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Biografia de Tom Brady põe fim do casamento com Gisele Bündchen no centro de sua história

Biografia de Tom Brady põe fim do casamento com Gisele Bündchen no centro de sua história


Tom Brady encerrou a carreira como o jogador mais vitorioso da história do Super Bowl, com sete títulos conquistados em mais de duas décadas na NFL.


Uma nova biografia do ex-quarterback de futebol americano, no entanto, propõe olhar para essa trajetória por outro placar. A publicação revê o “preço” de escolhas pessoais feitas em nome de uma busca quase incessante — uma “obsessão”, segundo o livro — pelo sucesso em campo.


É essa a chave de leitura de “Brady: an american story and the price of greatness”, de Lars Anderson (ainda sem tradução no Brasil), analisado pela jornalista Jennifer Wilson numa resenha publicada pela revista americana “The New Yorker”.


Sob o título “Tom Brady’s endgame” (“O fim de jogo de Tom Brady”, em tradução livre), a publicação resume a provocação central dizendo que o divórcio do atleta de Gisele Bündchen teria sido seu maior “fumble” — termo do futebol americano para quando um jogador deixa a bola escapar.


A brincadeira reaparece numa pergunta lançada pela revista ao apresentar o livro: depois de tantas vitórias, seria possível dizer que Brady “ganhou tudo” se, no percurso, “deixou o relacionamento de 16 anos com Gisele Bündchen escapar”?




A provocação vai além de transformar o fim do casamento em “derrota”. A própria análise da revista “The New Yorker” chama atenção para a inversão de uma narrativa historicamente aplicada com muito mais frequência às mulheres: a tendência de fazer da vida amorosa um elemento capaz de esconder conquistas profissionais.


“Preciso confessar que senti certo prazer em ver um homem submetido à narrativa de que o fim de seu casamento é um momento que define sua vida, a história mais importante de sua trajetória. Se ele fosse uma mulher, este livro seria um best-seller de memórias”, escreve a crítica.


A biografia acompanha Brady desde uma origem esportiva pouco promissora até o topo da NFL. Escolhido pelo New England Patriots apenas na 199ª posição do Draft de 2000, o americano chegou à liga cercado de dúvidas sobre seu potencial. Dois anos depois, tornou-se, à época, o quarterback mais jovem a conquistar um Super Bowl. Terminaria a carreira com sete títulos — seis pelos Patriots e um pelo Tampa Bay Buccaneers.


Foi já transformado em estrela do esporte que Brady conheceu Gisele. Segundo o relato retomado pela “New Yorker”, os dois foram apresentados no fim de 2006 após uma iniciativa de Ed Razek, então executivo de marketing da Victoria’s Secret. Ele teria descrito a brasileira para Brady como uma espécie de “versão feminina” do quarterback, por enxergar nos dois um grau semelhante de projeção e sucesso profissional.


Eles se casaram em 2009 e permaneceram juntos por 13 anos. O divórcio foi anunciado em 2022, após um período em que a continuidade de Brady no futebol passou a ser publicamente associada a tensões familiares.


O episódio mais simbólico veio naquele mesmo ano. Brady anunciou que deixaria a NFL em fevereiro, mas voltou atrás apenas 40 dias depois e disputou mais uma temporada pelo Tampa Bay Buccaneers. Gisele já havia falado, em anos anteriores, sobre o desejo de que o marido encerrasse a carreira.


A “New Yorker” lê esse movimento como parte de um padrão maior retratado pela biografia: a dificuldade de Brady em abandonar a lógica de competição que o levou ao topo. O mesmo impulso que sustentou uma carreira extraordinariamente longa também teria cobrado custos fora do campo.


A publicação observa ainda que o casamento ajudou a ampliar a dimensão de celebridade de Brady. Ele já era um dos maiores nomes do esporte americano; Gisele, por sua vez, estava entre as modelos mais conhecidas e bem pagas do mundo. Juntos, tornaram-se um casal cuja fama ultrapassava tanto o universo da moda quanto o do futebol americano.


É justamente aí que está a provocação mais interessante da resenha. Em vez de tentar decidir se Brady “venceu” ou “perdeu” ao se divorciar, a jornalista Jennifer Wilson usa a biografia para discutir o preço culturalmente associado à ideia de grandeza — e o que acontece quando a ambição capaz de produzir feitos excepcionais deixa pouco espaço para outras partes da vida.

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