Maria Rita afirmou que o mercado da música ainda é muito influenciado pela questão estética – ainda mais em se tratando de artista mulheres.
A cantora de 48 anos falou sobre a cobrança por padrões estéticos em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, no ar no Youtube e no Spotify. Ela lembrou um show que foi sucesso de crítica, mas que gerou dezenas de agressões ‘sem um pingo de vergonha ou cuidado’. Leia trecho:
A indústria musical ainda é muito influenciada por pressão estética, ainda mais se tratando das mulheres. Já se sentiu cobrada a alcançar padrões estéticos cruéis?
Muito! Lembro de um show que fiz no Rock in Rio, a crítica do Globo disse elogiou demais, disse que levei uma roda de samba para um festival de rock, elegeu como o quinto melhor show do festival, eu estava em êxtase no camarim e caí na bobagem de abrir rede social. E aí, me vem assim: “melancia”.
Muitos ataques por estar com sobrepeso. Sem um pingo de vergonha, de cuidado. Pedi para bloquear certas palavras no canal da transmissão. Até hoje, olho aquilo e falo: ‘O que foi que eu fiz?’. No “Samba meu” (disco de 2007), apareci com vestidinho curtinho e falaram “Quem é sério, não precisa disso, a mãe dela nunca precisou disso”. A mulher não pode se sentir uma grande gostosa.
Como se soubessem o que a sua mãe pensaria ou como se fossem a mesma pessoa…
Engraçado que assim que li essa crítica, caiu no meu colo um livro de fotografias com fotos da minha mãe com um vestidinho aqui, recortados na lateral. Não, ela não precisava, ela queria. Eu também não preciso. Eu quero.
Já disse que o lado ruim da vida pública é a exposição. Qual é o seu limite?
Quando sinto que minha segurança e a relação com meus filhos estão ameaçadas.
Inventaram que eu estava num relacionamento com uma amiga, meu filho me ligou da escola. Eu queria matar a pessoa que escreveu! Falei: “Filho, isso não é verdade”. E ele: “Não tem problema, mas pô, o que eu falo pros meus amigos?”. É onde pega mais.
Fui ficando cada vez mais isolada da questão de vida pessoal. Eu amo a noite, mas onde a gente vai vira trabalho e tá todo mundo com o celular na mão, grava, faz vídeo, escreve. E aí entra uma limitação minha: não fico legal quando não me acho legal nas fotos. Pedem uma foto ou me pedem pra cantar e eu não botei uma maquiagem, uma roupa…
No samba, a gente tem um código. Se vou a um show do colega e ele me vê e não me reconhece, pode ser percebido como uma ofensa. A partir do momento em que ele fala que eu tô ali… Quando não estou a fim de lidar, eu não vou. Fico em casa, boto meu pijamão, abro um bom espumante e fico no ‘goró’ dentro de casa. Me preservo, mas gosto, sinto falta de sair.
