Henrique Severien, presidente da ABIH DF e diretor do Íbis Brasília, durante apresentação (Divulgação)

Conhecida nacionalmente pelo turismo cívico, pelas viagens corporativas e pelos eventos governamentais, Brasília quer ampliar sua participação em um segmento no qual ainda aparece de forma mais tímida: o turismo de lazer. Para isso, representantes da hotelaria, operadoras de viagens, receptivos e do governo do Distrito Federal iniciaram uma articulação voltada à criação e comercialização de pacotes integrados para a capital.

A proposta é reunir em um único produto passagens aéreas, hospedagem, transporte local e experiências turísticas, facilitando a venda do destino pelas grandes operadoras e agências de viagens. A iniciativa foi discutida nesta segunda-feira (15), durante encontro promovido pela ABIH-DF (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal), que reuniu cerca de 30 hotéis da capital, além de representantes da CVC, Itaparica, Brasília Receptivo e da Secretaria de Turismo do DF.

O movimento ocorre em um momento em que o setor busca diversificar a demanda turística da cidade. Segundo a entidade, a avaliação do trade é de que existe espaço para ampliar a presença da capital nas prateleiras das operadoras nacionais, especialmente com produtos voltados a públicos interessados em arquitetura, cultura, gastronomia e experiências regionais.

Durante o encontro, representantes da CVC e da operadora Itaparica apresentaram aos hotéis os requisitos necessários para a inclusão do destino nos sistemas de distribuição das empresas. Entre eles estão a oferta de tarifas negociadas com antecedência e a manutenção de allotments específicos, mecanismo que permite reservar previamente blocos de apartamentos para a montagem de pacotes turísticos.

Segundo o presidente da ABIH-DF, Henrique Severien, Brasília já reúne condições para competir de forma mais efetiva no mercado de lazer. “Brasília possui uma rede hoteleira consolidada, excelente conectividade aérea e uma série de atrativos capazes de compor experiências turísticas competitivas. O que buscamos agora é integrar esses elementos para que eles possam ser efetivamente comercializados pelas operadoras e chegar às agências de viagens de todo o país”, afirmou.

Um dos pontos apresentados durante a reunião foi a ampliação da oferta de experiências disponíveis para os visitantes. A Brasília Receptivo mostrou produtos que incluem roteiros cívicos e arquitetônicos, visitas aos principais monumentos da cidade, passeios náuticos e circuitos temáticos voltados ao enoturismo, à produção artesanal de cachaças e à gastronomia regional.

A empresa também destacou investimentos recentes em infraestrutura de atendimento ao turista, incluindo um lounge no Aeroporto Internacional de Brasília, um ponto de apoio no Brasília Shopping e frota própria para a operação dos serviços.

Embora discussões sobre a integração da cadeia turística local ocorram há anos, representantes do setor avaliam que o avanço das plataformas digitais tornou mais simples a comercialização de produtos completos. Atualmente, sistemas de distribuição permitem integrar hospedagem, transporte e experiências em um mesmo canal de vendas, ampliando a visibilidade dos destinos junto às operadoras e agências.

“O turismo funciona como uma cadeia integrada. Não basta ter atrativos, nem apenas conectividade aérea ou estrutura hoteleira. É preciso que todos os componentes conversem entre si. O destino já conta com atrativos estruturados, receptivo profissionalizado, conectividade aérea e operadoras interessadas em comercializar Brasília. O que discutimos aqui foi, em grande parte, fazer o dever de casa, entendendo as necessidades das operadoras e criando condições para que os hotéis possam participar efetivamente da composição desses pacotes”, destacou Severien.

Para o setor, a ampliação da presença de Brasília no mercado de lazer também surge como uma estratégia para reduzir a dependência dos fluxos corporativos e governamentais, especialmente em períodos de menor atividade política. A expectativa é que o alinhamento entre hotéis, operadoras, receptivos e poder público permita aumentar gradualmente a participação da capital federal nos roteiros de férias comercializados em todo o país.