Após percorrer teatros de todo o Brasil e reunir uma audiência superior a 800 mil pessoas ao longo de sua história, o monólogo “A Alma Imoral” desembarca novamente no Recife para duas apresentações especiais.
Interpretada por Clarice Niskier, a montagem será encenada nos dias 3 e 4 de julho, às 20h, no Teatro do Parque, marcando as comemorações pelos 20 anos de permanência ininterrupta em cartaz.
Inspirado no livro do rabino Nilton Bonder, o espetáculo investiga questões ligadas à condição humana por meio de reflexões sobre liberdade, tradição, ética e ruptura de padrões.
A encenação conta com supervisão artística de Amir Haddad e adaptação assinada pela própria atriz, que conduz sozinha a narrativa diante do público.
Reflexões sobre os limites da moral
Ao longo da apresentação, conceitos consolidados pela sociedade são colocados em perspectiva.
A dramaturgia propõe um diálogo entre ideias aparentemente opostas – como obediência e rebeldia, corpo e espírito, regras e transformação – em uma abordagem que convida o espectador a questionar certezas e revisitar valores.
A proximidade entre atriz e plateia é um dos elementos centrais da montagem. Sem recorrer a grandes aparatos cênicos, Clarice estabelece uma comunicação direta com o público, eliminando barreiras tradicionais entre palco e audiência.
Cenário minimalista e múltiplas transformações
A encenação aposta na simplicidade visual para concentrar a atenção na palavra e na interpretação.
Em cena, poucos elementos compõem o ambiente: uma cadeira e um grande tecido concebido por Kika Lopes, que assume diferentes formas e funções ao longo da narrativa.
O cenário desenvolvido por Luis Martins reforça essa proposta ao criar um espaço despojado, marcado por linhas de profundidade que ampliam a sensação de percurso e deslocamento presentes na obra.
Uma história de reconhecimento e longevidade
A trajetória do espetáculo começou em 2006, no Rio de Janeiro, em um espaço de pequena capacidade.
O sucesso imediato levou a montagem a temporadas mais extensas e a uma circulação nacional que se manteve ao longo de duas décadas.
Com o passar dos anos, a adaptação também despertou interesse internacional, originando montagens em outros países e ampliando o alcance da obra.
A produção acumulou ainda importantes distinções no circuito teatral brasileiro, incluindo indicações aos principais prêmios da área e conquistas que consagraram o trabalho de Clarice Niskier como um dos mais relevantes do teatro nacional contemporâneo.
Para a atriz, a permanência da peça em cartaz está ligada à vitalidade que a experiência teatral preserva a cada apresentação.
“No teatro é sempre a primeira vez. Quando me perguntam como é possível fazer uma peça tanto tempo sem se cansar, eu respondo: assim como é possível amar tanto tempo a mesma pessoa sem se cansar. Nesse caso, o tempo é muito subjetivo. Se a relação está viva, está viva. Dá trabalho, mas não cansa. Assim é na ‘Alma Imoral’. Eu amo esse trabalho, esse texto. Que vocês se sintam vivos diante de mim. Assim como tenho vontade de me sentir diante de vocês: viva”, afirma.
Ao completar 20 anos de circulação contínua, a montagem reafirma sua capacidade de dialogar com diferentes gerações, mantendo atual uma discussão sobre os dilemas humanos e os conflitos entre permanência e transformação.
SERVIÇO
“A Alma Imoral” – 20 Anos
Quando: 3 e 4 de julho de 2026, às 20h
Onde: Teatro do Parque – Rua dos Hospício, 85, Boa Vista – Recife-PE
Ingressos: em breve
