Booking.com afirma que não pede atualização de cartão ou pagamento fora de seus canais oficiais (IA/M&E)

Viajantes que fizeram reservas de hotéis pela internet estão recebendo mensagens suspeitas de pessoas que se apresentam como representantes dos estabelecimentos. Os contatos, geralmente feitos por WhatsApp, podem trazer informações verdadeiras sobre a hospedagem, como nome do hotel, datas da estadia e detalhes da reserva. A partir daí, os criminosos tentam convencer o consumidor a realizar um pagamento, atualizar os dados do cartão ou acessar um link.

A situação tem gerado relatos nas redes sociais e chamou a atenção de consumidores que ficam em dúvida sobre como os golpistas conseguem informações relacionadas às reservas. A Booking.com afirmou para a Coluna do Vitor Viana, que os criminosos são terceiros que utilizam técnicas de engenharia social para abordar parceiros de hospedagem e tentar enganar os viajantes.

A empresa também reforçou um alerta importante: a Booking.com não solicita dados de pagamento ou atualização de cartão fora da plataforma oficial.

Como funciona o golpe

O contato costuma acontecer depois que o viajante já realizou uma reserva. A mensagem pode informar que existe algum problema com o pagamento, uma pendência na reserva ou a necessidade de confirmar os dados do cartão.

Em alguns casos, o consumidor é informado de que precisa fazer um novo pagamento para garantir a hospedagem. Também podem aparecer ameaças de cancelamento da reserva caso a suposta pendência não seja resolvida dentro de determinado prazo. O uso de informações verdadeiras é uma das características que tornam esse tipo de golpe mais difícil de identificar.

Ao receber uma mensagem mencionando corretamente o hotel reservado e as datas da viagem, o consumidor pode acreditar que está realmente falando com o estabelecimento. No entanto, conhecer os dados da reserva não significa que o contato seja legítimo.

Segundo a Booking.com, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social e têm como alvo parceiros de hospedagem.

“A segurança e a proteção das informações dos nossos clientes são prioridade absoluta na Booking.com. Nossas equipes especializadas trabalham 24 horas por dia, com tecnologia de inteligência artificial e machine learning, para detectar e bloquear atividades suspeitas”, informou a empresa.

A Booking.com acrescentou que os criminosos por trás dessas abordagens são terceiros e reforçou que a plataforma não pede dados de pagamento ou atualização de cartão fora de seus canais oficiais.

Atenção aos links e pedidos de pagamento

Um dos principais cuidados é não clicar imediatamente em links recebidos por mensagens relacionadas à reserva. Se o viajante receber uma cobrança ou um pedido para atualizar os dados do cartão, a recomendação é acessar diretamente o aplicativo ou o site oficial utilizado para fazer a reserva.

Também é possível consultar o hotel por um canal oficial para confirmar se existe alguma pendência. O cuidado é importante porque uma mensagem pode apresentar nome, logotipo e informações reais da hospedagem e, ainda assim, ser falsa.

Outro ponto de atenção são os pedidos urgentes. Mensagens que afirmam que a reserva será cancelada caso o pagamento não seja feito imediatamente devem ser verificadas antes de qualquer ação. A orientação vale também para mensagens que chegam por e-mail, SMS ou outros aplicativos de comunicação.

Conhecer os dados da reserva não garante que o contato seja verdadeiro

O fato de o criminoso saber detalhes da hospedagem é justamente um dos pontos que mais confundem os consumidores.

Uma reserva contém informações que podem tornar uma abordagem fraudulenta mais convincente. Quando o contato menciona corretamente o nome do hotel e o período da viagem, o consumidor pode entender que somente o estabelecimento teria acesso àqueles dados. Esse raciocínio, porém, não é suficiente para confirmar a identidade de quem está enviando a mensagem.

A Booking.com afirma que os golpes são realizados por terceiros e que os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para atingir parceiros de hospedagem. Por isso, a recomendação é fazer uma segunda verificação antes de fornecer qualquer informação ou realizar um pagamento.

O que fazer ao receber uma mensagem suspeita

A primeira medida é não realizar o pagamento solicitado. O viajante deve entrar diretamente na plataforma onde fez a reserva e consultar as informações da hospedagem. É importante verificar as condições de pagamento apresentadas no momento da contratação e procurar alguma indicação de cobrança pendente.

Se a mensagem mencionar uma necessidade de atualização do cartão, o consumidor também deve evitar fornecer os dados por meio do link recebido. Outra opção é procurar diretamente o hotel, utilizando um telefone, e-mail ou outro canal obtido de uma fonte oficial.

A Booking.com orienta que clientes que receberem mensagens com esse perfil procurem sua equipe de atendimento ao cliente, disponível 24 horas.

E se o viajante já passou os dados?

Quem já informou os dados do cartão em um link suspeito deve entrar em contato com o banco ou com a administradora do cartão o quanto antes. Dependendo da situação, pode ser necessário bloquear o cartão e acompanhar as movimentações da conta para identificar eventuais transações não reconhecidas.

Também é importante guardar as mensagens recebidas, os números de telefone utilizados e os comprovantes de eventual pagamento. Esses registros podem ser úteis para comunicar a fraude às instituições envolvidas. Caso tenha sido realizada uma transferência ou outro tipo de pagamento, o banco deve ser procurado imediatamente para verificar as medidas disponíveis.

Agentes de viagens também podem ajudar na conferência

Para quem realiza a reserva por meio de um agente de viagens, o profissional pode ser acionado sempre que surgir uma dúvida sobre uma cobrança ou alteração. O agente consegue verificar as informações da contratação com o fornecedor utilizado e ajudar o cliente a confirmar se existe alguma solicitação relacionada à reserva.

A intermediação não elimina o risco de fraude, mas acrescenta um canal de conferência para o viajante antes que uma decisão financeira seja tomada. Em reservas que envolvem diferentes fornecedores, como hotéis, companhias aéreas, operadoras e empresas de passeios, esse acompanhamento também pode facilitar a identificação de informações que não estejam de acordo com a contratação original.

Regra é confirmar antes de pagar

Os golpes envolvendo reservas de hotéis mostram como informações verdadeiras podem ser utilizadas para criar uma abordagem falsa. Por isso, uma mensagem que contenha o nome correto do hotel, as datas da viagem ou outros detalhes da reserva não deve ser considerada automaticamente legítima.

A principal orientação é confirmar a informação diretamente na plataforma ou com o fornecedor por um canal oficial antes de realizar qualquer pagamento ou fornecer dados financeiros. No caso da Booking.com, a empresa reforça que não solicita atualização de cartão ou dados de pagamento fora da plataforma oficial.

Para o viajante, a regra é simples: recebeu uma cobrança inesperada, pare e confira. Antes de clicar em um link ou informar os dados do cartão, vale verificar se aquela solicitação realmente existe na reserva.

*Com informações da Coluna Vitor Viana no IG