o que mantém a aventura em movimento. É graças a essa amizade improvável que Marlin cruza o caminho de várias criaturas marinhas que o ajudam, de alguma forma, a chegar mais perto de Nemo.
Mas salvar Nemo não depende apenas do pai. Depende também do próprio Nemo, que precisa confiar nos novos amigos para escapar do aquário. Mais do que isso: ele precisa encontrar dentro de si a coragem que passou a vida inteira sendo abafada pela superproteção do pai.
História que nos identificamos
“Procurando Nemo” é sobre encontrar coragem e autonomia em um mundo que parece imprevisível e assustador demais. O filme conversa tanto com pais quanto com filhos, porque é impossível não se identificar com essas figuras dentro das nossas próprias configurações familiares. Quantos de nós já não fomos superprotegidos pelos pais? E quantos de nós não acabamos reproduzindo isso depois? É óbvio que esse medo nasce das experiências pessoais, dos noticiários e dos perigos reais, mas tudo parece muito maior e mais assustador quando visto pela televisão ou pelas manchetes dos jornais. Ainda assim, o mundo continua sendo um lugar incrível, que merece ser explorado. A vida precisa ser vivida.
