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Cinema, adolescência e Bob Dylan: drama de amadurecimento brasileiro chega à Netflix

Cinema, adolescência e Bob Dylan: drama de amadurecimento brasileiro chega à Netflix

No centro de “Os Famosos e os Duendes da Morte” está um adolescente sem nome, interpretado por Ismael Caneppele, que passa os dias isolado em uma pequena cidade de colonização alemã no sul do país. Dirigido por Esmir Filho, o filme mostra um garoto quer escapar daquela rotina sufocante, mas só consegue acessar o mundo exterior por meio da internet.

A maior parte do tempo, ele está dentro do próprio quarto, navegando por sites, escrevendo e consumindo conteúdos que o conectam a algo maior do que aquela cidade parada no tempo. Não se trata apenas de passatempo. É uma tentativa real de existir em outro lugar, ainda que virtualmente. Enquanto isso, do lado de fora, tudo segue igual. Ruas vazias, poucos encontros, nenhuma novidade.

A música de Bob Dylan entra como companhia constante, quase como um idioma próprio que ele usa para se expressar. Só que essa conexão não resolve o problema principal. Ele continua fisicamente preso ali, dependendo de um computador para sentir que faz parte de algo, o que limita suas possibilidades de mudança.

A chegada que muda o ritmo

A rotina começa a se alterar quando surge uma figura feminina, interpretada por Áurea Baptista. Ela aparece de forma quase enigmática, sem explicações fáceis, mas com impacto real na vida do garoto. Não é uma solução mágica, muito menos um romance convencional. É alguém que provoca, que mexe, que tira ele da zona de conforto.

Esse encontro faz com que ele comece a revisitar lembranças e sentimentos que estavam guardados. Não por escolha, exatamente, mas porque agora existe alguém que exige mais dele. A presença dela funciona como um gatilho. Ele precisa entender quem é e o que quer fazer, o que coloca sua estabilidade em risco.

Uma cidade que não abre caminhos

O espaço onde a história se passa pesa. A cidade não oferece muitas saídas, nem no sentido físico nem no emocional. Tudo é previsível, repetido e limitado. Quando ele tenta passar por ali com outro olhar, percebe rapidamente que não há muito o que explorar.

Essa falta de opções cria uma espécie de bloqueio. Ele até deseja sair, experimentar, mudar, mas não encontra meios concretos para isso. Não há mobilidade, não há oportunidades claras. O resultado é uma sensação constante de estar parado, mesmo quando tenta agir.

Memórias que não ficam quietas

Com a mudança provocada pela nova presença, o passado começa a ganhar espaço. Algumas lembranças voltam com força e interrompem o presente, como se exigissem ser resolvidas antes de qualquer passo adiante.

Há momentos em que ele hesita diante de decisões simples, ou melhor, que parecem simples à primeira vista. Ele não diz em voz alta, mas fica evidente que qualquer escolha carrega um peso maior do que deveria. Ao adiar essas decisões, ele adia o próprio impasse, mantendo tudo empacado.

Pequenos movimentos, grandes riscos

Em determinado ponto, o personagem tenta mudar algo na prática. Ele altera sua rotina, arrisca sair do padrão, busca experiências diferentes. Não são grandes revoluções, mas já representam um esforço concreto de sair da inércia.

Essas tentativas esbarram em limites. O ambiente não ajuda, e ele próprio ainda não tem segurança suficiente para manter essas mudanças. Quando consegue avançar um pouco, logo percebe que voltar ao ponto inicial ainda é inevitável. O efeito é ambíguo. Ele aprende, mas continua preso.

Entre ficar e ir embora

A figura interpretada por Áurea Baptista retorna como elemento de pressão. Ela não aponta um caminho, mas obriga o garoto a encarar o que vinha evitando. A relação entre os dois não resolve nada de forma simples, mas deixa tudo mais urgente.

Continuar vivendo daquela forma ou arriscar algo diferente, mesmo sem certezas? A cidade continua a mesma, a internet continua sendo um refúgio incompleto, e o passado ainda pesa. O que muda é a consciência dele sobre isso. E, às vezes, só isso já é suficiente para tornar impossível continuar exatamente como antes.

No centro de “Os Famosos e os Duendes da Morte” está um adolescente sem nome, interpretado por Ismael Caneppele, que passa os dias isolado em uma pequena cidade de colonização alemã no sul do país. Dirigido por Esmir Filho, o filme mostra um garoto quer escapar daquela rotina sufocante, mas só consegue acessar o mundo exterior por meio da internet.



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