Cancelamentos afetaram 786,2 mil passageiros, enquanto atrasos longos cresceram 17,9% (Magnific/David Prado Perucha)

O número de passageiros afetados por cancelamentos de voos com menos de 30 dias de antecedência cresceu 14,5% no Brasil entre junho e agosto de 2026, alcançando 786,2 mil pessoas, segundo levantamento da AirHelp. O resultado representa quase 100 mil passageiros a mais do que no mesmo período de 2025.

O aumento, no entanto, ocorreu em um cenário de expansão ainda maior da movimentação aérea. A base analisada pela empresa passou de 27,5 milhões de passageiros entre junho e agosto do ano passado para 34,5 milhões no mesmo intervalo deste ano, crescimento de aproximadamente 25,2%. Com isso, a participação dos passageiros afetados por cancelamentos sobre o total analisado caiu de 2,5% para 2,3%.

Os atrasos de duas horas ou mais também aumentaram. No período, 247,9 mil passageiros foram afetados, contra 210,3 mil entre junho e agosto de 2025, alta de 17,9%. O maior avanço ocorreu em agosto, quando os atrasos prolongados atingiram 80,4 mil passageiros, ante 55,3 mil no mesmo mês do ano anterior, crescimento de 45,4%.

Os dados consideram os voos realizados no Brasil entre junho e agosto de 2026 e foram comparados com o mesmo período de 2025.

Julho registra mais cancelamentos, mas menos atrasos longos

O comportamento durante as férias escolares também mostrou diferenças entre os dois tipos de ocorrência. Em julho, 335,3 mil passageiros foram afetados por cancelamentos com menos de 30 dias de antecedência, contra 315,4 mil em julho de 2025, alta de 6,3%.

Já os atrasos superiores a duas horas recuaram 8,2% no mês, passando de 90,4 mil passageiros afetados em julho de 2025 para 83 mil neste ano. A redução ocorreu mesmo com uma expansão de aproximadamente 29,6% na quantidade de passageiros analisados em julho. O volume passou de 9,3 milhões para 12,1 milhões no período.

“Os dados mostram que o crescimento da demanda não necessariamente se traduz da mesma forma nos diferentes tipos de interrupção. Em julho, mesmo com um volume significativamente maior de passageiros, houve redução nos atrasos superiores a duas horas. Por outro lado, os cancelamentos continuaram avançando. Para o passageiro, ambos representam transtornos importantes e reforçam a necessidade de conhecer os direitos previstos para situações de interrupção da viagem”, afirma Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.

Guarulhos concentra atrasos; Galeão lidera nos cancelamentos

Em volume absoluto de passageiros afetados por atrasos de pelo menos duas horas entre junho e agosto, Guarulhos (GRU) aparece na primeira posição, com 60,6 mil casos. O Galeão (GIG) vem na sequência, com 25,7 mil, enquanto Viracopos (VCP) registrou 18,6 mil.

Na sequência aparecem Confins (11,6 mil), Recife (10 mil), Curitiba (8,8 mil), Porto Alegre (8,5 mil), Brasília (6,4 mil), Fortaleza (6,3 mil) e Porto Seguro (4,7 mil).

Nos cancelamentos, o Galeão assume a liderança, com 84,8 mil passageiros afetados, seguido de perto por Guarulhos, com 83,6 mil. Confins aparece em terceiro, com 51,5 mil, e Viracopos, em quarto, com 46,8 mil.

Brasília registrou 42,4 mil passageiros afetados por cancelamentos no período. O ranking é completado por Fortaleza (24,1 mil), Florianópolis (23,9 mil), Curitiba (22,3 mil), Porto Alegre (21 mil) e Recife (18,4 mil).

Confira os dez aeroportos com maior volume de passageiros afetados:

PosiçãoAeroportoAtrasos ≥2hCancelamentos
1Guarulhos (GRU)60,6 mil83,6 mil
2Galeão (GIG)25,7 mil84,8 mil
3Viracopos (VCP)18,6 mil46,8 mil
4Confins (CNF)11,6 mil51,5 mil
5Recife (REC)10 mil18,4 mil
6Curitiba (CWB)8,8 mil22,3 mil
7Porto Alegre (POA)8,5 mil21 mil
8Brasília (BSB)6,4 mil42,4 mil
9Fortaleza (FOR)6,3 mil24,1 mil
10Porto Seguro (BPS)4,7 mil—

Os dados de cancelamentos e atrasos são rankings independentes; a tabela reúne os dez aeroportos mais afetados em cada indicador, conforme o levantamento da AirHelp.

