Nordeste Magazine
Turismo

Brasil pode liderar produção de combustível sustentável de aviação, diz IATA

Brasil pode liderar produção de combustível sustentável de aviação, diz IATA

IATA defende previsibilidade regulatória, incentivos ao SAF e alinhamento ao Corsia durante debate da Agência Nacional de Aviação Civil

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) participou na última quarta-feira (20), do evento “Desafios da Aviação Civil – Próximos 5 Anos”, promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), em Brasília.

A entidade defendeu medidas para ampliar a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil com foco em previsibilidade regulatória, alinhamento internacional e viabilidade econômica.

O SAF foi apontado pela IATA como o principal instrumento para que a aviação alcance emissões líquidas zero até 2050, compromisso assumido pela indústria aérea e pelos Estados no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

Segundo estimativas da associação, cerca de 65% da redução total de emissões necessária para atingir a meta global dependerá do uso de SAF. Atualmente, porém, o combustível representa apenas 0,8% do consumo global da aviação.

Brasil como potencial produtor de SAF

Durante o debate, a IATA destacou que o Brasil possui condições consideradas estratégicas para ampliar a produção de combustível sustentável de aviação, incluindo disponibilidade de biomassa, parque de refino consolidado e avanços regulatórios, como a Lei nº 14.993/2024.

Apesar desse cenário, a associação afirmou que o mercado ainda enfrenta limitações relacionadas à escala de produção, previsibilidade de oferta e definição de custos futuros do SAF.

A entidade também alertou para riscos associados à implementação antecipada de mandatos obrigatórios de redução de emissões antes da consolidação da oferta do combustível sustentável. Segundo a IATA, a medida pode gerar aumento de custos operacionais, redução de conectividade aérea e desestímulo a investimentos no setor.

Quatro prioridades

A contribuição da IATA ao planejamento estratégico da ANAC foi estruturada em quatro eixos considerados prioritários para a descarbonização da aviação civil brasileira.

Alinhamento internacional e Corsia

A associação defendeu convergência entre a regulação brasileira e os mecanismos internacionais de compensação de carbono estabelecidos no programa Corsia, da ICAO, para evitar sobreposição regulatória e preservar a competitividade das companhias aéreas brasileiras.

Desenvolvimento do mercado de SAF

A IATA defendeu que o avanço do mercado de SAF depende de incentivos econômicos capazes de reduzir a diferença de preço em relação ao querosene convencional de aviação.

A entidade também mencionou a adoção de mecanismos flexíveis, como o sistema “book & claim”, que permite dissociar a entrega física do combustível sustentável da comercialização de seus atributos ambientais, ampliando a demanda antes da consolidação completa da infraestrutura logística.

Eficiência operacional e infraestrutura

Outro ponto destacado foi o potencial de redução de emissões por meio de melhorias operacionais, incluindo gestão do espaço aéreo, modernização de frota e aumento de eficiência em aeroportos.

Segundo a associação, essas medidas podem gerar impactos imediatos na redução da pegada de carbono da aviação e devem integrar a agenda regulatória brasileira.

Segurança regulatória para investimentos

A IATA também defendeu maior previsibilidade regulatória para estimular investimentos em descarbonização de longo prazo.

De acordo com a entidade, a ANAC possui papel relevante na coordenação de uma regulação tecnologicamente neutra e integrada com outros órgãos ligados às áreas de energia, fazenda, agricultura e meio ambiente.

Planejamento estratégico da ANAC

O evento promovido pela ANAC foi realizado em três encontros ao longo de maio de 2026 e reuniu representantes do setor público e privado para discutir prioridades regulatórias da aviação civil brasileira.

As contribuições apresentadas deverão subsidiar a formulação do novo planejamento estratégico da agência reguladora, com diretrizes previstas para orientar o setor até 2030.





Fonte

Veja também

IPW 2026 se despede de Fort Lauderdale com festa inspirada em parque de diversões; veja FOTOS

Redação

Problemas em fábrica agravam atrasos no Airbus A350

Redação

IPW impulsiona força dos Estados Unidos no turismo global com foco em eventos e conectividade; veja cobertura completa

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.