CUIABÁ – Mais do que uma feira de turismo, a FIT Pantanal se tornou uma plataforma de promoção dos principais ativos turísticos de Mato Grosso. Durante o evento, que começou nesta quarta-feira (3), em Cuiabá, municípios e empreendedores apresentam ao mercado experiências ligadas à biodiversidade, à cultura e à sustentabilidade, reforçando atributos que o estado considera estratégicos para ampliar sua competitividade no turismo nacional e internacional.
Realizada até domingo (7) no Centro de Eventos do Pantanal, a 33ª edição da feira reúne municípios, empresários, operadores e representantes do setor em torno de um objetivo comum: ampliar a visibilidade de Mato Grosso como destino turístico nacional e internacional. A programação inclui rodadas de negócios, fóruns, exposições, gastronomia, agricultura familiar e apresentações culturais.
Durante coletiva realizada antes da abertura do evento, lideranças do turismo destacaram que Mato Grosso reúne características pouco comuns em um único destino. O estado abriga os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, além de atrativos reconhecidos internacionalmente, como a observação de aves em Alta Floresta, a região do Encontro das Águas — considerada uma das melhores áreas do mundo para avistamento de onças-pintadas —, Chapada dos Guimarães, Nobres e as praias do Araguaia.

“O brasileiro não conhece o Brasil”, afirmou o presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau Júnior. Segundo ele, a FIT tem justamente o papel de aproximar o público dos atrativos mato-grossenses e mostrar que o estado possui infraestrutura para receber turistas nacionais e internacionais.
Outro eixo que ganha protagonismo na promoção do destino é a sustentabilidade. De acordo com o secretário-adjunto de Turismo de Mato Grosso, Luis Carlos Oliveira Nigro, o avanço do turismo de natureza tem contribuído para uma mudança de percepção sobre a preservação ambiental.
“Hoje as pessoas entendem que a onça viva vale muito mais do que morta”, afirmou. Segundo ele, a geração de renda por meio da observação de fauna e de atividades ligadas ao ecoturismo tem fortalecido iniciativas de conservação em diferentes regiões do estado.
A mesma avaliação é compartilhada pelo diretor técnico do Sebrae-MT, André Schelini. Para ele, a preservação ambiental não deve ser vista apenas sob a ótica econômica, mas como um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável dos destinos.
“A natureza em pé realmente vale muito, mas não apenas pelo valor financeiro. Vale pelo valor da própria natureza.” – André Schelini.

Schelini ressaltou ainda que a sustentabilidade está presente em toda a cadeia do turismo, desde a gestão de recursos naturais em hotéis e atrativos até a valorização de produtores locais e comunidades tradicionais. Um dos exemplos citados foi o etnoturismo desenvolvido em Campo Novo do Parecis, iniciativa que ajudou a gerar renda para comunidades indígenas ao mesmo tempo em que fortaleceu a preservação cultural.
Além da biodiversidade, Mato Grosso também aposta na diversidade de experiências para ampliar seu alcance junto aos viajantes. Entre os produtos promovidos estão turismo de vida selvagem, observação de aves, turismo comunitário, experiências culturais, pesca esportiva e roteiros voltados aos povos originários.
Segundo representantes do setor, o objetivo é mostrar que o estado oferece alternativas para diferentes perfis de turistas e competir em mercados tradicionalmente disputados por destinos internacionais de natureza, especialmente no segmento de vida selvagem.
A expectativa dos organizadores é que a FIT Pantanal receba mais de 100 mil visitantes ao longo dos cinco dias de programação e amplie a geração de negócios para o turismo mato-grossense. Na edição passada, as rodadas de negócios movimentaram cerca de R$ 35 milhões. Neste ano, além das negociações nacionais e internacionais, a feira conta com uma rodada voltada exclusivamente às empresas de Mato Grosso. Os resultados consolidados da edição 2026 devem ser divulgados após o encerramento do evento.
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