Guarulhos concentra as rotas com mais atrasos

Entre os trechos analisados, a rota Guarulhos–Santiago registrou o maior número de passageiros afetados por atrasos de pelo menos duas horas, com 5,8 mil casos. Guarulhos–Nova York aparece em segundo, com 3,7 mil, seguido por Galeão–Buenos Aires, com 3,5 mil.

Também estão entre os trechos com maior volume de atrasos Galeão–Guarulhos (3,4 mil), Guarulhos–Madri (2,5 mil), Galeão–Paris (2 mil), Galeão–Santiago (1,9 mil), Viracopos–Miami (1,9 mil), Curitiba–Viracopos (1,9 mil) e Confins–Congonhas (1,9 mil).

Das dez rotas com maior número absoluto de passageiros afetados por atrasos prolongados, sete têm destinos internacionais.

Rotas com mais passageiros afetados por atrasos ≥2h

PosiçãoRotaPassageiros
1Guarulhos–Santiago5,8 mil
2Guarulhos–Nova York (JFK)3,7 mil
3Galeão–Buenos Aires (Aeroparque)3,5 mil
4Galeão–Guarulhos3,4 mil
5Guarulhos–Madri2,5 mil
6Galeão–Paris2 mil
7Galeão–Santiago1,9 mil
8Viracopos–Miami1,9 mil
9Curitiba–Viracopos1,9 mil
10Confins–Congonhas1,9 mil

Guarulhos–Porto Alegre lidera entre os cancelamentos

No recorte de cancelamentos, a rota Guarulhos–Porto Alegre aparece na primeira posição, com 12,9 mil passageiros afetados. Em seguida está Galeão–Vitória, com 12,6 mil, enquanto Maceió–Guarulhos registrou 12 mil.

O levantamento também aponta Galeão–Curitiba, com 11,3 mil passageiros afetados; Viracopos–Galeão e Florianópolis–Guarulhos, ambos com 7,4 mil; Galeão–Guarulhos e Curitiba–Congonhas, com 7 mil cada; Confins–Brasília, com 6,9 mil; e Confins–Congonhas, com 6,5 mil.

Rotas com mais passageiros afetados por cancelamentos

PosiçãoRotaPassageiros
1Guarulhos–Porto Alegre12,9 mil
2Galeão–Vitória12,6 mil
3Maceió–Guarulhos12 mil
4Galeão–Curitiba11,3 mil
5Viracopos–Galeão7,4 mil
6Florianópolis–Guarulhos7,4 mil
7Galeão–Guarulhos7 mil
8Curitiba–Congonhas7 mil
9Confins–Brasília6,9 mil
10Confins–Congonhas6,5 mil

Mudança na Resolução 400 atualiza regras para passageiros

O levantamento da AirHelp ocorre no mesmo momento em que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) atualizou as regras relacionadas a atrasos, cancelamentos e interrupções de voos. A revisão da Resolução 400, aprovada pela agência em 24 de setembro, trata de pontos como assistência material, responsabilidades das companhias e transparência na comunicação com os passageiros.

A regulamentação brasileira continua estabelecendo obrigações para as empresas em situações de alteração e interrupção do transporte, mas a atualização da norma modifica pontos da disciplina anterior e deve ser considerada nas orientações aos passageiros. A própria Anac mantém a Resolução 400 entre as normas que tratam das Condições Gerais de Transporte Aéreo.

“Esse sistema de direitos dos passageiros aéreos no Brasil é orientado ao consumidor e oferece forte proteção aos viajantes, especificando claramente a assistência que as companhias aéreas devem prestar em caso de interrupções. No entanto, os critérios usados na análise de pedidos de compensação podem exigir interpretação caso a caso e ser desafiadores para quem não possui conhecimento especializado. Entre os principais motivos pelos quais passageiros brasileiros deixam de reivindicar seus direitos estão a falta de conhecimento sobre como fazer a solicitação e o baixo nível de conscientização sobre seus direitos”, afirma Luciano Barreto.

Eventuais pedidos de indenização, por sua vez, dependem da situação concreta e da comprovação dos danos alegados. A ocorrência de um atraso ou cancelamento, por si só, não significa que haverá necessariamente direito a uma compensação financeira.