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balanço fica abaixo das projeções já fracas e ação cai, mas longe das mínimas

balanço fica abaixo das projeções já fracas e ação cai, mas longe das mínimas

As ações do grupo Natura (NATU3) chegaram a cair mais de 6% na sessão desta terça-feira (12), mas depois amenizaram as perdas: às 11h (horário de Brasília), os papéis caíam 2,29%, a R$ 10,26.

Os investidores repercutem uma alta no prejuízo líquido do primeiro trimestre, com um desempenho marcado por queda nas vendas e um incremento de gastos de reestruturação.

Segundo balanço divulgado na véspera, a fabricante de cosméticos registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre, comparado com prejuízo de R$ 152 milhões sofrido no mesmo período do ano passado.

O grupo apurou resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$ 346 milhões, queda de 55,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita líquida caiu 7,7% para R$4,75 bilhões de janeiro ao final de março.

Em teleconferência com analistas nesta terça-feira, o presidente-executivo João Ferreira disse que o primeiro trimestre foi desafiador tanto em receita quanto em rentabilidade, “ainda que bastante alinhado com as expectativas internas”.

O executivo acrescentou que, embora continue com expectativa de recuperação gradual de receita, uma migração no sistema de gestão empresarial em junho pode causar “turbulência” nas operações.

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“Estamos bem preparados, mas por experiências vividas no mercado, acho bom deixar o alerta”, afirmou.

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Já a diretora financeira Silvia Vilas Boas destacou que o grupo deve capturar os benefícios da recente redução de funcionários no segundo trimestre e absorver a totalidade do efeito no segundo semestre.

A XP apontou que a Natura teve resultados fracos no 1T, com margem bruta e Ebitda ajustado abaixo do esperado. “Como esperado, a Natura apresentou resultados fracos, com o macro permanecendo como vento contrário principalmente no Brasil e na Argentina, o que levou a companhia a aumentar os investimentos em consultoras para estimular a atividade”, avalia.

A margem bruta abaixo do esperado, combinada à desalavancagem operacional e às despesas rescisórias relacionadas à reestruturação da companhia, levou a uma queda de 7,9 pontos percentuais (p.p.) na base anual na margem Ebitda.

Além disso, desembolsos de caixa pontuais relacionados ao acordo da Chapman e à reestruturação da companhia, combinados a resultados operacionais pressionados e sazonalidade fraca, levaram a uma queima de FCF (fluxo de caixa livre) de R$ 430 milhões.

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“Já esperávamos resultados muito fracos e abaixo do consenso, e o Ebitda ajustado veio abaixo do nosso (-6%), embora com custos rescisórios menores no trimestre do que o esperado”, aponta.

Em relatório antes da abertura, a equipe de análise da XP já projetava uma reação negativa do mercado, embora apontasse que a indicação de preço não vinculante da Advent devesse fornecer um piso para as ações da NATU (em R$ 9,75/ação).

Além disso, a administração destacou sinais positivos iniciais no Brasil após ajustes comerciais recentes e o relançamento da Avon. Dito isso, a administração espera que o 2T seja um trimestre de transição, com um ambiente desafiador e riscos de execução elevados, particularmente com o go-live do SAP programado para junho. “Embora estejamos construtivos com as perspectivas de médio prazo da companhia, esperamos que os investidores retornem a uma postura de esperar para ver em relação à NATU3, em meio ao aumento dos riscos macro e de execução”, finalizou.

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O Bradesco BBI ressalta que, apesar de ajustes em andamento, segue vendo baixa visibilidade no curto prazo e riscos relevantes de execução. A administração reiterou a expectativa de recuperação gradual, mas reconheceu o 2T26 como um trimestre de transição, ainda sujeito a riscos —em especial relacionados à transição do ERP em junho.

No Brasil, a demanda segue irregular, com dinâmica volátil no canal de vendas diretas, sobretudo no Nordeste, onde a empresa tem maior exposição. Na América Latina Hispânica, a expectativa é de aceleração do crescimento em moeda constante, apoiada por bases de comparação mais fáceis (México a partir do 2T26 e Argentina a partir do 3T26), aumento da penetração de domicílios no México e melhora gradual dos níveis de serviço.

Em rentabilidade, a redução de cerca de 25% do quadro administrativo deve começar a beneficiar as margens a partir do 2T26, com efeito mais pleno apenas no segundo semestre de 2026. “Reiteramos nossa avaliação negativa sobre o resultado, que deve levar a revisões baixistas nas estimativas, ainda que o risco de queda adicional relevante no curto prazo pareça limitado pelo compromisso vinculante de investimento da Advent a R$ 9,75 por ação”, aponta.

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A companhia manteve as metas para 2026 de margem EBITDA reportada acima de 14,1% e maior geração de caixa em base anual, o que implica, para os próximos nove meses, margem em torno de 16% e cerca de R$ 1,1 bilhão em geração de caixa – metas que o BBI ainda considera dependentes de uma retomada mais consistente da receita. Contudo, o banco segue com recomendação de compra para NATU3, com preço-alvo de R$ 17,00.

(com Reuters)



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